quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Hobbit (Movie)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 19/01/2012

Alternativos: The Hobbit
Ano: 1977
Diretor: Jules Bass, Arthur Rankin Jr.
Estúdio: Rankin/Bass, Topcraft
País: EUA
Episódios: 1
Duração: 77 min
Gênero: Aventura



O Hobbit é um dos mais conhecidos e aclamados livros infantis do mundo. Seu escritor, J. R. R.Tolkien, definiu um padrão para obras de fantasia que é até hoje inspira muitos atores. E a história é o prelúdio de nada menos que O Senhor dos Anéis.

Uma animação foi feita em 1977 pela companhia de produção Rankin/Bass. O estúdio especializado em stop motion deixou a animação a cargo do estúdio japonês Topcraft, onde trabalhavam alguns dos melhores animadores do mundo. O resultado foi um filme com traço ocidental e com uma animação fluida e bela para um especial de TV.

As diferenças do livro pra animação são muitas. Se muita gente reclamou da ausência do Salgueiro Gigante ou Tom Bombadil na trilogia cinematográfica de Peter Jackson, dá pra imaginar o ódio que os fãs mais extremos de Tolkien devem ter por este especial de TV. Arcos inteiros foram retirados da história e muitos personagens importantes desapareceram. São muitas diferenças, e sites de fãs se dedicaram a cadastrar centenas delas. A maioria são omissões, e não alterações.

Para citar algumas diferenças cruciais, Gandalf, ao enfrentar Trolls, usa uma magia pra fazer com que amanheça instantaneamente. Algo épico pros padrões de praticamente tudo já feito na Terra Média. Tolkien deve se revirar no túmulo toda vez que alguém assiste a esta parte. Não há mais Beorn nem o leilão no Condado. Bard controla a Cidade do Lago, o Mestre não existe na versão animada. E por aí vai.

Gandalf e os 13 anões chegam a uma casa de um Bilbo Bolseiro. Eles contratam (meio a contragosto) o hobbit para participar de uma aventura: matar Smaug, o Dragão. Os anões moravam na Montanha Solitária quando o Smaug chegou, e viviam uma vida de luxo e riqueza. Com o ataque da enorme fera voadora, a maioria dos anões e humanos morreram, e Smaug passou a habitar a montanha, usando o tesouro dos anões e da cidade do Vale como cama. Após anos minerando carvão e passando por dificuldades, os 13 anões conseguiram juntar dinheiro o bastante para a expedição e, liderados por Thorin, resolvem retomar seu lar perdido.

Bilbo ficou bem redondinho. Uma aparência bem edificante para um hobbit, criaturas pacatas e que apreciam fartas e frequentes refeições. Mas Bilbo tem algo diferente dos hobbits normais. Ele tem algo de aventureiro dentro de si, que se revela nas mais necessárias situações. É um bom companheiro, uma pessoa honesta e que gosta dos prazeres simples da vida.

Gandalf é um dos raros magos da Terra-Média. É um grande sábio e motivador, e mesmo que não esteja com Thorin e seu grupo o tempo todo, tem participação fundamental no desenrolar da história.


Os 13 anões estão lá. Mas devido à pouca duração, apenas Thorin Escudo de Carvalho é mais explorado. Os outros acabam tendo suas personalidades ofuscadas, servindo apenas como coadjuvantes. Pelo menos não tiveram seus nomes adaptados para descrever suas personalidades. Se transformassem Bombur em Dengoso, sangue iria rolar.

The Hobbit tem um visual muito bom. Usa e abusa de cores pastéis, mas o estilo caricato não deixa que o filme fique sombrio demais. O traço é sujo e bem característico, o que combina demais com a aura da animação. É um traço bem original, que não segue o estilo das histórias em quadrinhos americanas nem dos mangás. E um bom uso de perspectiva e ângulos interessantes fazem com que a animação, mesmo datada, não faça feio comparada com os especiais de TV padronizados dos dias de hoje.

Os elfos ficaram diferentes das descrições do livro, parecendo mais duendes da mitologia européia. Elrond é mais normal, apesar de ter barba (?!?). Os orcs lembram as criaturas desenhadas por Maurice Sendak, mas mais assustadores e perigosos.

A história é muito boa. The Hobbit não virou um clássico por acaso: as aventuras de Bilbo são muito cativantes e criativas. Ele, os anões e Gandalf têm que lidar com constantes imprevistos, há reviravoltas e muitos problemas pelo caminho. O maniqueísmo é grande mas, mesmo assim, o livro e o especial conseguem tratar de temas como avareza e a arrogância. E coisas importantes para O Senhor dos Anéis aparecem pela primeira vez aqui, como o Um Anel e a “espada” Ferroada.

As músicas são excelentes. No livro há várias referências a canções cantadas por anões e elfos, algumas inclusive com letras. Na animação foi adicionada melodia a estas letras, e o resultado é muito bom. Até as músicas que não estão presentes no livro (como The Greatest Adventure) foram muito bem feitas. O tipo de canção que fica na cabeça por dias, e que quem assistiu deve se pegar cantarolando do nada às vezes.

Foi lançado um vinil com a trilha sonora. Nesta capa, duas coisas se destacam: a primeira é a presença de um Ent, criatura que não aparece no livro O Hobbit, mas em O Senhor dos Anéis. E a segunda é a presença de uma espécie de goblins alados. Eu acho que são borboletas, pois lembram bastante a borboleta que conversa com a unicórnio na animação The Last Unicorn, do mesmo estúdio. Mas é algo bem estranho, já que as borboletas que aparecem em The Hobbit são bem diferentes.

Foi lançada também uma versão do livro The Hobbit com ilustrações do filme. Para esta edição do livro, várias ilustrações novas foram criadas e personagens adicionados em imagens antigas. Por exemplo, há ilustrações de Beorn no livro. E isso provavelmente ajudou a criar o boato falso na internet que uma versão de 2 horas foi exibida nos cinemas, com todas as partes do livro que ficaram faltando. A animação foi feita especificamente para TV, e tem apenas 77 minutos.



É uma animação que certamente matará de ódio os fãs mais extremistas do Tolkien. E tem partes que incomodam (nem que seja um pouco) até os fãs mais tranquilos. Mas o filme funciona. É uma ótima introdução do universo do Tolkien para crianças, e se em alguns pontos deixa a desejar, em muitos outros surpreende pela qualidade.

Heider Carlos


4 comentários:

  1. sinto falta das notas que o publico dava para o anime !!!

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    1. Olá, Bruxyo.

      A nota do público era um recurso realmente interessante, mas como resolvemos tirar as notas dos resenhistas, ficaria meio ilógico manter as notas do público.

      Um grande abraço,

      Marcelo Reis

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    2. Primeiramente Obrigado por reativar o site novamente, fiquei muito feliz em rever as resenhas no site, mas foi as suas notas principalmente e a de alguns resenhistas que mi fizeram assistir grandes classicos que antes eu ignorava simplesmente pelo tração como foi o caso de Berserk e Gankutsuo, duas obras geniais e muito bem resenhadas que poderia ter passado por min despercebido ou no caso de One Piece, cara eu era vidrado em naruto e fiquei besta ao você's daram uma nota baixa para naruto e enquanto para one Piece da uma nota alta, li a resenha mas mesmo assim fiquei sem vontade de ver como um anime como este tem uma nota melhor que Naruto ?? resolvi acompanhar os 10 primeiros episódios eu confesso que no inicio não me empolguei mas depois fui gostando e hoje se tornou o meu anime favorito.Mas se resolveram tirar as notas tudo bem eu entendo, mas foi um recurso muito bom mesmo!!

      E parabéns pelo Retorno !!!

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    3. Pois é, as notas realmente ajudam a dar uma orientação inicial em relação à qualidade do anime, mas como elas começaram a ser mais nocivas do que benéficas - para os resenhistas, principalmente - preferimos realmente nos focar no conteúdo.

      Existe a possibilidade de adicionarmos algum tipo de referência, tipo os tomates frescos/podres do Rotten Tomatoes, mas por enquanto é só uma possibilidade mesmo. :)

      Abração e, mais uma vez, valeu pelo comentário!

      Marcelo Reis

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