quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ebichu (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 24/09/2005.

Alternativos: Oruchuban Ebichu, Ebichu Minds the House, Ebichu the Housekeeping Hamster
Ano: 1999
Diretor: Makoto Moriwaki
Estúdio: Gainax
País: Japão
Episódios: 24
Duração: 9 min
Gênero: Comédia / Romance / Adulto


Possuidora de um número equivalente de fãs e detratores, a Gainax é provavelmente o mais controverso estúdio de animação do Japão, e Oruchuban Ebichu é um perfeito exemplo para justificar estas reações de amor e ódio perante suas obras. Baseado no mangá original de Risa Itou, Oruchuban Ebichu passou por um verdadeiro calvário antes de se tornar um anime, pois praticamente todos os estúdios de animação japoneses recusaram a oferta de produzir uma obra com aparência infantil mas com imagens e diálogos pesadíssimos sobre sexo do início ao fim. A única produtora que aceitou o risco de produzir o anime sem concessões e sem cortes, logicamente, foi a Gainax.

Produzido em 1999 e exibido na Directv Japan, Oruchuban Ebichu é uma série curtinha, com 24 episódios de 8 minutos cada, e foi originalmente exibida dentro de um programa chamado "Anime Ai no Awa Awa Hour", junto a outros dois animes. O linguajar e o visual utilizado na série é tão forte que só permitiram a exibição do mesmo na TV japonesa após vários cortes drásticos, e apenas após o lançamento do anime em DVD é que se tornou possível assistir a todos os episódios na íntegra.

A história básica é até bem simples. Ebichu é uma hamsterzinha de voz estridente que trabalha como empregada (!) para uma mulher que, apesar de ter atingido a independência financeira trabalhando como secretária, possui um terrível problema em sua vida: ainda não conseguiu um marido, mesmo tendo atingido a perigosa idade de 25 anos, considerada o limite máximo para as mulheres japonesas que ainda querem se casar. Esta mulher, chamada de "Mestra" por Ebichu, possui um namorado tarado e imprestável que se interessa apenas por sexo e não quer nem saber de compromisso. Não por acaso, Ebichu lhe deu o significativo apelido "Kaishounashi", que significa imprestável.

Ebichu faz de tudo para a agradar a sua dona, mas só o que recebe em troca é muita, mas muita pancada na cabeça. Falou bobagem? Porrada! Estragou a roupa? Porrada! Comeu o sorvete ou o queijo camembert sem pedir permissão? Tome porrada! Atrapalhou o momento sublime em que a Mestra e Kaishounashi trocam fluidos corporais, o que, diga-se de passagem, acontece o tempo todo? Porrada dos dois!! E assim segue a vida deste estranho trio, o qual conta com algumas visitas inesperadas de Maa-kun, amigo do casal que acaba se apaixonando perdidamente por Ebichu (!!) e não consegue parar de ter sonhos eróticos (!!!) com a hamsterzinha.


Mesmo sendo de uma simplicidade absurda em todos os aspectos na parte técnica (arte, desenho de personagens, trilha sonora, etc), a animação de Oruchuban Ebichu não decepciona e dá conta do recado sem problema algum. Mas se a parte técnica não é desculpa para afastar o público deste anime, o mesmo não pode ser dito do enredo. Mesmo sem ser visualmente explícito como um "hentai", Oruchuban Ebichu é uma obra na qual não existem limites na hora em que o assunto é sexo. Os diálogos são pesadíssimos, as situações mostradas são cartunescas mas nada sutis, e quem não está acostumado com este tipo de conversa certamente ficará meio assustado ou chocado.

Se não for este o seu caso, é um anime que vale a pena conhecer. Oruchuban Ebichu é hilariante em vários momentos, especialmente naqueles em que o taradão Maa-kun aparece, ou quando Ebichu deixa a "Mestra" sem lugar com as suas incríveis gafes e, ainda, quando a hamsterzinha se transforma em "Ebichuman"! O perfeito trabalho dos "seiyuus" ajuda muito. Ebichu é dublada pela insana Kotono Mitsuishi (Misato Katsuragi em "Evangelion", Excel em "Excel Saga"), usando um jeitinho todo infantil de falar ("dechu", "irachaimache", "goshujinchama") e com aqueles famosos gritinhos esganiçados que arrebentam os tímpanos de qualquer um. A "Mestra" sacana conta com o talento de Michie Tomizawa, famosa por dublar a lerdinha C-Ko Kotobuki em "Project A-KO" e Sailor Mars em "Sailor Moon". Do lado masculino, o hilário Maa-kun fica ainda mais engraçado com a inspiradíssima dublagem de Mitsuo Iwata. Quem se lembra das personalidades de Itsuki (Initial D) e Kintaro Oe (Golden Boy) já sabe do que este talentoso "seiyuu" é capaz. E o tarado "Kaishounashi" possui a voz do não menos cultuado Tomokazu Seki, capaz de convencer na dublagem de personagens tão diferentes quanto Kyo Souma (Fruits Basket) e Shuichi Shindou (Gravitation). Em relação à dublagem, Ebichu é nota 10!

O problema é que, com o tempo, este anime acaba se tornando uma obra de uma piada só, e o que fazia rir no início começa a perder a graça, pois é apenas a repetição de algo que já apareceu várias vezes nos demais episódios. As brigas da Mestra com Kaishounashi, as desculpas esfarrapadas do mesmo para justificar suas traições, as pancadas em Ebichu, a gritaria sem fim da hamsterzinha, tudo começa a ficar meio maçante e monótono a partir de certo ponto.




Este é um anime que deve ser assistido com extremo cuidado. Não dá para ver com toda a família imaginando que sua filhinha vá gostar deste anime com uma hamster tão bonitinha e com uma vozinha tão doce! Oruchuban Ebichu é um anime com visual infantil, humor insano, mas com um tema central 100% adulto e definitivamente proibido para menores. Poderia ter sido muito melhor com piadas menos repetitivas, mas não pode ser considerado um anime dispensável, muito pelo contrário. Só os momentos "Ebichuman" já valem pela série inteira!


Marcelo Reis


 

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