quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Eat-Man (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 05/07/2004.

Alternativos: Eatman
Ano: 1997
Diretor: Koichi Mashimo
Estúdio: Studio DEEN
País: Japão
Episódios: 12
Duração: 24 min
Gênero: Aventura / Sci-Fi / Shounen



Bizarra série de 12 episódios produzida em 1997 pela Bandai, "Eatman" é um anime baseado no bem-sucedido mangá homônimo escrito por Akihito Yoshitomi. Vocês devem estar se perguntando qual a razão da palavra "bizarra", escrita no início do texto. É difícil pensar em outra classificação quando o personagem principal da série é um mercenário caladão que come revólveres, rifles e bebe gasolina com um prazer tão contagiante, que ficamos a imaginar se tais "iguarias" não estariam entre as coisas mais deliciosas do mundo! Para completar, o nosso amigo de poucas palavras é capaz de materializar as tais armas novamente, usando o poder de sua luva misteriosa.

Restringir "Eatman" e seu protagonista ao universo do bizarro seria uma tremenda injustiça com este anime tão interessante. Verdade seja dita, "Eatman" é uma série bem limitada nos aspectos técnicos, e a todo momento temos a impressão de ouvir as imagens gritarem "O dinheiro está acabando!! O dinheiro está acabando!!". Se levarmos em conta que o sempre eficiente Studio Deen (Full Moon o Sagashite, Ninja Resurrection, Fruits Basket) foi o responsável pela animação da série, a decepção aumenta ainda mais. "Eat-man" marcou, ainda, a estréia no mundo dos animes da hoje cultuada Yuki Kajiura, compositora responsável pelas trilhas de "Noir" e ".hack//SIGN". A trilha sonora de "Eatman" está longe da excelência das obras citadas, mas a mistura de rock e sons eletrônicos realizada por Yuki Kajiura já dava mostras do que ela poderia realizar no futuro, com um pouco mais de experiência. O desenho de personagens, apesar de interessante, é completamente diferente do traço original criado por Akihito Yoshitomi no mangá, o que causou uma certa estranheza nos fãs da obra escrita. Este problema foi resolvido em "Eatman ´98", série que dá seqüência ao anime.


Detalhes técnicos à parte, vamos à história. Em um mundo aparentemente devastado, mercenários não são bem vistos pela população, sendo considerados meros aproveitadores da desgraça alheia. Nosso amigo Bolt Crank, o supracitado mercenário "comedor de armas", parece não se importar nem um pouco com a opinião pública a respeito de sua ocupação. Com uma aparência de quem está constantemente dopado, avesso a conversas desnecessárias e com atitudes que passam longe dos princípios éticos aos quais estamos acostumados, Bolt parece ser, à primeira vista, um troglodita descerebrado que se importa apenas com o próprio umbigo. Mas quando vemos o seu olhar de esguelha por trás de seus transados óculos vermelhos, percebemos que aquela fachada turrona e idiota esconde a personalidade de alguém que parece saber muito mais do que aparenta. O surgimento de sub-tramas envolvendo experiências genéticas e armas biológicas colocam mais lenha na fogueira, levantando mais e mais dúvidas sobre a existência de Bolt Crank. Por que ele é tão estranho e diferente? Como pode ser possível uma pessoa comer metais sem morrer? Seria ele um homem? Uma máquina? Um mutante? E que relação poderia ter a sua existência com a nave Lavion, cujos destroços flutuam há anos no céu, sem razão aparente?

"Eatman" é uma série com um enredo instigante, que vai se tornando mais complexo com o tempo. Sua temática é bem adulta, tocando em assuntos relacionados a sexo e violência de uma maneira bem ousada para uma série de TV. Até mesmo as tiradas humorísticas são um pouco mais pesadas que o normal. Mas séries com estas características têm se tornado cada vez mais comuns, e apenas isto não seria suficiente para recomendar entusiasticamente este anime. O grande diferencial de "Eatman" atende pelo nome de Bolt Crank. É incrível ver como alguém que tinha tudo para ser insuportável e antipático se tornou um dos mais interessantes personagens do mundo dos animes. Dono de um senso de justiça estranhíssimo, Bolt viaja de cidade em cidade realizando seus serviços, observando os fatos como quem não quer nada mas dando conta do recado com folga na hora em que é chamado à luta. Ele possui, ainda, a incrível capacidade de dar sorrisos absolutamente idiotas nas situações mais improváveis. Bolt é, sem dúvida, um cara "cool"!

As deficiências técnicas evidentes não seriam razão para críticas pesadas a este anime, mas as graves deficiências narrativas são imperdoáveis. No geral, o ritmo da série é bem irregular, com algumas seqüências tão estagnadas que chegam a dar sono, o que acaba prejudicando o envolvimento do espectador com a trama. Mas o cúmulo ocorre em um determinado episódio, que começa com uma insuportável seqüência mostrando apenas a silhueta de uma criança correndo em um fundo branco POR DOIS MINUTOS! Ao longo deste mesmo episódio, ocorrem longas seqüências com uma interminável alternância de closes silenciosos. Para fechar com chave de ouro, temos a mesma seqüência inicial: mais dois minutos de agonia e sofrimento!



"Eatman" talvez tenha sido o anime mais difícil para ser analisado, pois possui momentos brilhantes mesclados com situações absolutamente embaraçosas. No conjunto, é um anime que merece ser conhecido pela história interessante e bizarra e, principalmente, por seu carismático protagonista, Bolt Crank. Quanto aos graves defeitos, sempre existe a opção "Fast-Forward" para quebrar o galho dos mais impacientes.


Marcelo Reis


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