quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Anime Friends 2009 e Festival do Japão

OBS: Artigo publicado originalmente no Animehaus em 28/08/2009.



[Entrada das caravanas no AF-2009]



[Cosplayers aguardando sua vez
na fila da AF-2009]

Este ano houve novamente a realização da AnimeFriends, e novamente eu participei, pelo terceiro ano consecutivo (minha 5a edição de AF). O normal seria escrever algo agredindo ferozmente a Yamato, devido à (des)organização do evento, além de um fato chamar a atenção: ”o local“, pequeno como sempre, mas na zona leste de São Paulo (diga-se de passagem, uma das mais violentas). Mas para que isso não soasse repetitivo, resolvi respirar fundo e tomar um rumo diferente daquilo que seria normal e fácil. Vamos falar de pessoas: afinal, evento que é evento tem que chamar a atenção das pessoas.

Estive rodando pelo evento nos últimos 2 dias, ou seja, 18 e 19 de julho.

Pra variar, filas e filas, nada mais normal que um evento tradicional ter filas, gigantescas por sinal. Pensei: "Que tal começarmos por aqui?"

Filas em geral demonstram que o evento foi bastante esperado e, curiosamente, nas filas ocorrem coisas muito estranhas: as famosas plaquinhas da AF corriam soltas, alguns procurando amigos, outras fazendo enquetes estranhas e outras simplesmente falando coisas certamente proibidas para menores de 12 anos... Má! Esquece. O que não falta nas filas do AF é o bom humor presente em todos, pois quem já foi a uma AF sabe: fila é o que não falta, pra tudo, desde a entrada, passando por barracas, lojas, lanches e sanitários. O bom humor corria solto, apesar de tudo. Me senti um tanto triste de não ter tirado uma boa foto do pessoal das excursões, indo todos felizes lá pro início da fila, achando que caravanas tinham algum privilégio especial, mas quando chegavam lá... eram obrigados a voltar a pé por vários e vários e vários metros: não pude deixar de sentir um certo prazer nisso. "Zueira" na fila sempre acontece, mas outras coisas também, como encontros inesperados, amizades que surgem de um simples ”oi, você é de onde?“ AF tem desses acasos que só anime explica. *-*



[Cosplayers]

O evento em si era interessante como sempre, apesar de lotado e quase sem mobilidade. Havia alguns lugares nos quais você podia até descansar, apesar do barulho ensurdecedor. Por várias vezes pensei em sentar e ficar ali parada, com as pernas pro ar, descansando, mas com apenas um dia sobrando, fui encarar as filas. Todo brasileiro ama fila, principalmente os paulistas. Dessa forma fiquei conhecendo um pessoal que veio de Roraima para o evento. ”'Jesus toma conta', vieram de ônibus O_o“, pensei cá com meus botões. Continuando...

Deixando isso um pouco de lado, pessoas diferentes não faltavam: estranhos, emos, otakus e, principalmente, góticos ou estilo gótico. Pessoas que normalmente não teriam coragem de vestir-se ao seu gosto, ali soltavam suas bruxas mesmo, notava-se pelos reflexos verdes e vermelhos feitos a papel crepon e apliques. Raros eram aqueles que realmente entravam de cabeça no mundo gótico. Apesar de ser um tanto estranho pra quem não esta acostumado, todos sentiam normais entre os muros do evento. E nesse estilo ”mais pro gótico“, cosplayers estranhões de J-Pop/Rock não faltavam, mas quem gosta, gosta e fim. Quem sou eu pra julgar? Afinal, com certeza muita gente me achou estranha... mas é a vida.

Uma novidade esse ano foi o clima: FRIO! E põe frio nisso! Todos os anos que estive em São Paulo, nessa época estava bastante calor, aliás um calor quase insuportável. Senti pena de alguns cosplayers abusadinhos que estavam semi-nus, com os pelos todos arrepiados de frio. De certa forma a proibição/censura para alguns tipos de cosplays foi boa, afinal a grande maioria estava bem agasalhada. Eheheheh... sim, foi sarcasmo.


[Teatro cosplay em ação no palco central]



[Após a apresentação do teatro cosplay,
paródia com personagens de Bleach]

Novidades para AF? Nenhuma! É incrível a falta de criatividade da organização, as mesmas coisas todo santo ano: no geral, nenhuma novidade. Posso destacar apenas o pessoal do teatro cosplay que estava bem criativo. A cada ano as performances melhoram, logo logo podemos esperar efeitos especiais nas apresentações. Por que digo isso? Este ano, uma das apresentações do domingo chamou a atenção, não pela criatividade nem nada (era uma paródia a Naruto) mas, sim, pelas coreografias, com direito a chutes e vôos de kung-fu. Lembram-se daqueles filmes em que se podia ver as cordinhas?? Faltaram só as cordinhas, eheheh. Deixando isso de lado um pouco, vamos pegar o metrô e dar uma passadinha no Festival do Japão, meu terceiro festival. 

O Festival do Japão é tradicional, visando apenas a cultura das diversas províncias do Japão, vários concursos, cerimônias, promoções, comidas típicas, etc. A GRANDE diferença entre a AF e o Festival é a educação. Assim que se desembarca do metrô, após quase 20min, chegamos à estação Jabaquara. Aqui começa o diferencial: nada de "staff" mal humorados e desinformados, todos os participantes do festival parecem orgulhosos de estarem ali, com raríssimas exceções. Logo de início encontramos rapazes saltitantes e felizes em poder nos mostrar os locais para pegarmos as filas para os ônibus. Sim, ônibus de turismo novinhos e cheirosos nos aguardam, pessoas educadíssimas com plaquinhas pulantes não nos deixam errar o caminho e, aí, fila. Filas?? Nada de filas quilométricas, dessa vez aguardei apenas 5min na fila e fomos para o festival. Chegando lá, centenas de pessoas, placas informativas e revistas com programa do evento não deixavam dúvida: é outro mundo!



Chegamos meio tarde e começamos a andar: muitas pessoas, estava realmente lotado. Mas o espaço era mais que suficiente para um trânsito facil de pessoas. Quase 14 hs... FOMEEEEEE!! Ao contrário da AF, onde você tem que prestar muita atenção, principalmente quem tem estômago sensível, para não sair intoxicado, lá podíamos escolher de tudo, feito na sua frente, com os ingredientes à mostra, pratos feitos praticamente na hora. Dango, okonomiyaki, mochi (doce, colorido), sorvete de gengibre (grrrr, não gostei) e, claro, os tradicionais Obentô (marmitinhas), sakê, sushi, sashimi, yakisoba, etc.... Mas com uma diferença, e problema sério: escolher o que comer entre tantas coisas gostosas, cheirosas e apetitosas produzidas numa praça de alimentação de encher os olhos.

Outra coisa que chamou a atenção, além da gastronomia, foram os estandes de produtos típicos: roupas, enfeites, lanternas, miniaturas. Também posso acrescentar às vantagens o fato de diversas atrações serem interativas, mesmo não sendo gratuitas. Era possível ter uma foto tipicamente japonesa com trajes e maquiagem, com direito a fundo oriental e tratamento via Photoshop pelo mesmo preço de uma almofadinha no AF. Uma praça especialmente criada para cerimônia do chá, voltada para os visitantes. Outro local bem visitado era a área reservada ao "ikebana", o famosíssimo trabalho com arranjos florais japoneses. Outros estandes que chamavam atenção eram os das montadoras de automóveis, vários modelos recém-lançados no Japão estavam à mostra no festival.



O Banco do Brasil, como já é costume, estava presente com seus tradicionais brindes: sacolinhas, bonés, balões. Alias, não só o BB, mas em todos os estantes era possível provar as mercadorias, mesmo sem um centavo no bolso: qualquer visitante sairia de lá de estômago cheio. Mais uma vantagem eram os locais onde os idosos podiam fazer seus exames gratuitamente, além de receber uma massagem bastante relaxante. Para as crianças eram reservados vários locais com brinquedos e atividades culturais, como origami e culinária. Mas o grande diferencial, como já afirmei antes, é a educação e o prazer de todos em atender os visitantes. Todos faziam questão de mostrar que éramos bem-vindos ali e estavam fazendo o seu melhor para que voltássemos mais vezes.

Existe alguma comparação entre ambos os eventos? NÃO!

Aqui é que a AF cai no banco dos réus e vai pra perpétua sem direito a apelação. Mas tudo depende do gosto de cada um. Um festival de anime é muito diferente de um festival cultural, vale a pena curtir ambos, se puder.

Cátia Nunes

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