sábado, 16 de fevereiro de 2013

Vision of Escaflowne (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 27/10/2002.

Alternativos: Tenkuu no Escaflowne
Ano: 1996
Diretor: Kazuki Akane
Estúdio: Sunrise
País: Japão
Episódios: 26
Duração: 25 min
Gênero: Drama / Fantasia / Mecha


1996 foi um ano e tanto para os fãs de animes, no tocante a séries de TV. Além do aclamadíssimo Neon Genesis Evangelion (Gainax), considerado por muitos o melhor anime de todos os tempos, fomos brindados ainda com mais um trabalho brilhante da Sunrise: Vision of Escaflowne. Apesar da habitual presença do argumentista Hajime Yatate (nome fictício dado à equipe de roteiristas da Sunrise) por trás da história, Vision of Escaflowne é fruto da mente do famoso Shoji Kawamori (Macross). Além de criar a história original, Kawamori foi também o responsável pela supervisão de todo o projeto da série de TV.

Hitomi Kanzaki é a personagem principal, uma garota que integra a equipe de atletismo de sua escola e que, nas horas vagas, faz leituras de tarô para as colegas. Numa noite, enquanto realizava uma tomada de tempo na pista de atletismo, Hitomi começa a ter visões e o intrigante pingente rosa que carrega no pescoço reage de maneira violenta, abrindo um contato entre a Terra e Gaia, um outro planeta. Hitomi acaba sendo transportada à Gaia, e entra em contato com uma realidade completamente diferente da Terra, um mundo em guerra no qual tecnologia e costumes medievais andam lado a lado.

Em Gaia, a capacidade premonitória de Hitomi aumenta incrivelmente, e sua força será imprescindível para ajudar a restaurar a paz ameaçada pelo colossal reino de Zaibach, comandado pelo Imperador Dornkirk. Para isto, Hitomi se torna o braço direito do jovem Van, rei de Fanelia, a única pessoa que pode comandar um magnífico Guymelef (mecha), o lendário e aparentemente imbatível Escaflowne.


Vision of Escaflowne possui uma história muito complexa, difícil de ser explicada em poucas linhas. Apesar disto, ela não se torna maçante ou complicada em momento algum... tudo flui com tranqüilidade, e o espectador fica ansioso para saber o que vem depois de cada episódio. A idéia de se misturar aspectos tecnológicos (mechas, estações voadoras) e medievais (espadas, cavaleiros) funciona muito bem, e as batalhas que acontecem são das mais espetaculares já retratadas. O visual desta série é impressionante! Usando recursos de computação gráfica com inteligência e moderação, Vision of Escaflowne é uma festa para os olhos, com cenários maravilhosos, animação perfeita (a seqüência de ativação de Escaflowne é o melhor exemplo) e desenho de personagens excelente (apesar do nariz grande!). Ah, a trilha sonora feita por Yoko Kanno (ela, novamente... ^_^ ) e Hajime Mizoguchi é demais! De arrepiar, mesmo!

Bom, correndo o risco de me tornar repetitivo, belos visuais não querem dizer nada se não estiverem acompanhados de uma boa história e personagens convincentes... felizmente, Vision of Escaflowne não falha nestes quesitos. Falando de assuntos tão variados como amor, destino, futuro e livre arbítrio, havia o risco de Escaflowne virar um anime vazio, cutucando em várias feridas sem fechar nenhuma delas. Felizmente estamos falando da Sunrise, uma equipe que preza a história acima de tudo e que sabe, como ninguém, criar roteiros enxutos e fechados.

É difícil encontrar uma série com tantos personagens marcantes e tão bem desenvolvidos psicologicamente. Os roteiristas não caíram no clichê comum do maniqueísmo, ou seja, criar personagens 100% maus ou bons. Todos tem um lado positivo ou negativo, e mesmo quem teoricamente está do lado errado acredita estar lutando pela coisa certa.

Hitomi não é descerebrada como a maioria das garotas presentes em "shoujos", e Van não é destemperado como grande parte dos adolescentes dos "shonen". Allen Schezaar, um cavaleiro do reino de Asturia, é adorado pela platéia feminina, com seu equilíbrio entre força e gentileza. Temos ainda a menina-gato Merle, louquinha por Van... ela é meio mala-sem-alça mas dá para levar. ^_^ Do lado de Zaibach, podemos citar o assustador e psicótico Dilandau, além do enigmático comandante Folken, o personagem mais bacana e complexo de toda a série.



Pessoalmente, acho uma injustiça todo o alarde feito em cima de Neon Genesis Evangelion em detrimento de Vision of Escaflowne. Com uma história bem fechada (com alguns clichês, é verdade) e sem a pretensão de mudar o mundo, Vision of Escaflowne é uma série muito equilibrada, bem a frente de seu tempo nos aspectos técnicos e, no conjunto, superior a Evangelion. Não deixem de ver!


Marcelo Reis


 

2 comentários:

  1. Cara, amo Evangelion, amo de um jeito bem diferente de Escaflowne, ao qual também aprendi a amar. Evangelion apresenta uma trama bem mais tensa, cheia de mistérios, e que muito indaga sem as vezes responder tudo, gosto disso também. Escaflowne tem uma trama bem mais amarrada, com mais enfoque em um romance, e no amadurecimento dos personagens, o coming of age. A trilha sonora é excepcional, a história é muito boa e bem amarrada, e os personagens são altamente cativantes. Não tem como nem comparar os dois animes, apesar de que cada um se sobressai em aspectos diferentes, a trilha sonora de evangelion é poderosa, mas me pego ouvindo muito mais escaflowne, do que evangelion.

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    1. Evangelion é muito bom, mas grande parte deste "mistério" por trás das teorias me parece, sim, incapacidade dos roteiristas de juntar tudo em algo coerente. Lembro que, a cada episódio, eu ficava roendo as unhas para saber o que viria em seguida, até chegarem os malditos episódios finais. Gostei mais do movie "End of Evangelion", e tenho curtido bem os novos longas-metragens.

      Escaflowne acabou sendo meio jogado para escanteio, com todo o alarde feito em torno de EVA, o que me parece uma grande injustiça. No geral, os animes de mecha da Sunrise são fora-de-série em todos os aspectos.

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