terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Cat Soup (OVA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 30/03/2005.

Alternativos: Nekojirou Soup
Ano: 2001
Diretor: Tatsuo Sato
Estúdio: J.C. Staff
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 35 min
Gênero: Comédia / Adulto



Mas que viagem!!! Mesmo após ler comentários em outros sites sobre esta pequena jóia de 35 minutos, dizendo que Cat Soup era "LSD puro", "uma viagem ao mundo bizarro" ou "surrealismo em doses pra lá de generosas", não imaginava que as loucuras contidas neste OVA pudessem transformar FLCL em um anime normal. Tudo isto se torna mais incrível se levarmos em conta que Cat Soup foi dirigido por Tatsuo Sato, responsável por obras mais tradicionais como Martian Sucessor Nadesico e Stellvia of the Universe. É claro que Nadesico possui situações surreais como a Marcha dos Aestivalis, mas isto não se compara, nem de longe, às pirações contidas neste excelente anime.

Contar muito sobre a história ou as situações bizarras seria sacanagem, pois tiraria grande parte do prazer de se assistir a Cat Soup, por isto serei breve na descrição do enredo. Um gatinho branco, com olhos enormes e pupilas negras gigantescas, vive com a mãe (uma dona-de-casa comum), o pai (sempre bêbado e barbado) e a irmã. Enquanto brinca com um carrinho na banheira de sua casa, o gatinho escorrega, cai de cara na água e começa a se afogar.

Enquanto isto, sua irmã está deitada em um colchão, à beira da morte. Enquanto luta para escapar do afogamento, o espírito do gatinho vê ninguém menos do que a Morte gulosa (ou algo parecido, hehehe) buscando a alma de sua irmã para levá-la ao "outro lado". Ele consegue resgatá-la dos braços da Morte e trazê-la de volta ao mundo dos vivos. O problema é que a Morte faz um tipo de lavagem cerebral na pobre gatinha, deixando-a em estado semi-zumbi, com o olhar morto e completamente alienada em relação ao que acontece à sua volta. O gatinho toma consciência de que precisará fazer uma perigosa busca por uma flor laranja, a única coisa capaz de trazer sua irmã de volta ao normal.

"Tá bom, viu, seu Marcelo... grande história, esta!!!"


Tá bom, seu leitor impaciente, calma que já vou explicar o porquê deste anime ser tão bom, mesmo com um enredo aparentemente tão raso. Como eu disse no início, Cat Soup, em menos de 35 minutos, consegue colocar as loucuras de FLCL no chinelo. Para começar, não existe nenhum diálogo falado neste anime. Os gatinhos conversam entre si apenas através de barulhos fininhos, como se fossem miadinhos esmagados. Às vezes aparecem alguns balões na tela com textos simples e curtinhos em japonês mas, no geral, toda a história é passada através das imagens e das situações surreais.

E que situações!! Mais uma vez o pessoal da J.C. Staff mostra que, em termos de viagens visuais, não tem para ninguém (ou melhor, para quase ninguém, já que a Production IG também é majestade neste campo). Quem assistiu à série de TV e ao longa-metragem de "Utena" sabe muito bem do que estou falando: LSD visual é a com J.C. Staff!

Não contarei muita coisa para não estragar as surpresas, mas um anime em que o personagem principal é um gatinho bonitinho com ações psicopatas definitivamente não pode ser considerado normal. O que dizer de um universo em que elefantes de água nascem da areia, gatinhos dão em árvores ou personagens são fatiados com tesouras na maior naturalidade? Tudo isto embalado por uma trilha sonora muito doida, bem de acordo com a "normalidade" que permeia todo o anime, hehehe.



Eu estaria mentindo se dissesse que todo mundo irá adorar este anime. Assim como Deus brinca com o tempo e a lógica dentro do universo de Cat Soup, o diretor Tatsuo Sato parece ter tido a mesma idéia em relação ao público, brincando com a forma como aceitamos a realidade e dando um verdadeiro nó em nossas mentes. É preciso estar disposto a encarar a viagem lisérgica que é Cat Soup e se preparar para a enorme quantidade de interrogações que entrarão em órbita ao redor de sua cabeça. Se este for o seu caso, não deixe de conhecer este excepcional anime, que infelizmente ainda é pouco conhecido pela maioria das pessoas, uma verdadeira injustiça para com esta pequena preciosidade.


Marcelo Reis


 

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