quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Dragon Ball Z – O Pai de Goku (Especial)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 31/12/2009

Alternativos: Dragon Ball Z: Tatta Hitori no Seishou Kessen Furiiza ni Chounda Z Senshi Songokuu no Otoosan; Dragon Ball Z Special 1: Bardock The Father of Goku
Ano: 1990
Diretor: Daisuke Nishio
Estúdio: Toei Animation
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 47 min
Gênero: Ação / Aventura / Sci-Fi



Além dos OVAs (animações feitas especialmente para o mercado de vídeo), séries de TV e filmes para o cinema, há também os especiais de TV. São como capítulos separados do anime. Tem orçamento mais baixo que filmes e OVAs, e por isto costumam não ter uma qualidade técnica muito boa. Só são comuns em obras muito longas, e Dragon Ball Z tem três deles (na verdade dois, o terceiro se refere mais a Dragon Ball GT). Estes especiais cobrem partes que não aparecem no mangá nem no anime. E o primeiro destes especiais é sobre o pai do protagonista. Só como curiosidade, o título da obra em japonês é gigantesco. Numa tradução livre é algo como "Dragon Ball Z – Uma Batalha Final Solitária – O Pai do Guerreiro Z Goku que Desafiou Freeza”!

O especial foi produzido em 1990, e dirigido por Akira Toriyama, o criador da obra. Foi exibido no Japão no meio da saga do Freeza, durante a luta contra o esquadrão Ginyu. Mas antes de falar da obra em si, vamos falar da dublagem. Ela foi muito mal-feita! Com erros grosseiros, inclusive troca de nomes de lugares e personagens, além de uma sincronia ridícula. Uma personagem feminina tem voz de homem, o que a faz parecer um travesti. Desde Slayers eu não via nenhuma dublagem tão desprezível. Ficou muito pior que a da série, o que é uma pena.

A história começa com Bardock, pai de Goku, e sua equipe destruindo um planeta. Mas um sobrevivente da raça Kanassan chamado Toolo ataca Bardock, e antes de ser destruído fala que deu a Bardock um dom que também é uma maldição. Bardock seria capaz de ver o futuro, e assim sofrer com as visões da destruição de seu planeta e de sua raça como Toolo tinha sofrido. O filme transcorre até mostrar que Freeza, com medo dos Sayadins, resolve destrui-los juntos com seu planeta. E Bardock, descobrindo a verdade, resolve evitar a extinção de sua raça. Claro que há erros grotescos no roteiro, mas sinceramente não seria Dragon Ball se não tivese. Os Sayadins definitivamente não representam nenhuma ameça a Freeza, se portando mais como dóceis cachorrinhos. Além, disto, Freeza podia ter esperado eles conquistarem o universo para ele antes de destruí-los, sem falar em erros mais grosseiros que não dá para falar sem cometer spoilers. E é bom citar que Dragon Ball – O Pai de Goku tem um rítmo muito melhor que a série de TV.


O especial desaponta em termos técnicos. Para uma história épica e apocalíptica como a da obra, um mínimo de excelência gráfica é exigido. A destruição do planeta é motivo de risadas de tão mal feita, e a economia na animação na luta final faz com que ela perca toda a emoção. As imagens deslocando e as cenas só com as bocas mexendo predominam, e todas as cenas com mais ação são muito repetitivas. O áudio também não é muito inspirado, com as mesmas musiquinhas de sempre. A abertura e o encerramento são iguais aos da fase do anime em que foi lançado, a primeira abertura de Dragon Ball Z, "Cha-la Head-Cha-la". E esta abertura é muito bem feita, assim como o encerramento. É uma pena que a única parte original do áudio, a destruição do planeta Vegeta, virou uma cacofonia chatinha e muito clichê. Ou seja, na parte técnica, quando este especial se destaca, é pela ausência de qualidade.

O roteiro conta com muitos personagens desconhecidos. O protagonista do filme é Bardock, pai do Goku. A única diferença dele com seu filho é uma cicatriz em forma de "X" no rosto. Os outros personagens de mais destaque são membros da equipe de Bardock: Borgos, Fasha, Sugesh e Tora. Além destes há Freeza e seus capangas, e Toolo, membro da raça Kanassan morto por Bardock no começo do especial. Aparece também Vegeta, como uma criança, e Goku como um bebê. Vegeta parece uma versão SD dele adulto, mas já mostra toda a sua arrogância. Nenhum personagem ganha muito destaque fora Bardock, o que é justificável numa obra pequena. A raça Sayadin é melhor definida, mostrando que apesar de serem assassinos de sangue frio, eles são grandes companheiros entre si, e que o orgulho deles não é tão grande quanto o príncipe Vegeta faz parecer, visto que eles se submetem à vontade do Freeza com facilidade.

Com um roteiro repleto de guerras, Dragon Ball Z – O Pai de Goku faz bonito em termos de destruição. Enquanto obras renomadas como Howl’s Moving Castle falam que guerras são más mas mostram só pessoas felizes em campos floridos, ou animes baseados em jogos costumam mostrar guerras como forma de ficar mais poderosos e sair dando pancada, este especial mostra toda a carnificina e insanidade das guerras. Há sangue e morte pra todo lado, mas claro que dentro do limite da idade do público alvo. Ainda assim, é raro uma série ter a ousadia de mostrar batalhas não como algo glamuroso mas, sim, como pessoas tentando apenas sobreviver.

Como os Sayadins não são lá muito bonzinhos, nós acompanhamos toda a história pelo ponto de vista dos “vilões”. E, realmente, não há ninguém digno de muitos louvores. Nem mesmo Bardock, que definitivamente nunca quis nada de muito nobre como seu filho, empenhado a batalhar contra o mal. Bardock simplesmente quer continuar vivo, e não parece ter nenhum peso de consciência por aqueles que mata.


A última parte do filme mostra imagens do Goku, que demonstram a iminência de sua batalha contra Freeza. Foi uma sequência particularmente inspirada, assim como a de como Bardock consegue sua bandana. Pela originalidade e ousadia, este especial é um exemplo de porque Dragon Ball veio a ter toda esta fama. Repleto de erros e problemas, sim, mas ainda assim, com um "quê" especial e original.

Heider Carlos


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