sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sentou Yousei Yukikaze (OVA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 14/05/2010.

Alternativos: Battle Fairy Yukikaze
Ano: 2002
Diretor: Masahiko Ohkura
Estúdio: Gonzo
País: Japão
Episódios: 5
Duração: 31 min
Gênero: Drama / Sci-Fi / Guerra


Baseado no romance de Chouhei Kanbayashi e criado para comemorar os 20 anos do selo Emotion da Bandai Visual, "Sentou Yousei Yukikaze" possui 5 OVAs no total, produzidos entre 2002 e 2005. Em função do alto valor de produção e do longo tempo disponível para a finalização dos OVAs, "Yukikaze" é uma obra tecnicamente impressionante, até mesmo se levarmos em conta a já famosa capacidade do Gonzo em criar animes visualmente magníficos. Infelizmente, como veremos ao longo da resenha, o conteúdo inicialmente promissor acaba não vingando com o tempo, e "Yukikaze" acaba valendo mais pelo visual incrível.

Um pilar de névoa na Antártida serve como um portal interdimensional entre a Terra e um planeta chamado Fairy, habitado por seres chamados de JAM pelo humanos. Após criarem este portal para invadir a Terra, os JAM foram combatidos por uma força unificada terrestre e exilados novamente no planeta Fairy. Para a humanidade, a guerra parece ter acabado, mas em Fairy, os combates continuam cada vez mais ferozes.

O tenente Rei Fukai é um piloto da FAF (Fairy Air Force), unidade de elite da Special Air Force (SAF) que continua a combater os JAM em Fairy. Fukai pilota uma avançada nave de combate chamada Yukikaze, possuidora de uma inteligência artificial tão avançada que beira o comportamento humano. Fukai confia cegamente em Yukikaze, especialmente após ter sido salvo várias vezes do perigo por ela, e parece tão obcecado pela nave que não dá ouvidos aos oficiais mais graduados, mesmo que um deles seja o seu melhor amigo, o vice-comandante da SAF, major Jack Bukhar.

A guerra, aparentemente ganha pelos humanos, começa a sofrer uma reviravolta quando algumas naves da SAF passam a ser infectadas por vírus e pilotadas automaticamente, atacando seus próprios esquadrões. Para piorar, agentes JAM disfarçados de humanos se infiltram na SAF, dificultando cada vez mais a distinção entre aliados e inimigos. Talvez a guerra esteja mais próxima de voltar à Terra do que se imaginava.


Como foi dito no início, "Yukikaze" impressiona muitos nos aspectos técnicos, desde os detalhes minuciosos dos aviões, máscaras dos pilotos, hangares e tudo o mais, até a animação propriamente dita, ainda que a parte em CGI seja muito superior à parte tradicional. As batalhas áereas são impressionantes, com tomadas de câmera inventivas e que colocam o espectador no centro dos combates, merecendo destaque a perfeição técnica do último OVA como um todo. O desenho de personagens é muito bom, altamente expressivo, com detalhes faciais que tornam os personagens totalmente distintos entre si. É louvável também a criação de um futuro muito parecido com o nosso presente e bem baseado na realidade, apenas com aviões de combate e sem nenhum tipo de mecha. Isto permite uma maior identificação do espectador com o que acontece, pois numa realidade mais palpável, é mais fácil acreditar que aquilo poderia realmente acontecer no mundo real. E na parte sonora, mais do que a trilha sonora propriamente dita, chama a atenção o minucioso trabalho em termos de efeitos sonoros, desde os tiros e explosões até as conversas no rádio durante os combates.

E aí começam os problemas. Mais uma vez, a indefinição dos roteiristas entre criar uma obra mais realista ou mais fantasiosa prejudica muito o resultado final. No início tudo parece muito bem pensado, com a alternância entre as realidades da Terra e de Fairy, que deixam o espectador confuso entre o que seria real ou imaginário. A palavra JAM, usada aqui também no sentido de "interferência", faz todo o sentido no conjunto da obra, levantando até mesmo a questão de que os humanos, afinal de contas, poderiam ser dispensáveis. E há até mesmo um clima fortemente "shounen-ai" entre Fukai e Bukhar, algo meio incomum em obras do gênero. Mas no fim das contas, ao invés de parecer uma obra séria com momentos mais leves, ficamos com a impressão de que Yukikaze, na verdade, é uma obra de ação simples que tentou se levar a sério demais.

Para começar, para um anime que pretende ser realista, chega a ser risível ver uma unidade militar destinada a defender todo o planeta, na qual a noção de hierarquia e rigor parece não existir. Relacionamentos pessoais afetando ações militares, uma psiquiatra que usa roupas super decotadas, militares sem uniforme em ambiente de guerra, chegando ao cúmulo do protagonista andar emburrado dentro da base, de boné e jaquetinha de dragão, sem dar a menor atenção às ordens dos superiores.

E este é outro grande problema em "Yukikaze": personagens chatos cujos relacionamentos não despertam nada no público. Basta dizer que a nave Yukikaze é, de longe, a personagem mais marcante e convincente do anime. Fukai é um mala-sem-alça caladão e mal-educado, Bukhar é um reclamão que não tem o menor pulso para manter Fukai, seu subordinado, dentro dos limites, e assim por diante. Como sempre, há alguns flashes aqui e ali indicando traumas passados que justificam o comportamento atual dos personagens, mas isto não é motivo para criar dois protagonistas insossos, cuja história de vida deixa o espectador totalmente indiferente. A única personagem humana mais marcante é a líder da SAF, general Rydia Cooler, sempre eficiente e que vai direto ao ponto. Se ela estivesse no lugar de Fukai, o anime teria sido muito melhor.



Para quem estiver interessado em batalhas aéreas incríveis, "Sentou Yousei Yukikaze" é mais do que indicado, mas vale lembrar que não será muito fácil aguentar as "birrinhas" de menino mimado de Rei Fukai, nem o comportamento bundão do major Bukhar. Enfim, basta não assistir ao anime com as expectativas muito elevadas. "Yukikaze" não é um anime ruim, mas fica um gostinho de decepção ao final, pois se tratava de uma obra com nítido potencial para atingir vôos muito mais altos em termos narrativos.

OBS: Assistam até o final dos créditos do último OVA.


Marcelo Reis


 

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