quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Gravitation (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 21/05/2010.

Ano: 2000
Diretor: Bob Shirohata
Estúdio: Studio DEEN
País: Japão
Episódios: 13
Duração: 22 min
Gênero: Comédia / Shounen-ai / Musical






Gravitation surgiu do mangá de Maki Murakami, lançado em 2000 em 12 volumes, tendo sua versão em português chegando às terras tupiniquins no ano de 2007 pela editora JBC. E dele surgiram 13 episódios adaptados para TV com muita competência pelo Studio DEEN entre 2000 e 2001, além de 2 OVAs lançados anteriormente, em 1999.

O anime narra a história da banda pop Bad Luck e seus 2 integrantes: o vocalista Shuichi Shindou, e seu melhor amigo e também guitarrista Hiroshi Nakano. O grande sonho de Shuichi é tornar sua banda um sucesso, mas o caminho não tem sido dos mais promissores para a dupla de amigos. Sofrendo amarguradamente com a dupla, temos seu problemático empresário maníaco-depressivo e suicida Sakano-san (diga-se de passagem, ”suicida de janelas“, preferencialmente aquelas com menos de 2 metros de altura). Suas tentativas de gravar um CD vão sendo desintegradas uma a uma, graças à total incompetência de Sakano-san (... é o que ele acha), pelo menos até K (Claude K Winchester) entrar em cena e revolucionar tudo, transformando suas vidinhas pacatas e sem rumo num verdadeiro faroeste. Mas vamos focar a história nos personagens centrais.

Numa noite qualquer, Shuichi está deprimido e frustrado, olhando para uma de suas composições (Glaring Dream), quando uma rajada de vento joga o rascunho para longe. Este acaba indo parar nas mãos de Yuki Eiri, um escritor com lindos, sensuais e penetrantes olhos verdes, que lê a canção e diz: "Desista, sua habilidade é ZERO!"

Yuki tem um humor super instável, sarcástico e sem paciência alguma, principalmente com um "compositorzinho amador", maneira gentil como ele chama Shuichi, o qual fica ainda mais deprimido após ser esculachado por Yuki.

Shuichi e Hiroshi tentam dar uma guinada em suas carreiras a todo custo, quando conseguem a façanha de conseguir seu primeiro ”live“. Shuichi treme na base e não consegue cantar. Desastre saindo do forno, mas eis que surge para salvá-los Ryuichi Sakuma: ele é o líder da Banda Nittle Grasper, a mais famosa do Japão e que havia saído de cena há algum tempo, após terem experimentado um sucesso estrondoso em pouquíssimo tempo.

Dos personagens principais, Shuichi é um misto de tudo o que amamos e odiamos. Tem uma personalidade cativante, sorridente, esforçado, o tempo todo procurando ”uma forma, um jeito“ de tornar sua banda um sucesso; não costuma aceitar muito bem mudanças, principalmente quando isso mexe com sua grande paixão: a música. Seu comportamento ao lado de Yuki acaba se tornando um problema, uma vez que as personalidades de ambos colidem. Hiro é um rapazinho "tudo de bom": altivo, educado, com um ar adulto e amadurecido. Sabe como poucos expressar seus sentimentos e ajudar os amigos (principalmente Shu-chan), quando se metem em encrencas. Ele é um pouco cabeça dura, mas sabe assumir seus erros e é quem mais apóia Shuichi em suas decisões, por mais absurdas que possam parecer. E para completar a nova formação da banda temos Fujisaki Suguru: sua entrada foi forçada, visto que, após uma longa conversa com Seguchi Tohma, dono da poderosa gravadora NG Records, Shuichi teve que engolir o fato de sua banda não ser profissional e precisar de alguém que pudesse fazer um novo arranjo para suas músicas, pois elas não passavam de composições infantis e sem sentimentos (õ.õ Tohma nervoso). Apesar dos seus 16 anos, o novo tecladista da Bad Luck é super maduro e consciente, apesar de muitas vezes quase pular no pescoço do nosso fofíssimo vocalista. 






Ryuichi Sakuma é um dos personagens mais fantásticos do mundo dos animes. Sério, adulto e sexy, o jovem vocalista do Nittle Grasper faz um grande sucesso entre jovens e adolescentes de todo mundo, sendo conhecidíssimo por suas performances sensuais e seu domínio de palco. Mas quando esta fora dele, não consegue se separar do Kumagoro, seu coelhinho rosa de estimação. Muitas vezes ele o usa como marionete, numa atitude infantilíssima, que contradiz totalmente com o que acontece quando ele entra em cena. Sem ele, provavelmente Gravitation não teria o mesmo impacto. Infelizmente, Tohma e Noriko acabam fazendo parte da figuração da banda, pois a passagem deles é relativamente pequena e sem grande importância, principalmente Noriko, que só aparece devido à reativação da banda Nittle Grasper. 

Existem vários outros personagens, intrigas amorosas, brigas entre bandas e, principalmente, muita comédia. Outra coisa que também chama a atenção é a repetição da mesma música por vários e vários capítulos. Mas quando se leva em consideração que isso mostra a evolução musical dos personagens, novos arranjos, gravação de vídeos, etc... Certamente que chega a ser meio chatinho, mas não dá pra simplesmente pular de uma bandinha de porão para "superstar" sem treino, não é mesmo? Mas, infelizmente, isso acaba se tornando extremamente chato, dando a impressão de que a série de apenas 13 episódios poderia ter sido ainda mais condensada.

O anime mostra a que veio logo nos capítulos iniciais, ou seja, mostra o mundo da música e toda a dificuldade para se conseguir entrar nesse mercado acirrado. Também mostra a ascensão e queda fácil de bandas que não conseguem manter a distinção entre vida social, trabalho e sucesso. Apesar de classificado como "shounen-ai", o anime não tem nada de mais, em nenhum momento nota-se o apelo sexual, visto que em obras desse gênero é normalmente o que acontece. Existem algumas cenas mais ousadas, bem esporádicas, com uns beijos rolando aqui e ali, nada que deixe os puritanos de plantão ou machistas nervosos ao assistir. A única coisa garantida após os 13 episódios são horas a fio de risadas descontroladas. 

mangá original já possui algumas cenas sexuais, mas nada muito apelativo, pois assim como no anime, ele é mais voltado para comédia. Também existe uma continuação chamada Gravitation EX, que parte exatamente do final dos 12 volumes iniciais. E caso alguém se interesse, existem os doujinshis oficiais: Gravitation Remix e Megamix, com ”pouca historia e muito sexo“. Maki Murakami infelizmente possui um traço terrível, quase preguiçoso, mas para nossa sorte o ”traço“ evolui acentuadamente no decorrer dos mangás, finalizando com um acabamento bem razoável.

O Studio DEEN esbanja competência quando se trata da qualidade visual e design dos personagens. A produção usou e abusou de imagens em SD para dar aquele apelo cômico a situações comuns, mas isso de forma alguma chegou a ser um exagero, muitas vezes temos que nos segurar pra não chorar de tanto rir. A parte musical é um verdadeiro show de baladas românticas, vale destacar entre elas: Anti-Nostalgic, Glaring Dream, Rage Beat, Blind Game Again, que além de enriquecerem o ar romântico do anime, servem também para embalar o relacionamento e as brigas de Shu-chan com Yuki. Afinal, por culpa do acaso, ambos acabam tendo um envolvimento bem além do comum no mundo dos animes.



Muitas vezes nos perguntamos se realmente existem obras desse gênero que mereçam ser destaque na mídia, pois a grande maioria delas apenas apela para o lado sexual e "fan-services". Gravitation é uma prova de que, com um pouco de imaginação, comédia e muito romance, com certeza pode-se criar um ótimo anime shonen-ai, voltado para todos os públicos.

Cátia Nunes

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