sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ano Hi Mita Hana no Namae o Boku-tachi wa Mada Shiranai (TV)


Alternativos: AnoHana, anohana: The Flower We Saw That Day
Ano: 2011
Diretor: Tatsuyuki Nagai
Estúdio: A-1 Pictures
País: Japão
Episódios: 11
Duração: 23 min
Gênero: Drama / Romance / Sobrenatural


Quem conhece bem minhas resenhas sabe que costumo ficar com o pé atrás quando algum anime vira, de uma hora pra outra, a "sensação do momento" ou "o melhor anime de todos os tempos". E apesar dos animes exibidos no bloco "noitaminA" da Fuji TV raramente decepcionarem, resolvi assistir "AnoHana" com um certo receio, pois temia que pudesse se repetir a mesma coisa que aconteceu com "Kimi ga Nozomu Eien". Felizmente, no caso de "AnoHana" os elogios são mais do que merecidos.

Jinta Yadomi é um adolescente recluso, um "hikikomori", que largou a escola e passa os dias fechado em casa, navegando pela internet e jogando videogames. Jinta perdeu a mãe quando criança e, desde então, mora sozinho com o pai. Quem vê o rapaz nesta situação não imagina como a situação era diferente na infância, quando ele era o líder de um grupo de seis amigos que formavam o "Super Peace Busters". Além do próprio Jinta (chamado de Jintan à época), o grupo ainda contava com o energético Poppo (Tetsudou Hisakawa), a insegura Anaru (Naruko Anjou), o analítico Yukiatsu (Atsumu Matsuyuki), a tímida Tsuruko (Chiriko Tsurumi) e a alegre Menma (Meiko Honma), todos unidos no objetivo de promover a paz mundial (!) Mas uma tragédia ocorrida com Menma acaba afetando o grupo de forma indelével, causando a separação dos amigos e gerando traumas e sentimentos de culpa em todos.

Num dia quente de verão, Jinta acha que está tendo alucinações ou um colapso nervoso por causa do stress, pois tem certeza que está vendo e ouvindo Menma dentro de sua própria casa. Mas como o espírito da garota poderia estar ali, interagindo apenas com ele, e mais importante ainda, por que Menma resolveu aparecer assim, do nada, tanto tempo após a tragédia ocorrida na infância? Menma, com o mesmo espírito energético mas, agora, com a aparência de uma adolescente, diz que precisa realizar um desejo que ela ainda não sabe qual é. A única coisa da qual tem certeza é que o desejo só se realizará com todo o grupo novamente reunido, e dependerá da ajuda de Jinta para que isto aconteça.

"AnoHana" foi realizado por praticamente a mesma equipe responsável por "Toradora!", mas por se tratar de uma série do "noitaminA", possui uma abordagem mais adulta e dramática, apesar dos muitos momentos hilários espalhados ao longo da série. E enquanto "Toradora!" foi adaptado do mangá homônimo, "AnoHana" é uma obra original para a TV criada pela roteirista Mari Okada: só posteriormente foi lançado um mangá baseado no anime.


O desenho de personagens de Masayoshi Tanaka merece destaque, pois cada um dos personagens principais possui traços faciais muito particulares, nos quais apenas os olhares já são suficientes para revelar a verdadeira personalidade dos mesmos. Isto é fundamental para o sucesso da obra, já que o excelente roteiro aborda constantemente a questão das "máscaras" que usamos no dia-a-dia, tentando ocultar nosso verdadeiro "ego" e os problemas e traumas que o acompanham. O riso excessivo escondendo a tristeza, a agressividade dissimulando o desespero, a futilidade encobrindo a insegurança. Vidas e famílias destruídas por uma tragédia, fato agravado justamente por estas máscaras, que impedem um enfrentamento sincero dos problemas.

"AnoHana" é embalado na maior parte do tempo por uma bela e melancólica música-tema tocada num piano, e aborda de forma bem realista os efeitos psicológicos devastadores causados pela morte de Menma. O fato dos personagens serem todos cativantes e muito bem delineados torna a sua jornada ainda mais emocionante e dolorosa. Ainda que Poppo pareça ser alegre e efusivo demais, ou Yukiatsu pareça frio e cruel em excesso, tudo é perfeitamente justificável pela questão já mencionada das "máscaras".

Os comentários acima podem dar a impressão que "AnoHana" é uma série muito pesada e baixo astral, mas verdade seja dita, a narrativa consegue equilibrar muito bem o drama e o humor, segurando um pouco a barra quando a coisa ameaça descambar para o dramalhão. "AnoHana" consegue mexer direitinho com as emoções do espectador, seguindo num "crescendo" emocional constante até seu final que, digamos, é capaz de fazer até a Pedra da Gávea chorar. Por isto, pode parecer estranho dizer que o ponto fraco de "AnoHana" é justamente o seu final, pois justamente aqui o roteiro perde o equilíbrio alcançado em toda a série e, em vários momentos, apela para os choros desesperados e gritos efusivos para causar comoção. A história já é forte o suficiente para amolecer o coração de qualquer um, tornando desnecessário este ataque demolidor às emoções do público que, contraditoriamente, acaba tirando um pouquinho da força do encerramento.




"AnoHana" faz jus à fama que desfruta entre os fãs de animes. É uma obra tecnicamente irrepreensível, com uma qualidade de animação excelente para uma série de TV, mas que se destaca mesmo no que é mais importante: uma história forte, emocionante e muito bem contada, protagonizada por um grupo de personagens que custarão a sair de sua memória. Fica agora a ansiedade para o lançamento do longa-metragem em 2013, que mostrará a história sob o ponto de vista de Menma. Preparem os lenços e os baldes!


Marcelo Reis


 

4 comentários:

  1. Parabéns, Marcelo, pela ótima resenha de AnoHana.

    Tinha assistido há poucas semanas atrás e realmente me agradei bastante.

    Novamente parabéns pelo retorno das reviews (e lembrando, são sempre animes de qualidade!).

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  2. Obrigado, Krisna! O anime me surpreendeu demais, mas em se tratando de uma obra do noitaminA, a qualidade só poderia ser muito boa mesmo.

    Ainda estou voltando aos poucos a assistir animes, mas acredito que logo, logo cheguem mais reviews por aí. ^_~

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  3. Eu concordo que o final é meio que um "exagero" na demonstração emocional de todo mundo. No entanto, ser "exagerado" não tira força na minha opinião. Eu já fui em mais enterros do que eu gostaria em minha vida e eu nunca chorei neles, minha sensação é igual a do Jinta durante todo o anime, mas sempre há aquele momento em que o indivíduo deixa as emoções fluírem e francamente sempre elas saem em exagero.
    Você prende, prende e prende o choro até que uma hora ela extravasa com a força de uma bomba atômica e por mais que você não queira, a cena acaba sendo (ASPAS) "ridicula".

    Concluindo, acho que é algo natural mas que poucos gostaram.

    Gostei muito da review, Grato por escreve-la

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    1. Olá, Fábio.

      Estou respondendo a vários comentários e e-mails pendentes, e conforme já comentei com várias pessoas, preciso pedir desculpas pela demora, mas 2016 tem sido um ano realmente complicado e apertado por aqui. Aos poucos vou resolvendo as pendências e colocando as coisas em ordem.

      Obrigado pelo comentário, e sobre o lance do exagero no final, acho que tenho ficado um pouco mais imune a catarses ultimamente, e quando vejo uma explosão de choros e gritos em animes ou filmes, geralmente sou acometido pela mais pura indiferença. :) Gosto mais de obras que conseguem gerar este mesmo tipo de emoção sem apelar para choradeira ou gritaria. Se você assistir a "Kino no Tabi" ou qualquer anime da série "Seikai (Monshou ou Senki)", vai entender o que estou dizendo. Nestas séries não há nada de gritaria ou choradeira, mas o impacto emocional é tão forte que é difícil não chorar... e não digo apenas lágrimas furtivas, mas um choro copioso mesmo. :D

      Um grande abraço!

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