terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Big O (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 10/05/2003.

Alternativos: The Big O
Ano: 1999
Diretor: Kazuyoshi Katayama
Estúdio: Sunrise / Bandai Visual
País: Japão
Episódios: 13
Duração: 25 min
Gênero: Sci-Fi / Mecha / Aventura



Mais um tiro certeiro da tradicional parceria Sunrise/Bandai Visual, Big O é uma produção de 13 episódios, exibida inicialmente na TV japonesa em 1999. Antes da análise crítica, vale a pena citar uma curiosidade interessante sobre esta série. Apesar do sucesso desfrutado no Japão, Big O era um anime praticamente desconhecido no Ocidente. Quis o destino que ele fosse um dos títulos escolhidos para exibição no Cartoon Network americano, dentro do famoso Toonami. A partir de então, Big O se tornou uma sensação absoluta entre os fãs de animes dentro dos Estados Unidos, gerando uma idolatria quase tão forte quanto a encontrada entre fanáticos por Evangelion ou Dragon Ball Z.

Fica a pergunta no ar: será que Big O merece todo este "auê"? Talvez o culto em torno desta série tenha passado um pouco da conta, mas não dá para negar que este anime é realmente muito bom e merece todo o sucesso desfrutado.

Paradigm City, também conhecida como Amnesia, é uma cidade sem memória. Um misterioso evento que quase aniquilou a cidade fez com que sua população se esquecesse completamente dos fatos ocorridos antes do mesmo: recém-casados não reconheciam seus parceiros, pais não se lembravam dos filhos, conhecimentos científicos foram perdidos... um verdadeiro caos! A história da cidade e seus habitantes começou do zero, a partir de então, juntamente com a ascensão vertiginosa da poderosa Corporação Paradigm, considerada "Deus e Governo" para os habitantes de Paradigm City.

É neste cenário que encontramos Roger Smith, um cara "boa-pinta" que trabalha como negociador... em outras palavras, ele atua como intermediador de confiança em negociações delicadas, tais como pagamentos de seqüestros. Roger é o mais conceituado negociador de Paradigm City, e seus honorários elevados permitem que ele desfrute de um excelente padrão de vida. Apesar do dinheiro e da posição de "status" que desfruta em Paradigm City, Roger é uma pessoa honrada e de firmes princípios, que não aceita casos apenas pelo dinheiro.

Durante uma complicada negociação para a libertação de uma garota seqüestrada, Roger conhece Dorothy, uma garota com características muito peculiares e com uma mente extremamente lógica. O desenrolar dos acontecimentos acaba fazendo com que Roger vire uma espécie de tutor e patrão de Dorothy, mesmo sabendo que a garota com "cara de porta" consegue transformar sua vida num inferno, sem o menor esforço. ^_^ Ao lado do fiel mordomo Norman, eles formam um grupo afinado, com a secreta e importante missão de controlar um gigantesco e quase indestrutível robô, uma espécie de "salvador da pátria" indesejado em Paradigm City. O nome deste robô é Megadeus, ou simplesmente Big O. As razões por trás da capacidade de Roger em controlar o gigantesco Megadeus, assim como os motivos que levam outros robôs "Megadeus" a atacar Paradigm City, vão sendo desvendados aos poucos, ao longo da história. E o que significaria, afinal, a mensagem que sempre aparece no visor de Big O: "Criados em nome de Deus, não sois culpados"...

Apesar de parecer um anime simplista, Big O possui uma trama bastante complexa. Não se poderia esperar outra coisa vinda da cabeça de Chiaki Konaka, responsável pela viajante trama de Serial Experiments Lain. Chiaki Konaka criou uma história cativante, repleta de memoráveis cenas de ação mas com questionamentos muito interessantes, tocando de maneira velada em pontos delicados como:

- Preconceito (Big O, apesar de salvar a cidade em várias ocasiões, é odiado pela polícia);

- Exclusão Social (habitantes pobres, vivem isolados, fora das cúpulas que envolvem Paradigm City);

- Totalitarismo (domínio total e quase opressivo por parte da Corporação Paradigm).


Isto não quer dizer que Big O seja um anime chato ou extremamente político... muito pelo contrário! Big O possui um certo clima dos bons e velhos longa-metragens de Godzilla, com monstros gigantescos, muita destruição e batalhas de tirar o fôlego. A diferença é que, no meio de toda esta pancadaria, existe uma história cativante. Os "flashes" do passado que pipocam na mente dos habitantes, o mistério existente por trás da existência do Megadeus, a razão pela qual os habitantes morrem de medo de entrar nos túneis do metrô... tudo isto vai se juntando aos poucos, e deixa o espectador ansioso para saber como terminará a história. Big O tem muitas características semelhantes a Cowboy Bebop, como a mistura entre humor sutil e drama, e episódios com histórias que se fecham, mas suas características únicas evitam que ele se torne apenas uma imitação barata.

Nos aspectos técnicos, Big O é fantástico! A associação com "Batman" é imediata, por várias razões... a trilha sonora parece ter sido transportada diretamente dos longa-metragens de Tim Burton, os cenários tem a cara de Gotham City, e o desenho de personagens e estilo de animação é simplesmente idêntico ao utilizado na série "Batman: the Animated Series", da Warner. Não é mera coincidência, já que o estúdio responsável pela animação de ambos é o mesmo! ^_^ Com monstros e robôs incríveis, batalhas memoráveis, cenários grandiosos e animação extremamente fluida, Big O é visualmente impecável... Ah! A música de abertura é MUITO parecida com "Flash", do Queen. Sério! Ouçam e tirem suas próprias conclusões! ^_^

Quanto aos personagens, que maravilha! Desde Berserk ou Cowboy Bebop que não temos a oportunidade de conhecer um grupo de personagens tão bacanas e com tamanha sintonia! Roger Smith é um "boy" completo, tarado por mulheres jovens e bonitas mas que não brinca em serviço, na hora de controlar Big O. Dorothy, apesar de ser lógica, sem expressão facial e de possuir movimentos sem um pingo de sensualidade, é uma personagem cativante, e possui uma química perfeita com Roger. Norman, o mordomo, é uma figura impagável! Com um visual semelhante ao de Alfred, mordomo de Bruce Wayne (Batman), Norman se difere por seu senso de humor peculiar, além de não ser uma figura meramente decorativa. Se o bicho pega, ele entra em ação sem medo! E temos ainda Dan Dastun, Chefe de Polícia e ex-companheiro de trabalho de Roger Smith, que não gosta muito de Big O mas precisa engolir alguns sapos, cada vez que o robozão salva a cidade. ^_^ Para completar, nada melhor que um vilão assustador... no caso, Michael Seibach, um cara com o corpo envolto por ataduras e que parece saber muito sobre o passado de Paradigm City e seus habitantes.

Fora algumas situações exageradas ou incoerentes (exemplo: como Roger consegue carregar, sozinho, um andróide que pesa mais de uma tonelada?), Big O possui apenas uma grave falha: possui um final completamente em aberto, justamente quando a coisa esquenta para valer. A boa notícia? Embaladas pelo sucesso de Big O no Japão e, principalmente, pelo estouro da série nos Estados Unidos, a Sunrise e a Bandai Visual lançaram, em 2002/2003, a série Big O 2 (ou Big O Roger), que continua exatamente no ponto em que a primeira série acaba. Para refrescar a memória dos fãs, Big O foi exibido novamente na TV japonesa, com Big O 2 entrando em seguida, como se fossem parte de uma mesma temporada.



Big O foi uma das gratas surpresas lançadas no final dos anos 90. Se atingirá no Brasil o sucesso que conseguiu nos Estados Unidos, só o tempo dirá, mas seria muito bom que mais pessoas em nosso país conhecessem esta excelente série. Nas palavras do próprio Roger Smith: "Big O! Showtime!". ^__^


Marcelo Reis


 

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