quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Key the Metal Idol (OVA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 30/11/2003.

Ano: 1994
Diretor: Hiroaki Sato
Estúdio: Pony Canyon / Studio Pierrot
País: Japão
Episódios: 15
Duração: 25 min
Gênero: Drama / Sci-Fi / Mistério


Tokiko Mima, também conhecida como Key, é considerada um prodígio da tecnologia: poucos poderiam supor que aquela garota miúda, de voz inexpressiva e olhos vazios é, na realidade, um andróide. Key estudava com humanos normais, quando criança, mas sofria um enorme preconceito justamente pelo fato de ser um robô. Key fora criada pelo Professor Mima, um renomado cientista, considerado um gênio na área da robótica e que sonhava em criar robôs com sentimentos humanos. Sua preocupação com este aspecto humanista de suas pesquisas era tamanho que ele criou Key como se fosse sua própria neta, dando-lhe inclusive o seu próprio sobrenome.

Certo dia, Key recebe a visita de Tomoyo Wakagi, discípulo de seu avô, dizendo que o professor havia sofrido um acidente e estava à beira da morte, mas que havia gravado um recado importante para ela. Ao se encontrar com seu falecido criador, Key ouve a fita, e fica sabendo da possibilidade de se tornar humana. Para isto, ela precisa fazer uma amizade verdadeira com 30.000 pessoas que realmente se preocupem com ela, para que a energia das mesmas forneça o poder necessário para transformá-la em humana. Se ela falhar, a bateria que a mantém viva se apagará, e seu ciclo de vida chegará ao fim. Contando com a ajuda de Wakagi, Key se dirige para Tóquio, para tentar realizar sua missão quase impossível.

Key: the Metal Idol é uma série para ser assistida com a cabeça aberta. Acreditem: por mais que a premissa dos 30.000 amigos pareça estúpida, ela é totalmente plausível dentro do conceito proposto. Se conseguirem esquecer um pouco a aparente estupidez da idéia central, terão a oportunidade de conhecer um dos mais impressionantes animes produzidos na década de 90, com uma história fantástica e complexa, que ficará impressa em suas mentes por muito tempo.

Produzido em 1994 pela Pony Canyon, FCC e Fuji TV, Key the Metal Idol é fruto da mente de Hiroaki Sato (diretor de animação em Akira, e roteirista de Fushigi Yuugi Eiyuu Den), responsável não apenas pela criação da história original mas, ainda, pelo roteiro e direção deste anime. Composto por 13 episódios de 25 minutos e 2 OVA´s de 90 minutos, Key conta com um trabalho primoroso de animação tradicional por parte do Studio Pierrot, beneficiado pelo ótimo desenho de personagens de Keiichi Ishikura (diretor de Android Ana Maico 2010) e pela fantástica arte de Yukihiro Shibutani (Sakura Taisen OVA).


Key não é uma série de fácil digestão, em função de seu ritmo lento e da aparente bagunça de seu enredo, cuja mistura de corrida armamentista, busca pela humanidade e seitas religiosas pode causar uma certa confusão na cabeça dos mais desatentos. Aqueles que conseguirem entrar no clima do série serão presenteados com uma história incrível, que mostra o poder de manipulação da mídia, usando bonecos como ídolos. Key the Metal Idol ainda faz críticas fortes ao ceticismo científico e à crueldade da indústria de armamamentos, para a qual a vida humana não vale nada.

No tocante aos aspectos humanos, Key the Metal Idol é beneficiado pelos excelentes personagens. A protagonista, Key, não é exatamente agradável nem cativante, mas talvez esta tenha sido a intenção do autor... seria possível que uma pessoa boa, mas sem graça, pudesse conquistar 30.000 amigos? Sua única amiga de infância é Sakura Kuriyagawa, uma belíssima garota de cabelos negros que possui sentimentos contraditórios em relação a Key. Assim como as outras pessoas, Sakura tem sérias dúvidas sobre a realidade por trás de Key: seria ela realmente um andróide, ou apenas uma louca com imaginação fértil? Apesar disto, Sakura se une ao amigo Shuichi Takaki e a Tomoyo Wakagi para ajudar Key a atingir seu objetivo. O surgimento dos ameaçadores robôs PPOR, controlado pelo assustador Sergei D, vai mostrando a Key e seus amigos uma verdade dura, para a qual eles talvez não estejam preparados.

Com uma história bem fechada, Key peca apenas pelo ritmo ruim. Os episódios iniciais possuem um ritmo lento e mostram pouca coisa sobre a história. Quando chega a hora das explicações, o tempo para isto é curto, e o que poderia ter sido mostrado com calma é demonstrado em longas e chatas conversas. Mas isto não atrapalha o resultado final, de modo algum: a força da história é tamanha que este pequeno deslize é perfeitamente aceitável.




Levantando altas questões filosóficas, Key possui momentos que nos remetem imediatamente a "Blade Runner", obra-prima de Ridley Scott. Apesar das tradicionais soluções simplistas em algumas partes, das eternas coincidências e do excesso de conversa e explicações, Key é uma das mais complexas obras de animação já produzidas para a TV. Recomendado para aqueles que procuram um anime com tema adulto e imagens fortes, sem ser apelativo.


Marcelo Reis


 

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