sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Serial Experiments Lain (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 09/02/2003.

Ano: 1998
Diretor: Ryutaro Nakamura
Estúdio: AIC / GENCO / Triangle Staff
País: Japão
Episódios: 13
Duração: 30 min
Gênero: Drama / Cyberpunk / Sci-Fi


Cultuada produção da Pioneer LDC, Serial Experiments Lain é baseada em uma história de Chiaki Konaka, a mente criativa por trás do excelente roteiro de "The Big O". Com Serial Experiments Lain, não existe meio-termo: ou você ama a série de paixão, ou odeia o que viu com todas as forças.

Lain Iwakura é uma estudante tímida, bem fechada e com poucos amigos. Sua mãe é uma pessoa extremamente seca, que fala pouco e não dá muita atenção aos problemas da filha. O pai, apesar de mais expansivo, também tem dificuldades de comunicação com Lain, e procura reduzir a distância entre ambos através de bens materiais. As coisas começam a tomar um rumo diferente quando Lain passa a receber e-mails de uma garota chamada Chisa Yomoda, em seu telefone celular, dizendo que o mundo virtual (Wired) é que representa a realidade, e não o mundo em que vivemos. Seria um fato corriqueiro, um possível "hoax", não fosse um pequeno detalhe: Chisa está morta há algum tempo... seria possível que ela estivesse viva dentro da Web? De acordo com suas palavras, ela não era a única pessoa na mesma situação.

A partir daí, Lain passa a se interessar mais e mais pelo que acontece dentro da rede, e nesta busca incessante por informações, vai descobrindo que o limite entre o mundo real e o virtual é menor do que imagina. Até mesmo a natureza de sua própria existência é colocada em xeque: quem é Lain, afinal? Uma pessoa? Um ser virtual? Ela existe em nosso mundo teoricamente real e palpável, ou sua verdadeira personalidade é aquela que existe no mundo teoricamente virtual?


A primeira coisa que chama a atenção em Serial Experiments Lain é seu estilo único. O trabalho de arte é fantástico, com um excelente uso de luz e sombras, criando um clima de surrealismo que permeia toda a série. A trilha sonora, composta na maior parte por ruídos, aumenta ainda mais a sensação de estranheza e deslocamento. O traço dos personagens é bem diferente, com olhos muito expressivos e detalhados. A qualidade da animação não fica atrás, misturando técnicas tradicionais com computação gráfica, o que permitiu algumas tomadas de câmera inacreditáveis.

O problema com Serial Experiments Lain é que, apesar da complexidade da história e das inúmeras possibilidades apresentadas durante a série, ela não empolga. O início, apesar do ritmo caduco, é bem interessante, mas à medida em que o tempo passa, vai ficando aquela sensação de que a história não vai levar a nada. O que começa como um interessante paralelo com as pessoas viciadas na Internet, que não conseguem viver normalmente no mundo real mas agem como deuses quando conectados (dupla personalidade), acaba virando um monte de bobagem pseudo-intelectual, onde é levantada até mesmo a possibilidade de Deus existir dentro da Internet. Várias informações cientificamente comprovadas são introduzidas, falando sobre a possível fusão entre o mundo real e virtual, e a influência do inconsciente coletivo neste processo... todas muito interessantes, é verdade, mas insuficientes para salvar a série.



Com personagens insossos (exceto Alice, a melhor amiga de Lain) e um péssimo ritmo, Lain é um típico caso de estilo que se sobrepõe à substância. É um anime valorizado em excesso pelo público em geral, que merece ser conferido pelo estilo audiovisual único e pelo clima surreal, mas apenas isto. Quanto à história, muito papo para pouca substância, uma baboseira pós-moderna para pegar trouxas.


OBS (adicionada em 15/02/2013): Muita gente caiu matando em cima de mim por causa desta resenha, em função dos mais variados motivos. Conforme eu já havia comentado em alguns fóruns anteriormente, por inexperiência minha à época, ao analisar o anime eu acabei cometendo o pecado de ofender os fãs da série. Mantive a resenha intacta, até mesmo para servir de lembrete sobre o que não devo fazer em futuras resenhas. Mas a verdade é que, tirando o comentário "baboseira pós-moderna para pegar trouxas", que acabou ofendendo muita gente, eu realmente não mudaria uma vírgula em minha opinião a respeito da obra em si.


Marcelo Reis


 

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