domingo, 23 de novembro de 2014

Green Green (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 24/09/2005

Ano: 2003
Diretor: Chisaku Matsumoto / Yuji Mutoh
Estúdio: Pony Canyon / GROOVER
País: Japão
Episódios: 12
Duração: 24 min
Gênero: Comédia / Romance



Bom a premissa principal desta série para TV é a mesma do OVA que a originou, porém ao contrário (vale salientar que esta série não leva em conta os acontecimentos do OVA, ou seja, é um estória alternativa). Dessa vez as meninas da escola Hanaoka é que vão para a Kanenone Gakuen. Porém este anime tem uma premissa adicional, a história de dois amantes que, no passado, viveram um amor proibido e juraram se encontrar em outra encarnação para viverem este amor. Quando o ônibus que levava as garotas chega a Kanenone Gakuen uma forte luz brilha na porta dele e desta luz surge uma garota vestida de verde chamada Chitose Midori que pula em cima de Takazaki Yuusuke, aluno responsável pela recepção das garotas, dizendo que finalmente o tinha encontrado.

Os aspectos técnicos de Green Green TV são medianos com qualidade sonora e animação decentes, mas nada de inovador ou extraordinário. A música de abertura é divertidinha, mas a de encerramento e as que aparecem durante os episódios servem ao seu propósito, e nada mais. O traço é bonito, mas dá para notar um certo decréscimo na qualidade em alguns episódios, mas é pouca coisa.

Os personagens são estereotipados (menos a Wakaba), e todos eles aparecem no OVA. Yuusuke é o típico personagem principal de anime ecchi, muito bonzinho e faz boa parte das garotas se interessarem por ele apenas por ajudá-las em situações nas quais qualquer pessoa normal as ajudaria, e que por sinal foram introduzidas no anime com esse propósito. A Midori é, como dá pra notar no início do anime, a garota prometida do Yuusuke (aliás, nada mais clichê que um casal prometido). Ela vive por aí dando mole para o Yuusuke e levando fora o tempo inteiro. Fora isso é a única que se socializa com os garotos. Já Kutsuki Futaba é o famoso estereotipo da garota violenta que vive batendo nos meninos tarados, mas não deixa de ser feminina. Minami Sanae é a clássica "Lolita" dos animes, baixinha, com corpo de criança, fraquinha e doente. Morimura Reiko parece ser a única que sabe da história da promessa e tenta impedir a Midori de conquistar o Yuusuke, apesar de não ser malvada (nem bem-sucedida). A única que tem um conceito original (pelo menos pra mim) é Kutsuki Wakaba, irmã mais nova da Futaba que anda por aí carregando um cactus chamado Togemura-san (que, segundo ela, prevê o futuro e ainda é usado por ela como arma!). A professora Iino Chigusa não faz muita coisa além de tentar socializar as meninas com os meninos.


Depois do Yuusuke e das meninas devem ser apresentados os três malas do anime, que vivem tentando fazer algo pervertido e sempre se dão mal (na verdade os coitados só querem arranjar namoradas, mas são completamente tarados e imbecis). Um deles é o Ichibanboshi, que vive com um livrinho de cantadas, se acha o gostosão e tem uma quedinha pela Futaba. Bachi-gu é o maior de todos os tarados, chegando até a vestir roupas de baixo femininas! Este aqui não tem uma preferida e quer qualquer uma que dê bola para ele. Também o coitado é o que se dá pior na série. O último do trio é o Tenjin, um grandalhão que tem uma das taras mais estranhas que existem: comer arroz enquanto cheira as meninas! Além disso, é doido para encontrar uma garota que o chame de Oni-chan (irmão mais velho), e vive perseguindo a Sanae.

"Green Green", no começo, é uma série até que divertida com muitas situações engraçadas e bastante "fan-service". Porém, à medida em que a série avança, a coisa vai mudando de figura. As piadas ficam repetitivas e quando eles tentam algo novo, é uma coisa tão "apelona" que chega a perder a graça. E quando você acha que já chegou ao fundo do poço, eles colocam um episódio "recap"!!! Em uma série de 12 episódios!!! Sem-vergonhice pura! É o cúmulo da filosofia do "vamos ganhar dinheiro sem gastar nada?". E, para disfarçar, eles fazem o "recap" a partir das memórias das meninas enquanto elas estão no mais clássico dos clichês de um anime ecchi, o banho termal. Detalhe: em "Green Green" elas não usam aquelas toalhinhas como nos outros animes.

Depois disso, começa a entrar em cena a história da promessa que, tirando as investidas da Midori sobre o Yuusuke, fica dormente até o finalzinho da série, ou seja, os três últimos episódios. Acho que essa história de promessa foi só para não precisar desenvolver um relacionamento convincente entre o Yuusuke e a Midori. O pior é que eles conseguem fazer mais ou menos isso entre o Yuusuke e outra das meninas, sem contar que, no OVA, a relação deles não parece tão forçada. Calma, ainda piora... A explicação para o aparecimento milagroso da Midori (que eu já achei ruim) consegue piorar ainda mais a situação, que culmina em um final completamente ridículo.

Reunião dos executivos que inventaram de fazer Green Green TV:
- Oi, vamos ganhar dinheiro, usando o mínimo possível de nossas faculdades mentais?
- Vamos!
- Ótimo, vamos pegar a estória daquele OVA que já fizemos, botar muitas cenas de nudez, umas piadas bobas e encher o resto com clichês. E, vejam só, o nome Green Green até combina com os dólares que vamos ganhar com isso, hahahahahah!



Ironias à parte, este anime poderia ter sido muito melhor se, ao invés de focar no ecchi, focasse na relação entre meninos e meninas. Porém, se você gosta de cenas ecchi (que, apesar de muito reveladoras da anatomia feminina, não tem um pingo de sensualidade), piadas bobinhas e não se importa com clichês, assista Green Green. Caso contrário, tente arranjar Golden Boy ou Iketeru Futari, esses, sim, são animes ecchi de qualidade.

M4rc0 AFRL


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