quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Digimon (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 30/08/2008

Alternativos: Digimon: Digital Monsters; Digimon Adventure
Ano: 1999
Diretor: Hiroyuki Kakudou
Estúdio: Toei Animation
País: Japão
Episódios: 54
Duração: 30 min
Gênero: Aventura / Comédia / Sci-Fi



Digimon é uma grande franquia que perdura até hoje, embora pareça ter dado um tempo em relação a novas produções. Há todo um universo criado, tanto nos jogos quanto nos animes, filmes e mangás, que consiste em um mundo paralelo ao nosso chamado de Digimundo (Digiworld), onde vivem monstros digitais (DIGItal MONsters, digimons). Há uma relação entre este mundo e a internet existente no nosso, embora esta relação (pelo que eu saiba) nunca tenha sido completamente revelada. É como se o digimundo fosse uma manifestação física da nossa boa e velha internet. Existem digimons com as mais variadas formas, que mudam quando eles digievoluem. Esta digievolução dá a eles novas formas e poderes, embora a mesma só aconteça em situações especiais e durem apenas um determinado tempo. Quando estreou, pela sua quantidade de monstrinhos e semelhanças em alguns pontos (como as evoluções), Digimon foi tido como uma cópia barata de Pokemon. Porém, a qualidade gráfica superior e o roteiro mais bem feito e sério mostraram que a semelhança era apenas superficial.

A história é basicamente a seguinte: sete crianças são escolhidas para salvar um mundo da destruição iminente. Clichê? Sem dúvida. Mas o modo como a história é contada ajuda a dar um pouco de personalidade ao anime. As crianças estavam acampando quando são levadas ao digimundo. Cada uma delas ganha um Digimon como amigo e, de certo modo, uma arma. Com o passar do tempo eles ganham Símbolos, que representam a maior qualidade deles. É interessante que a tal qualidade muitas vezes está oculta, despertando apenas na situação propícia. O anime se foca mais no Tai Kamiya e no Matt Ishida, que infelizmente são os únicos que levam seus digimons aos níveis mais altos da digievolução. As outras crianças são Sora Takenouchi, Koushiro Izzy, Mimi Tachikawa, Joe Kido, T. K. Takashi (irmão de Matt e possuidor de um Digimon muito poderoso) e a oitava criança, que só aparece no meio e que eu não revelarei o nome para não cometer nenhum spoiler (embora ache que é raro achar alguém que não viu este anime ^^). As relações entre os digiescolhidos são muito mais interessantes que as relações entre os mesmos e seus digimons. Tai, por exemplo, possui o Símbolo da coragem. Seu maior amigo é Matt. E freqüentemente eles brigam, de sair no braço mesmo. Tai erra, mesmo sendo o líder, e eles não o seguem como doidos sem pensamentos próprios (tá, eles não o seguem SEMPRE como doidos sem pensamentos próprios). Como defeito, há muitos diálogos insossos e muitas cenas que dão até azia de tão clichês que são. Alguns personagens quase nunca têm destaque, e o anime segue o clássico estilo ”líder-corajoso-fodão“, que mais desanima que empolga e está presente em praticamente todas as obras estilo ”cabeça-oca“ como Power Rangers.


Os inimigos são o mal encarnado mesmo, querem destruir e corromper e ponto final, não tendo uma personalidade complexa. Há mortes no anime, mas elas não são usadas em demasia ou apenas para mostrar os poderes de alguém. O roteiro é bem amarrado, simples mas sem muitas pontas soltas, e com a ajuda da existência do mundo virtual pra tornar as coisas mais críveis, por mais exageradas que sejam. Algo interessante são os pequenos detalhes da história. Logo no começo do anime, as crianças acham cabines telefônicas que tocavam mas, quando os telefones eram atendidos, não se ouvia nada do outro lado. Eu imagino que isto representa as pessoas se conectando na internet discada. O anime está cheio de pequenos detalhes assim, um prato cheio para quem gosta.

A parte técnica de Digimon é muito boa, a julgar pelo número de episódios e pelo público a que se dirige. Os digimons são extremamente variados, com vilões baseados em clássicos personagens de histórias de terror, como palhaços, demônios e vampiros. As evoluções realmente expressam poder, com os monstrinhos ficando mais cada vez mais impressionantes. A grande originalidade dos digimons também é um fator a favor. Dois digimons dificilmente se parecem, embora o estilo de traço se mantenha. Outros personagens, como os humanos, também são bem feitos. Tudo é muito colorido, mas não é algo que choque os olhos. Os efeitos em 3D, apesar de se diferenciarem bastante do traço normal do anime, não destoam do mesmo, pois são muito bem utilizados. Os cenários são um ponto alto também, com direito a muitos detalhes que nos lembram que o mundo em que eles estão é muito diferente do nosso. Os efeitos sonoros são bem feitos, assim como as músicas. Destaque para Brave Heart, música que toca quando os digimons digievoluem, uma daquelas canções que, uma vez ouvida, nunca sai da memória.


Digimon é uma série boa, sim, altamente recomendada para o público mais infantil ou que queira algo leve. Repleta de novidades, com uma qualidade gráfica que transmite o que precisa ao espectador e um roteiro simples mas bem feito, entretém e diverte. Não é uma obra-prima, muito menos um anime tocante ou que permaneça na memória. Mas não é para isto que ele veio: sua função é apenas divertir e distrair o público, e consegue cumprir sua meta.

Heider Carlos


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