sábado, 16 de fevereiro de 2013

Urda (ONA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 17/09/2006

Alternativos: URDA: Third Reich
Ano: 2003
Diretor: Romanov Higa
Estúdio: Romanov Films
País: Japão
Episódios: 5
Duração: 6 min
Gênero: Aventura / Histórico / Sci-Fi


Modesta produção "feita em casa", Urda é um anime que se encaixa na novíssima categoria de ONAs (Original Network Animation), animações feitas para divulgação direta na internet. Produzida em 2003 pela Romanov Films, Urda pode ser quase considerada uma obra de um homem só, no caso, Kazuhiro Higa, mais conhecido pela alcunha de Romanov Higa. Acumulando as funções de diretor, desenhista de cenários e personagens, além de ter criado todo o CGI do anime, Romanov Higa tentou repetir a façanha de Makoto Shinkai, o qual havia criado sozinho a obra-prima "Hoshi no Koe" no ano anterior. Se conseguiu ou não, é uma outra história.

Em novembro de 1943, um homem é capturado na Alemanha nazista e, através de um soro da verdade, revela fatos que podem mudar o destino da II Guerra Mundial. O surgimento de uma garota chamada Chris adiciona mais lenha à fogueira, pois a mesma diz que veio do futuro, do ano 2112. Liderados por Grimhild, uma nazista meio pirada e boa de briga, os alemães colocam em ação a missão URDA, com a intenção de descobrir a existência e localização desta suposta máquina do tempo.

Enquanto isto, uma espiã recém-contratada, Erna Kurtz, resolve interferir nos planos nazistas. Erna possui muitas cicatrizes no corpo, talvez em função da estranha convivência que teve com Grimhild no passado. O que existe de tão obscuro no passado de Erna, e por que a sua obsessão em evitar o sucesso dos nazistas, sendo que ela também é alemã?


Com apenas 5 episódios de 6 minutos cada, não dá para falar muito mais além disto, sob risco de contar toda a história do anime. A primeira coisa que chama a atenção em Urda é o uso da técnica de "cel-shading": todo o anime é feito em ambiente 3D, inclusive os personagens, que ganham os traços tradicionais da animação japonesa através do "cel-shading". Apesar da movimentação um pouco estranha dos personagens, os quais às vezes parecem meio deslocados do ambiente, o resultado ficou muito bom, especialmente no que diz respeito às expressões faciais. O mesmo não pode ser dito dos cenários de fundo, muito simples e repetitivos, assim como certos elementos que aparecem ao longo da obra. Isto pode ser notado com clareza no primeiro episódio, durante um descarrilamento. Ninguém pode exigir respeito completo às leis da física em um anime caseiro, mas aqui a coisa extrapola um pouco, como se o mundo no qual se passa a história fosse regido por uma física completamente distinta da real.

Mas, enfim, sou um chato mesmo. Isto não seria muito grave, caso a estrutura narrativa de Urda não tivesse deficiências realmente fortes. Romanov Higa possui boas idéias, sua história é interessante, apesar de simplista, mas a forma como os fatos são encadeados não convence. É tudo muito truncado, com cortes bruscos e uma montagem muito estranha, o que acaba prejudicando a força da história em muitos momentos.



Urda possui boas cenas de ação e um enredo que prende a atenção, apesar das falhas óbvias. Por se tratar de um anime caseiro, não dá para reclamar muito, até mesmo porque os aspectos positivos indicam que Romanov Higa possui um futuro promissor. Urda não é um Hoshi no Koe, Romanov Higa não é um Makoto Shinkai, mas uma comparação nestes termos seria até covardia.

OBS: Não deixem de assistir às cenas após os créditos.


Marcelo Reis


 

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