quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Here Is Greenwood (OVA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 20/01/2006.

Alternativos: Koko Wa Greenwood
Ano: 1991
Diretor: Tomomi Mochizuki
Estúdio: Studio Pierrot
País: Japão
Episódios: 6
Duração: 30 min
Gênero: Comédia / Drama / Slice of Life


Apesar de ser um gênero naturalmente repleto de clichês, a comédia romântica continua a ser objeto de interesse por parte do grande público. Basta citar o sucesso constante das novelas, as quais basicamente reciclam os mesmos temas há anos, sem que isto resulte em grandes quedas na audiência. No fundo, as pessoas em geral gostam de ver obras que tratam basicamente de relacionamentos humanos, nos quais sentimentos como amor, inveja, ciúmes, egoísmo e tantos outros se tornam a mola propulsora de todos os eventos que se desenrolam ao longo da trama.

Nos animes a coisa não é muito diferente, especialmente em obras românticas ambientadas em escolas e destinadas ao público feminino. Apesar de usar uma abordagem geralmente mais bem humorada que as nossas novelas, os animes deste estilo também giram basicamente em torno de relacionamentos interpessoais complicados, nos quais a ausência de comunicação complica situações teoricamente simples de serem resolvidas. No caso de animes com protagonistas jovens, existe ainda a questão da dificuldade de amadurecer, da passagem para a vida adulta, com todas as responsabilidades que chegam com a idade, além da descoberta do amor e do sexo.

Toda esta conversa mole tem apenas um intuito: mostrar que, mesmo em um gênero tão saturado, ainda é possível encontrar obras que, se não primam pela originalidade, conseguem passar o recado de uma forma tão agradável que temos a sensação de estarmos assistindo a algo novo e diferente, o que não é o caso. Here is Greenwood, produção de 1991/1992 da Victor Entertainment, Hakusensha e Pierrot Project, é um bom exemplo. Mesmo sem a força de um Kare Kano ou de um Koi Kaze, Here is Greenwood é suficientemente interessante para se destacar da mediocridade tão comum a outros animes do gênero.

Tudo começa no mês de maio, com a chegada de Kazuya Hasukawa ao Dormitório Greenwood da Academia Ryokuto. Órfão de pai e mãe, Kazuya resolve se mudar para o dormitório porque o único membro remanescente de sua família, seu irmão Kazuhiro, acaba de se casar. Para não atrapalhar a vida dos recém-casados, Kazuya resolve sair, mas existe um motivo adicional para sua decisão: a esposa do irmão, Sumire, foi a primeira mulher por quem se apaixonou. Viver debaixo do mesmo teto que ela, ainda mais sabendo que está casada com o irmão, é algo que não dá para agüentar.

Kazuya pode ser considerado o cara mais azarado do mundo. Além do episódio com o irmão, em um curto espaço de tempo ele conseguiu ser quase atropelado, pêgo de surpresa em uma nevasca, teve sérios atrasos com o correio e ainda precisou ir para o hospital. O pobre Kazuya mal sabia que mais surpresas o aguardavam: recepcionado por Shinobu Tezuka, presidente do Conselho Estudantil, e Mitsuru Ikeda, presidente do dormitório, os quais o auxiliarão com os estudos, já que está atrasado em relação aos demais estudantes, Kazuya fica sabendo que precisará dividir o quarto com Shun Kisaragi... uma garota!


Como? Shun entrou na escola como se fosse menino, já que sempre foi criada desta forma. Por esta razão, terá que se passar por homem durante todo o curso para poder se graduar, e o pobre Kazuya, por tabela, terá que manter o segredo. Em um dormitório repleto de estudantes muito bizarros, a começar pelos já citados Shinobu e Mitsuru, donos de um senso de humor no mínimo estranho, Kazuya definitivamente parece ter entrado em uma bela de uma enrascada.

O tema parece batido (mulher vestida de homem, rapaz bonzinho envolvido em um problemão), mas as coisas tomam rumos cada vez mais interessantes neste divertido anime, a começar pela entrada em cena da bela Nagisa, irmã psicopata de Shinobu que não tolera a forma benevolente com que todos tratam o irmão, o qual parece invulnerável a todos os ataques destrutivos desferidos por ela (Ferris Bueller? Hehehe...). Os personagens principais são bastante ambígüos, e é difícil saber quais são as verdadeiras intenções por trás das ações de cada um.

É sempre um grande prazer assistir a um anime com a tradicional qualidade de animação do Studio Pierrot, talvez um dos estúdios que menos utiliza CGI em suas obras. Shichiro Kobayashi, responsável pela excepcional direção de arte de preciosidades como Figure 17 e Berserk, realiza outro trabalho digno de nota, o qual, aliado ao agradável desenho de personagens de Masako Goto (Twin Spica, Glass Mask OVA), dá um aspecto visual bem clássico a este anime. O tema musical principal é muito bom, com uma melodia gostosa que fica na cabeça.

Grande parte dos méritos pela qualidade da obra vai para Tomomitsu Mochizuki (Ocean Waves, Princess Nine, Ranma 1/2), que não apenas roteirizou muito bem o mangá original de Yukie Nasu mas, ainda, conseguiu transformar este roteiro em um ótimo anime, mesmo que, em alguns momentos, a história pareça excessivamente acelerada. Mas este é o preço a se pagar por uma série mais curta: OVAs costumam brilhar nos aspectos técnicos, mas pecam no ritmo narrativo, enquanto séries de TV às vezes decepcionam tecnicamente mas costumam ter histórias mais bem resolvidas, em função do tempo mais longo para desenvolver o enredo.

Alguns detalhes deixam Here in Greenwood acima da média, quando comparado a animes similares. Primeiro, a forma pela qual as dificuldades de relacionamento na adolescência foram abordadas; segundo, a ausência de alívios cômicos exagerados, sempre uma constante em animes do gênero; e terceiro, a amizade genuína e convincente entre os membros do grupo, com direito a gozações e brincadeiras mas, também, a ajuda mútua e muito companheirismo.



A correria na narrativa prejudica um pouco o resultado em alguns momentos. Além disto, uma determinada "paixão" que ocorre ao final é muito exagerada, destoando bastante do tom utilizado ao longo de todo o anime e deixando o desfecho da série bem mais "chôco" do que deveria. Mas toda a jornada anterior, ainda que um pouco corrida, compensa muito.


Marcelo Reis


 

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