terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Boys Be... (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 10/03/2003.

Ano: 2000
Diretor: Masami Shimoda
Estúdio: HAL Film Maker
País: Japão
Episódios: 13
Duração: 24 min
Gênero: Comédia / Drama / Romance


Shoujo e Shonen são dois dos mais conhecidos termos ligados ao mundo dos animes. Títulos classificados como Shoujo ("garota") são geralmente voltados ao público feminino mais jovem, contendo temas mais românticos e delicados, personagens alegres e coloridos, pouca ou nenhuma violência ao longo da história, e muito humor. Animes Shonen ("garoto"), por serem direcionados ao público masculino jovem, são basicamente histórias de ação e luta, geralmente com um bocado de fan-service e um personagem principal deslocado do ambiente em que vive e que, por alguma razão, acaba descobrindo que é uma pessoa especial fadada a salvar o mundo! ^_^

Em termos práticos, é muito difícil classificar um anime como sendo puramente Shoujo ou Shonen... Shoujos podem ter muitas cenas de luta e personagens heróicas, assim como Shonens podem ser bem românticos. Boys Be é um anime que se encaixa como uma luva nesta definição: apesar de ser voltado para o público masculino, Boys Be é talvez o Shonen mais romântico já criado. O "pulo-do-gato" utilizado pela HAL Filmmark, produtora da série, foi mostrar a visão masculina perante o romance e o namoro durante a adolescência, fugindo do padrão que sempre utiliza o ponto de vista feminino como referência.

A história de Boys Be gira em torno de Kyoichi Kanzaki e Nitta Chiharu, amigos do peito desde a infância. Kyoichi é mais voltado às atividades artísticas, como pintura e escultura, enquanto Nitta é uma das mais promissoras atletas da escola em que estudam. Apesar das diferenças no estilo de vida de cada um, a afinidade entre Nitta e Kyoichi aumenta a cada ano que passa... novos sentimentos começam a surgir, mas a dificuldade em aceitar o que é óbvio acaba causando muitos desencontros.



Kyoichi e Nitta não estão sozinhos nesta difícil caminhada dos adolescentes rumo ao mundo adulto. Makoto Kurumizawa é um taradão completo, que adora tirar um sarro da cara dos outros, além de ser o fofoqueiro-mor da escola. Kenjo-san é o amigo fortão que completa o trio masculino: boa gente, um craque no "baseball", Kenjo é meio lerdo para captar as coisas... apesar disto, é disparado o mais racional e lógico dos três. Do lado feminino, a bela e animada Aki Mizutani faz companhia a Nitta, juntamente com Yumi, uma peça rara com um senso de humor peculiar e que usa óculos gigantescos! ^_^

Boys Be associa o doloroso processo de amadurecimento durante a adolescência à passagem das estações: mesmo que as coisas comecem a desandar (Outono) e fiquem péssimas de vez (Inverno), sempre há uma oportunidade para um recomeço (Primavera)... as atitudes e decisões das pessoas é que podem levá-las a um final feliz (Verão) ou não.

Apesar de ter um bocado de "fan-service", Boys Be não é apelativo. Evitando o uso de clichês e situações piegas, Boys Be demonstra muito bem os fatos positivos e negativos pelos quais passamos durante a adolescência. Embalado por uma trilha sonora que emociona (destaque para as canções "Daijoubu" e "Minna Ga Ii Ne", cantadas por Aki Maeda) e com um núcleo de personagens muito bem trabalhados, Boys Be peca apenas pela inconsistência na parte visual. Se a animação dá conta do recado, não dá para evitar um certo incômodo com as mudanças gritantes nos traços dos personagens em alguns episódios. Para compensar, vale a pena dizer que o final de Boys Be é excepcional, fechando a história desta grande série com chave de ouro!




Infelizmente, Boys Be não teve o reconhecimento que merecia. É uma série emocionante, não só para aqueles que estão na adolescência, em função da identificação imediata com as situações apresentadas, mas, também, para os adultos, que acabam se lembrando com clareza desta fase tão importante na formação da personalidade de qualquer ser humano.


Marcelo Reis


 

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