quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Now and Then, Here and There (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 30/09/2002.

Alternativos: Ima, Soko ni Iru Boku
Ano: 1999
Diretor: Akitaro Daichi
Estúdio: AIC / Pioneer LDC / A.P.P.P.
País: Japão
Episódios: 13
Duração: 30 min
Gênero: Aventura / Drama / Sci-Fi


Shuzo Matsutani, ou simplesmente Shu, é um estudante de Kendô de espírito alegre e jovial, e que muitas vezes se vê em situações complicadas devido à sua falta de concentração. Ao voltar da escola para casa, ele se depara com uma garota misteriosa de olhos azuis e distantes chamada Lalaru. Shu não imaginava as enormes mudanças que ocorreriam em sua vida após este encontro casual. O lado brutal do ser humano colocará à prova toda a sua alegria de viver, e as cicatrizes serão inevitáveis.

Produzido pelas gigantes AIC e Pioneer, Now and Then Here and There é dirigido com brilhantismo pelo talentoso Akitaroh Daichi, aqui fazendo um trabalho bem diferente de suas obras mais leves como Elf Princess Rane e Jubei-chan. Beneficiada pela excelente trilha sonora de Tako Iwasaki e o desenho de personagens peculiar criado por Atsushi Ohizumi, a história original escrita por Hideyuki Kurata ganha força nas telas, e se torna uma das mais pungentes obras já criadas sobre as injustiças sofridas pelas crianças em tempos de guerra.


Os personagens desta série de TV de 13 episódios são complexos e cativantes. Além de Shu e Lalaru, existem ainda o idealista garoto Nabuca e seu companheiro Boo, o invejoso Taburu, a bela estudante americana Sara Ringwald, além do psicótico ditador Hamdo, comandante da fortaleza Hellywood, e sua fiel auxiliar Abelia. NTHT possui uma qualidade de animação impressionante para uma série de TV, e as tomadas de câmera cuidadosamente idealizadas por Akitaroh Daichi aumentam ainda mais a força das cenas dramáticas.

NTHT não é um anime para crianças. Repleto de cenas e situações chocantes, NTHT é um soco na boca do estômago, e mostra o quão cruel pode ser o processo de perda da inocência infantil frente às agruras da guerra. Treinadas para combater e matar, à maneira da famosa Juventude Hitlerista (Hitlerjügend), as crianças são submetidas a todo o tipo de violência física e psicológica... impossível segurar a emoção e as lágrimas. Sem apelar para frases feitas ou lições de moral vazias, NTHT é um anime quase perfeito, prejudicado apenas pela sutil quebra no ritmo à partir do episódio nove e, ainda, por algumas mensagens de efeito sem necessidade no episódio final (uma delas, contra o aborto, é forçada e irreal).



Mesmo com algumas situações um tanto fantasiosas típicas de animes, NTHT é uma série estupenda. À exceção de algumas cenas esparsas de humor, o tom presente em quase toda a obra é melancólico e claustrofóbico, e o impacto é comparável ao causado por Grave of the Fireflies, obra-prima absoluta de Isao Takahata. Imperdível, obrigatório, fantástico... um anime para ficar na memória!


Marcelo Reis


 

4 comentários:

  1. Tinha lido em 2002.. e reli agora.
    Ótima resenha, e anime PERFEITO

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    1. Obrigado pelos elogios, Hevelins! Comparando este texto às minhas resenhas mais recentes, acho ele um pouco simples demais. Mas se ele consegue despertar a curiosidade das pessoas para assisti-lo, missão cumprida. :)

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  2. Este anime, junto a Fantastic Children, Gilgamesh, Asura e Gankutsuou são extremamente cativantes.
    À exceção de Gankutsuou, os outros animes, bem como referiu na resenha de FC, têm uma parte visual um tanto quanto fora do comum, certamente não agradarão aos apreciadores atuais... mas, quiçá, é o que torna a série muito melhor... ora, o que a gente vê em Asura, a grosseria na arte visual, se assim não fosse não seria tão impactante, o mesmo para Gilgamesh.

    Adoro as tuas resenhas, Marcelo, há muito tempo as acompanho.
    Um beijo!

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    1. Olá!

      Antes de mais nada, me desculpe pela demora em responder: dias complicados por aqui. :)

      Valeu demais pelo comentário, e concordo com o que disse: muitas vezes o estilo visual incomum de uma obra acaba tornando-a mais impactante.

      Em tempo: fico feliz em saber que curte minhas resenhas. ;)

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