quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Dead Leaves (OVA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 17/06/2005.

Ano: 2004
Diretor: Hiroyuki Imaishi
Estúdio: Production I.G.
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 52 min
Gênero: Aventura / Comédia / Adulto



Ao pesquisar o nome de alguns animes na internet, cheguei por acaso a este Dead Leaves, sem saber exatamente sobre o que se tratava. Ao ver que a equipe por trás de sua produção era praticamente a mesma responsável pelo insano FLCL, fiquei como uma criança que ganha um brinquedo novo. Incrível é perceber que Dead Leaves, em apenas 52 minutos, foi capaz de elevar toda a piração de FLCL a níveis inimagináveis. Hiroyuki Imaishi, o diretor de animação de FLCL, assumiu a direção-geral de Dead Leaves e deu vazão total a todas as loucuras que vinham à sua mente.

Em uma cidade com visual louquíssimo, de formas distorcidas e cores berrantes, como se fosse o Mundo Bizarro dos Superamigos, somos apresentados ao estranho casal de protagonistas, ambos jogados em um terreno baldio e completamente nus. O cara, um taradão de voz engraçadíssima, possui uma cabeça de TV antiga (!), enquanto a mulher, bem gostosona, tem feições que lembram um urso panda (!!). Por esta razão, ambos passam a se chamar, respectivamente, de Retro e Pandy.

Sem se lembrarem de praticamente nada de seu passado e sem entender a razão pela qual acordaram nus naquele fim de mundo, Retro e Pandy resolvem descobrir o que pode ter ocorrido e, para começar a busca, vão à cidade para arrumar umas roupas e um pouco de comida da maneira mais fácil: roubando.

Após "aliciarem" um carro de um cidadão na base da violência (porrada, mesmo!), Retro e Pandy sofrem uma implacável perseguição por parte de TODA a polícia da cidade. Não custa lembrar que, em se tratando de um anime "FLCL-style", nenhum evento possui o menor traço de normalidade: carros escalam os prédios, as metralhadoras de mão são mais potentes que lança-granadas, nenhuma tomada de câmera é feita por ângulos tradicionais, tudo isto se passando em uma noite cujo céu está emoldurado por milhares de estrelas e... uma lua que parece ter levado uma dentada!! Dead Leaves já começa em ritmo alucinante, e não deixa a peteca cair até o final.


O saldo de toda esta loucura? Retro e Pandy são presos e enviados para a prisão Dead Leaves, localizada na superfície da Lua. Os presos ficam em roupas semelhantes a camisas-de-força, como se fossem lagartas, com apenas um buraquinho para fazerem as "necessidades", e vivem uma rotina massacrante em um local onde a vida de cada ser humano não vale nada. Neste ambiente hostil, Retro e Pandy começam a se lembrar vagamente de uma história do passado, provavelmente escrita em um livro infantil. Esta história fala de lagartas que vivem olhando para cima, observando folhas de árvores. Algumas formigas operárias disseram para as lagartas: "Ei, vocês! Se continuarem olhando sempre para cima, vão ficar com o pescoço doendo. Seus corpos são assim, tão esticados, porque estão sempre olhando para cima. Se esticarem demais, vocês quebrarão. Neste caso, precisaremos costurá-las novamente... e não precisaremos de anestesia...".

Com uma trama simples mas interessante sobre genes mutantes e clones danificados que são tratados como párias da sociedade, Dead Leaves pode ser encarado como algo próximo ao universo de X-Men movido a LSD, sexo e ultra-violência em doses cavalares. Este é, definitivamente, um anime não recomendado a qualquer pessoa, pois as situações mostradas podem realmente chocar aos mais sensíveis. Os personagens peidam e cagam para valer, tem desejos sexuais, transam, morrem de forma superviolenta, com direito a vísceras e miolos espalhados pela tela. Basta dizer que, entre os personagens, existe um que possui um pênis em forma de broca (!), enquanto outro possui testículos na testa (!!) que gozam sem parar (!!!).

Tecnicamente, Dead Leaves é irrepreensível. Usando poucas cores chapadas na tela, este anime passa a impressão de ser um "comic" animado, com direito a onomatopéias, telas que se dividem para mostrar as cenas de múltiplos ângulos e tudo o mais. Com a fenomenal Production I.G. por trás da animação, não é difícil imaginar como tudo isto é mostrado de maneira pra lá de original. A trilha sonora também não fica atrás, com temas instrumentais eletrônicos tão alucinados quanto as imagens, incluindo uma versão malucaça de "O Barbeiro de Sevilha", de Rossini. Para completar, a excelente dublagem ajuda muito, com destaque para o insano trabalho de Kappei Yamaguchi, "seiyuu" de Inuyasha e Usopp (One Piece), cuja voz esganiçada e acelerada caiu como uma luva para a personalidade bombástica de Retro.

Como curiosidade, Dead Leaves não é uma produção 100% japonesa. Na realidade, é um trabalho de encomenda feito pela americana Manga Entertainment junto à Production I.G. e IMAITOONZ. Levando-se em conta a costumeira aversão dos americanos por temas e imagens polêmicos, é de se admirar a coragem da Manga Entertainment em apostar e investir em um anime tão "hardcore".



Contando uma história sobre intolerância, vingança e realização de sonhos de uma forma... hmmm... nada ortodoxa, Dead Leaves é um anime altamente recomendado, mas que deve ser assistido com cautela. Quem leu a "review" até aqui já percebeu que sutilezas passam longe desta obra. Mas a viagem compensa, e muito!


Marcelo Reis


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