quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Gene Shaft (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 30/09/2002.

Alternativos: Geneshaft
Ano: 2001
Diretor: Kazuki Akane
Estúdio: Studio Gazelle
País: Japão
Episódios: 13
Duração: 23 min
Gênero: Aventura / Mecha / Sci-Fi



No século 23, seres humanos geneticamente modificados são a regra. Aperfeiçoados para exercer com eficiência as suas funções, os humanos são identificados por cores, de acordo com a natureza de seu genoma. Mesmo antes de nascer, as pessoas já tem o seu futuro inteiramente programado, e a qualidade de seus genes tem um peso maior que o seu caráter. Até mesmo a morte, ou o "fim do ciclo da vida", tem data marcada. As mulheres são maioria absoluta, pois é provado que os homens possuem uma falha no controle das emoções violentas: com as mulheres em maior número, torna-se mais fácil manter os homens na linha. As "registradoras", em especial, são mulheres sem emoção com a única função de monitorar e registrar com detalhes as ações dos homens.

Mika Seido, ao contrário da maioria dos seres humanos, possui um genoma "branco". Em outras palavras, é uma garota gerada naturalmente, sem modificações genéticas. Mesmo sendo vítima de preconceito por grande parte das pessoas, Mika está determinada a descobrir a razão pela qual sua mãe, uma das mais conceituadas especialistas em genética da Terra, preferiu gerá-la de maneira natural. Haveria ainda um lugar na sociedade para uma pessoa portadora do genoma "branco"? O surgimento do enigmático e gigantesco "Anel" e a primeira missão da poderosa nave "Shaft" são os primeiros degraus da árdua caminhada de Mika Seido em busca de respostas.


Gene Shaft é uma interessante série criada pela Bandai Visual, cuja história suga referências de várias obras artísticas. As mais óbvias são "Admirável Mundo Novo" e "Gattaca" (aspectos genéticos), mas também é possível notar traços vísiveis de "Vandread" e "Megami Kouhosei". Se a história em si não é exatamente original, o enfoque dado à narrativa é bastante atraente. Mesmo com algumas partes mais bem humoradas, Gene Shaft possui um tom bem mais sóbrio que a grande maioria dos animes recentes.

Os personagens de Gene Shaft são bacanas, apesar de estereotipados. Mika Seido é a protagonista revoltada e voluntariosa, sua amiga grandona Sofia Galgalin adora pôr panos quentes nas brigas, Tiki Musicanova é a garotinha infantilóide e careteira, e Mir Lotus é a bela loira gostosona que possui o melhor DNA do Universo e se acha insuperável. Além destas personagens, existem ainda a submissa Remmy Levistrauss ("capacho" de Mir Lotus), o frio capitão Hiroto Amagiwa, a registradora Beatrice Ratio, a insuportável programadora Dolce Saitoh, o chefão Lord Sneak (Sergei) e o sub-capitão Mário Musicanova, irmão de Tiki... disparado, o melhor personagem de toda a série.

Apesar de perder o ritmo em algumas partes (soluções idiotas para problemas sérios, papos enjoados como "sou a melhor" ou "você quer me ver morta", etc.), Gene Shaft possui muito mais qualidades do que defeitos. A animação é de cair o queixo, e a mistura de elementos 2D e 3D foi feita de maneira muito eficiente. A trilha sonora é fantástica, só deixando de ser perfeita em função da péssima música de encerramento. Algumas piadas são ótimas (o sistema cheio de "bugs" da nave Shaft é impagável!), e a história apresenta algumas reviravoltas interessantes, engrenando bastante a partir da metade da série. É bom ficar preparado pois em Gene Shaft os personagens morrem de verdade, mesmo quando desempenham um papel importante na trama.



Gene Shaft é uma ótima série de 13 episódios, repleta de batalhas espaciais, situações dramáticas e questionamentos filosóficos. Faltou um certo temperinho para deixá-la no mesmo nível de grandes obras como Crest of the Stars ou Argent Soma, mas nada muito sério. É um anime muito interessante, que merece uma conferida.


Marcelo Reis


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário