sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Negadon: The Monster from Mars (Movie)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 25/09/2009.

Alternativos: Wakusei Daikaiju Negadon
Ano: 2007
Diretor: Jun Awazu
Estúdio: Studio Magara
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 30 min
Gênero: Sci-Fi / Mecha



De vez em quando surgem algumas obras do nada e que pegam os espectadores de surpresa, pelos mais variados motivos. Desde um "Hoshi no Koe", com seu visual belíssimo e seu enredo excepcional, até um "Kakurenbo" e seu clima aterrorizante, é sempre muito bom presenciarmos o surgimento de artistas e equipes de talento, que conseguem seu lugar ao sol mesmo agindo de forma independente. E em 2007, surgiu outra animação japonesa com estas mesmas características mas que, infelizmente, acabou sendo mais marcante em função de seu visual do que por qualquer outra coisa: "Wakusei Daikaiju Negadon", ou "Negadon: O Monstro de Marte".

A idéia por trás de "Negadon" é muito boa: realizar uma animação 100% em CGI que homenageasse os "kaiju eiga", filmes de monstros gigantes que começaram a ser produzidos na década de 50, com o excelente "Godzilla" (1954) de Ishiro Honda. Neste aspecto de homenagem, Jun Awazu, a mente criativa por trás de Negadon e responsável pela direção, roteiro e CGI, acertou em cheio. Dos foguetes e cenários em CGI que simulam maquetes até as imagens sujas, granuladas e com zooms estranhos, típicas dos "kaiju eiga", Jun Awazu conseguiu reproduzir todos estes aspectos com perfeição.

Mas antes da análise, vamos ao enredo. Em 2025, ou ano 100 da Era Showa, a população da Terra ultrapassou os 10 bilhões de habitantes. Os recursos naturais do planeta se esgotaram e, por esta razão, os países mais avançados tecnologicamente passaram a remodelar outros planetas à imagem da Terra usando armas atômicas, permitindo assim a migração dos humanos. Durante o transporte de recursos minerais de Marte para a Terra em uma nave espacial, um enorme casulo acaba vindo junto à carga, e o resto... já dá para imaginar.


Enquanto isto, um renomado cientista chamado Dr. Narasaki vive recluso em sua casa e passa os dias fumando e tomando remédios. O Dr. Narasaki é constantemente requisitado pelo Exército japonês, o qual tem grande interesse num robô desenvolvido por ele, que poderia ser muito útil nas atividades de remodelação e, logicamente, como uma poderosa arma. Mas uma tragédia ocorrida em seu laboratório 10 anos antes fez com que o Dr. Narasaki perdesse o gosto pela vida. Preso ao passado, ele não se interessa por nada que seja novo. Mas o surgimento desta nova ameaça ao planeta pode fazer com que o Dr. Narasaki não apenas salve o planeta mas, principalmente, acerte as contas com seu passado.

O aspecto mais marcante em "Negadon" é, de longe, o seu visual impressionante, ainda mais se levarmos em conta que toda a equipe de produção teve apenas oito pessoas (se contarmos os "seiyuus", o número aumenta para 13). A qualidade do CGI não fica nada a dever a filmes como "Capitão Sky e o Reino do Amanhã", por exemplo, com um nível assombroso de detalhes nas texturas e na animação. Algumas coisas beiram o fotorrealismo, e até mesmo o calo nos pés dos animadores 3D, que são os personagens humanos, foram muito bem feitos em Negadon. Há uma cena em especial na qual é possível ver toda a qualidade da animação, quando o Dr. Narasaki aparece em "close" e fumando um cigarro.

Mas quem quer saber de humanos num filme de monstros? Afinal, se as cenas de destruição forem bem feitas, o resto é somente um detalhe, hehehe. Para alegria dos fãs de "kaiju eiga", "Negadon" não decepciona neste quesito e tem de tudo um pouco: explosões atômicas, prédios destruídos, monstros super poderosos e batalhas violentas. O grande problema neste anime, e que acaba afetando muito todas as suas qualidades, é sua curta duração. Com apenas 25 minutos, "Negadon" não tem tempo suficiente para se tornar interessante de verdade. Sua parte inicial, mais lenta, é usada para apresentar os personagens, uma iniciativa louvável mas que, em uma obra tão curta, resulta numa segunda metade corrida e com um final meio brochante.

A história é bem genérica: "apresentação do personagem principal e seu robô; monstro começa a arrebentar tudo; salve-se quem puder; monstro indestrutível; exército inoperante; personagem principal e seu robô chegam para salvar o dia; fim." Ninguém espera um enredo revolucionário num "kaiju eiga", e por se tratar de uma homenagem, Jun Awazu acaba chupinhando aspectos de vários filmes antigos: armas atômicas que geram uma aberração, referências a monstros que apareceram em "Godzilla", como Mothra e Ghidorah, entre outras coisas. Jun Awazu ainda tenta colocar um pouco de substância no enredo: faz alusões aos perigos da energia nuclear; brinca ao mostrar a celebração dos 100 anos da Era Showa, como se o Imperador Hirohito ainda estivesse vivo; e ainda mostra que o homem acaba cavando sua própria tumba em sua busca incessante por avanços científicos. Mas se fiz uma brincadeira acima sobre a "importância" dos humanos num "kaiju eiga", a verdade é que a falta de um componente humano marcante reduz muito a força da obra como um todo.



Contando com uma trilha sonora grandiosa de Shingo Terasawa, "Negadon" acaba valendo a pena pelo visual 3D e pelo quebra-pau na segunda metade. Sua curta duração não permite que ele seja nem um bom drama, nem uma boa obra de pancadaria pura, e esta indefinição acaba cobrando um preço. Ainda assim, torço para que Jun Awazu consiga criar alguma obra mais interessante no futuro, em relação ao conteúdo. Potencial para isto ele tem de sobra.


Marcelo Reis


 

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