quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cencoroll (Movie)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 11/03/2011.

Ano: 2009
Diretor: Atsuya Uki
Estúdio: Aniplex
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 30 min
Gênero: Ação / Sci-Fi



Mais um dos "animes feitos por uma só pessoa" que vêm se tornando cada vez mais comuns ultimamente, "Cencoroll" foi o primeiro projeto patrocinado pelo "Anime Innovation Tokyo", uma iniciativa para patrocinar pequenos estúdios e animadores independentes, visando a criação de obras novas e criativas. Baseado no mangá "Amon Game", escrito e ilustrado por Atsuya Uki, "Cencoroll" ganhou projeção após o sucesso estrondoso de seu primeiro trailer, publicado em 2007 no site do "Anime Innovation Tokyo". Atsuya Uki fez praticamente tudo sozinho (direção, roteiro e animação), ficando a trilha sonora eletrônica a cargo de ryu, membro da banda "supercell", enquanto a Aniplex cuidou da produção e distribuição.

Num mundo em que a aparição de monstros é algo tão comum que chega a ser transmitido ao vivo pela TV, temos o protagonista Tetsu Amamiya, um adolescente sempre com pinta de entediado, acompanhado por seu inseparável monstro Cenco. Capaz de se transformar em praticamente tudo o que se possa imaginar, de carros e bicicletas até bichinhos fofinhos, Cenco é uma fonte constante de dor de cabeça para Tetsu, já que sempre aparece um adolescente chato com seu monstro de estimação tentando tomar Cenco à força.

A vida de Tetsu dá uma reviravolta com o surgimento de Shu e Yuki. Shu é um adolescente capaz de controlar dois monstros simultaneamente, se tornando um inimigo mais perigoso que o habitual para Tetsu. E Yuki é uma estudante da mesma escola de Tetsu que, sem querer, testemunha as incríveis capacidades de metamorfose de Cenco. O desenvolvimento de uma constante afeição entre Cenco, Yuki e Tetsu e a ameaça cada vez mais incisiva de Shu e seus monstros desencadeiam eventos cada vez mais destrutivos e insanos.


Começando pelos aspectos negativos, pode-se dizer que o único problema realmente sério de "Cencoroll" é sua curta duração, já que, em função disto, não temos a oportunidade de conhecer mais o seu universo rico e criativo. Lendo alguns textos na internet, vi um comentário muito feliz de uma pessoa dizendo que "Cencoroll" seria um encontro improvável de Pokémon com FLCL, e o legal é que esta mistura estranha funciona muito bem. Cada um interpreta os aspectos subjetivos da obra como preferir, mas pode-se dizer que os monstros representam um extravasamento das tensões e revoltas comuns aos adolescentes, que acabam representando uma ameaça ao mundo palpável e certinho dos adultos e que devem, por isto, ser combatidos.

Tecnicamente, "Cencoroll" é impressionante. Com um desenho de personagens que lembra muito o estilo de Yoshiyuki Sadamoto (Evangelion, .hack//SIGN), "Cencoroll" é beneficiado por uma animação fluida, com tomadas de câmera diferentes e combates muito originais, e cenários bem feitos que, por não serem ultra-realistas, dão um clima muito interessante de "retroanime". Tudo isto a serviço de uma narrativa muito engraçada e piradíssima, mas que não chega a ser chata em momento algum. Os personagens são muito interessantes e com características bem balanceadas, e nem mesmo o vilão descamba para o maniqueísmo puro.

O roteiro não se preocupa em explicar quem são nem de onde vêm os garotos e os monstros. Isto é bom, pois uma explicação ruim poderia estragar a experiência de assistir ao anime. Basta aceitar que os fatos descritos no anime já ocorriam antes e que, a julgar pelo final aberto, continuarão da mesma maneira no futuro. Mas isto nos traz de volta à questão da duração muito curta de "Cencoroll": realmente não havia a necessidade de explicar tudo bem mastigadinho, mas alguns minutinhos a mais poderiam enriquecer sobremaneira a própria história contada na obra.



Falta um certo "tchan" para que "Cencoroll" seja realmente memorável, mas não dá para negar que Atsuya Uki é um talento a ser observado nos próximos anos. Se ele virará um novo Makoto Shinkai, o mais cult entre os animadores independentes, ou um Shuhei Morita, que após "Kakurenbo" conseguiu trabalhar com ninguém menos que Katsuhiro Otomo em "Freedom", só mesmo esperando para ver. Mas torço muito para que isto aconteça, quem sabe ao lado da Gainax, para fazer algum híbrido esquisitão de Gunbuster, Wings of Honneamise e Daicon.


Marcelo Reis


 

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