sábado, 27 de dezembro de 2014

Nana Toshi Monogatari (OVA)

Alternativos: Nana Toshi Monogatari ~ Hokkyokukai Sensen ~, Seven Cities Story ~ Arctic Front ~
Ano: 1994
Diretor: Mamoru Kanbe
Estúdio: Animate Film / Studio Junio / MOVIC
País: Japão
Episódios: 2
Duração: 30 min
Gênero: Ação / Drama / Sci-Fi / Guerra



Nem sempre a presença de nomes consagrados na equipe de produção é garantia de qualidade no produto final. Vamos citar alguns exemplos:

-O longa-metragem "Genma Taisen", também conhecido como "Harmageddon", foi produzido pela Madhouse e contou com Rintaro na direção, Katsuhiro Otomo como desenhista de personagens, e o lendário Shotaro Ishinomori (Cyborg 009, Kamen Rider) foi o criador do mangá original.

-"Garzey's Wing", uma série de 3 OVAs de aventura e fantasia da década de 90, foi criado, roteirizado e dirigido por ninguém menos que Yoshiyuki Tomino, a mente brilhante por trás de todo o universo Gundam.

-"Sword for Truth", longa-metragem sobre combates entre samurais e ninjas com alto teor de violência e cenas de sexo bem toscas, tinha em sua equipe nomes famosos como o diretor Osamu Dezaki (Ace o Nerae, Ashita no Joe), o diretor de arte Yukio Abe (Chirin no Suzu, Arashi no Yoru ni) e o "chara designer" Akio Sugino (Legend of the Galactic Heroes, The Fantastic Adventures of Unico).

Nada disto impediu que estas três animações se tornassem o horror supremo encarnado, animes tão ruins que quem os assistiu teve vontade de arrancar os olhos, furar os ouvidos e cometer "seppuku"... Tá bom, tem um pouco de exagero aí, mas chega a ser inacreditável que animes tão execráveis tenham sido criados por profissionais tão talentosos e criativos.

E onde "Nana Toshi Monogatari" se encaixa nesta historinha de abertura? Eu citei "Legend of the Galactic Heroes" agora há pouco -  para facilitar, chamarei-o de "LOGH" de agora em diante - e qualquer pessoa que já tenha assistido a esta incrível série de OVAs sabe que é um dos animes mais fantásticos já realizados, com um enredo complexo e personagens riquíssimos. Então, como não ficar empolgado com "Nana Toshi Monogatari", sabendo que foi baseado num romance de Yoshiki Tanaka, criador dos livros que deram origem a "LOGH"? E ainda contou com grandes nomes na equipe, como Mamoru Kanbe (Elfen Lied) na direção, e Katsumi Matsuda (Spriggan, Steamboy) como desenhista de personagens...

"Caramba, este anime só pode ser sensacional!"

Ahem... vamos segurar a empolgação, ser humano? Frase sábia do dia de Mestre Sloth: "Leia o início da resenha novamente, por favor, e aprenda com o passado." No papel, "Nana Toshi..." realmente tinha tudo para ser incrível, mas há tantas coisas erradas neste anime que fica até difícil começar. Enquanto concateno melhor as idéias neste cérebro de bicho-preguiça, vamos a um breve resumo da história.

No ano 2086, a humanidade viveu o pior pesadelo de sua história. O eixo da Terra girou 90 graus e, num espaço de 3 anos, aproximadamente 10 bilhões de pessoas morreram. Esta tragédia foi chamada de "Grande Queda". No entanto, 1 milhão de colonos que tinham se mudado para a Lua não morreram na "Grande Queda". Em 2088, foi estabelecido o Governo Mundial Pan-Humano.


Três anos depois, para reviver o planeta em ruínas, eles voltaram mais uma vez à superfície da Terra. Sete localizações foram escolhidas para a construção de cidades, de acordo com o clima, recursos naturais e estabilidade do solo. No entanto, enquanto construía estas cidades, o Governo Mundial Pan-Humano também criou um sistema chamado Olympos, com vida útil estimada em 200 anos, para controlar completamente a Terra. Se um objeto de massa e velocidade constantes atingisse ou ultrapasse 500m de altitude, o Sistema Olympos o destruiria imediatamente, usando canhões de laser na lua e satélites militares. E em 2136, o governo lunar perece em função de um vírus desconhecido, levado à Lua por um meteoro.

A história pra valer começa em 2190, quando uma frota naval da cidade de New Camelot faz um ataque surpresa a uma base militar da cidade de Aquilonia. Lideradas por Kenneth Guilford, estrategista considerado um verdadeiro gênio em combate, as tropas de New Camelot não têm dificuldades para tomar a base. Este incidente pode colocar em xeque todo o equilíbrio de forças entre as sete cidades, levando a uma guerra mundial aberta.

Do lado de Aquilonia, o líder Nicholas Bloom sabe que será difícil enfrentar o maior poderio militar de New Camelot. Ele conta com a ajuda de Ryu Wei, um homem calmo que adora cuidar de flores e só quer levar uma vida tranquila, mas que é um excepcional estrategista político. Enquanto Ryu Wei tenta forjar alianças com outras cidades, o Cap. Almarick Aswaer, outro gênio da estratégia em combate, coloca sua própria cabeça em risco ao entrar em choque com seus superiores militares em relação às futuras táticas de combate de Aquilonia.

"Nana Toshi Monogatari" começa extremamente promissor, com um traço excelente, tradicional, bem típico dos anos 90. O desenho mecânico é detalhado, em especial nos navios de combate, e a animação nas cenas de batalha é fantástica na maior parte do tempo. Por se tratar de um OVA, estas cenas são bem fortes, não em função da presença de sangue ou pedaços de corpos, mas pela devastação e quantidade de mortes que acontecem. Por outro lado, a animação fora das cenas de combate é bem simples, algumas vezes inexistente, com um certo abuso de imagens paradas ou repetição de sequências. Interessante também que todos os combates se realizam no mar e em terra, já que combates aéreos seriam imediatamente encerrados com a ativação do Sistema Olympos.

A trilha sonora é um negócio meio estranho. Os temas orquestrais são fortes, imponentes e muito bem produzidos, mas como em grande parte dos OVAs produzidos nos anos 90, há um abuso de temas sintetizados de qualidade duvidosa e produção pífia. Para piorar, a maioria das músicas não combina absolutamente em nada com o que se passa na tela. Pelo menos os efeitos sonoros são incríveis, ajudando a passar toda a sensação de destruição e terror em meio aos combates.

Levando-se em conta a qualidade incrível do enredo de "LOGH", é de se imaginar que o livro que deu origem a "Nana Toshi..." seja muito bom. Infelizmente, dois OVAs de 30min cada são insuficientes para que a história seja narrada da maneira adequada, mesmo que apenas um arco do enredo, o chamado "Front Ártico", seja retratado no anime. Por esta razão, há um abuso de diálogos expositivos, a narrativa é muito acelerada, os dados técnicos são praticamente vomitados na cabeça do espectador, que nem tem muito tempo de absorver o conteúdo adequadamente.

As intrigas e negociações políticas são bobas e confusas, a maioria dos personagens são totalmente caricatos, beirando a burrice completa em alguns casos. Não me lembro de ter visto militares e políticos tão idiotas como neste anime. E chega a ser risível considerar Guilford e Aswaer "gênios da estratégia", já que suas táticas de combate são mais do que previsíveis... se bem que com militares tão ineptos e acéfalos, até uma couve-flor seria considerada genial. Para quem já assistiu a animes com táticas de combate memoráveis, como "Zipang", "Seikai no Monshou / Seikai no Senki" e "LOGH", é muito triste ver uma obra supostamente séria com estratégias tão pueris.



Com pelo menos um momento realmente impressionante - o ataque de New Camelot a uma fortaleza de Aquilonia ao final do OVA 1 - "Nana Toshi Monogatari" tinha tudo para ser uma obra memorável. Ao final, acabou se mostrando um anime fraco e genérico, que vale por algumas cenas de combate, especialmente do OVA 1.


Marcelo Reis


 

2 comentários:

  1. Que bom que vcs voltaram, só vi agora, parabéns pelo trabalho e pelo novo layout e tals, ficou muito bom.


    Eternas saudades do fórum do AH (by Zero_Um)

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    1. Opa, rapaz, tudo tranquilo? :)

      Pois é, a equipe ficou um pouco menor, o ritmo de atualizações continua meio devagar, mas desta vez o site voltou pra ficar mesmo. :)

      Sinto falta do fórum também: muitas discussões bacanas aconteciam por lá. Vamos ver, vou conversar com o pessoal e ver se acham uma boa adicionarmos um fórum novamente.

      Grande abraço!

      Marcelo Reis

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