quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Record of Lodoss War (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 04/07/2008

Alternativos: Record of Lodoss War - Chronicles of the Heroic Knight; Lodoss Tou Senki: Eiyuu Kishi De
Ano: 1998
Diretor: Hitoyuki Matsui
Estúdio: AIC
País: Japão
Episódios: 27
Duração: 25 min
Gênero: Aventura / Drama / Fantasia



Atenção: O anime se passa depois dos OVAs. Portanto, para quem não assistiu aos 13 OVAs, o texto tem Spoilers. Estejam avisados.

O anime "Record of Lodoss War : Chronicle of the Heroic Knight", derivado do mangá homônimo já disponível no Brasil, começa 5 anos após a morte de Ghim e o fim da Guerra dos Heróis. Parn vive com Slain e Deedlit numa vila, que não responde à autoridade de nenhum rei. Enquanto Slain ensina crianças a ler e treina Cecil, Parn é o defensor da vila e Deedlit acompanha seu amado (lógico, né? ^^) O personagem dos OVAs que mais mudou foi Parn, que amadureceu bastante. Ele se torna um cavaleiro livre para poder defender os injustiçados, e não a vontade de um rei. É legal também o fato de ele ter virado uma verdadeira lenda, algo bem merecido. Como os OVAs são baseados no RPG "Dungeons and Dragons", vê-se notável semelhança entre Parn e os paladinos, classe de guerreiros que lutam pela justiça. O destino de Etoh é uma agradável surpresa (não vou contar, surpresa! :P), e a grande maioria dos personagens já clássicos aparecem neste anime. Os debutantes também são muitos: Spark, um cavaleiro em treinamento que sonha em ser tão forte quanto Parn, só que ele é bem mais atrapalhado e nervoso que seu ídolo; Neese, filha do Slain com Leylia (antiga Karla), chata e cansativa, a típica menininha certinha de animes, clichê até a alma; Leaf, uma meio-elfa simpática mas estourada que é apaixonada por Spark; Cecil, humano treinado por Slain para ser mago mas que, na verdade, tem vocação é para ser guerreiro; Aldonova, um mago enorme designado por Slain para ajudar e proteger Spark; Garrack, mercenário contratado para ajudar Spark também; Greevus, um clérigo (uma espécie de padre que luta e cura) do deus da guerra que decide acompanhar Spark por vontade própria; Ryna, uma ladra que se junta ao grupo; e Maar, um "grasshunter". Maar é como um elfo, só que do tamanho de uma criança e com vocação para bardo. Há muitos vilões também, mas o destaque vai todo para Ashram, Pirotess e Wagnard.

A história se divide em duas partes: a primeira conta as aventuras de Parn para tentar deter Ashram, que almeja roubar o Cetro da Dominação, e a segunda é basicamente Wagnard tentando sequestrar Neese para ressuscitar Kardis, deusa das trevas. Sim, você já viu isto antes. Dezenas de idéias são ”reaproveitadas“ dos OVAs, o que resulta numa obra vazia, sem graça, repetitiva. Orson e Shiris são colocados como se nunca tivessem conhecido Parn e seus amigos, e há mudanças em pontos fundamentais da história dos OVAs como na luta dos dois reis na Guerra dos Heróis (no anime, a luta é entre Kashue e o rei de Marmo). O motivo destas mudanças não é dado. Simplesmente quiseram mudar e pronto. Os vilões são reciclados. São inseridos muitos novos, que têm estilo e são poderosos, mas que no fundo só estão lá para lutar e morrer, quase não tendo falas nem participação. ”Ressuscitar“ Pirotess e Ashram provavelmente foi por insistência dos fãs, já que eles são muito carismáticos e têm um romance extremamente convincente, mas o retorno deles ficou muito forçado. O mesmo pode-se dizer de Wagnard. É chato ver que, no fundo, tudo é mais do mesmo. A narrativa é interessante, embora seja um pouco tediosa para quem viu os OVAs, e as batalhas são bem feitas. A destruição neste anime está numa escala enorme, graças ao poderoso Parn e seus amigos, e ao apelão Ashram e seus capangas. Da até dó dos dragões neste anime. O que faz a história brilhar mesmo são os personagens secundários. Muito mais convincentes e divertidos, roubam a cena sempre que aparecem. Maar é uma graça, Cecil é um personagem carismático, o relacionamento de Ryna com Garrack é muito interessante. Mas, no geral, o grande problema da história é a falta de ousadia.

A parte técnica é muito paradoxal. Há altos e baixos em tudo. Pelo menos o "character design" dos personagens é bonito. Personagens novos, como Cecil e Maar, são geralmente belos e bem feitos, utilizando-se de um estilo clássico, e os personagens que não têm muita beleza física, como Garrack e Leaf, têm um estilo todo legal. A exceção fica por conta de Neese e seu cabelo, que parece que vai comer seu rosto. Alguns personagens antigos tiveram seus traços reformulados, como Parn, que está parecendo o Gambit dos X-Men. O problema fica por conta de Pirotess. Uma das mais belas personagens dos animes ficou uma perua, o que fizeram chega a ser um pecado. O traço do desenho em geral mudou muito em relação aos OVAs. Uma queda de qualidade já era esperada, mas a série perdeu todas as suas características. Não há mais um tom pálido, nem traços finos e delicados. Em compensação, a abertura é maravilhosa, toda bem trabalhada. A trilha sonora é bela, mas a dublagem é horrível. A boca e as falas nunca estão em sincronia, o que é muito desagradável para quem assiste. Também não são os mesmos dubladores dos OVAs, o que, em alguns personagens, gera uma gigantesca e desagradável diferença.

Há uma agradável surpresa, no entanto. No final de cada episódio há um especial chamado "Welcome to Lodoss Island", com historinhas de humor feitas inteiramente em SD. Estas, sim, são ótimas. Engraçadas e bem feitas, têm uma inocência e carisma enormes, em especial nas caretas e nos personagens SD. É com certeza a melhor parte de todo o anime, e aumentou consideravelmente a nota desta review. O pequeno dragão cor-de-rosa é uma graça, e Spark e Parn são muito engraçados em suas ”demonstrações“ de força.



"Record of Lodoss War: Chronicles of the Heroic Knight" não é um anime completamente ruim. Em alguns momentos é até divertido e empolgante. O grande problema é que ele não chega nem perto do seu predecessor, o roteiro é uma cópia descarada em algumas partes, e não merecia carregar o nome Lodoss. No final, é só mais um anime caça-níqueis entre tantos outros no mercado.

Heider Carlos


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