quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

The Last Unicorn (Movie)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 04/12/2010

Alternativos: O Último Unicórnio
Ano: 1982
Diretor: Jules Bass / Arthur Rankin, Jr
Estúdio: Rankin/Bass
País: EUA
Episódios: 1
Duração: 92 min
Gênero: Fantasia



Peter S. Beagle é um não-tão-conhecido autor de livros de fantasia. Além de escritor, é roteirista, tendo inclusive escrito um episódio de Star Trek: Next Generation e a adaptado para animação do livro O Senhor dos Anéis, lançado em 1978. Seu mais famoso livro é, sem dúvida, The Last Unicorn. Infelizmente não há uma versão dele para o nosso idioma, nem de nenhum de seus outros livros. O próprio escritor produziu a roteiro para a animação que, depois de negociações, foi finalmente produzida.

O filme foi feito pelo estúdio Rankin/Bass em 1982. A empresa era especializada em "stop-motions", e as partes de animação tradicional ficavam por conta de empresas japonesas, como a gigante Toei Animation, Crawley Films and Mushi Production, e também o estúdio TopCraft, do qual se originaram muitos artistas do famoso estúdio Ghibli. Um time de responsabilidade, que conseguiu fazer um belo trabalho.

A história gira em torno de uma unicórnio-fêmea sem um nome definido, que no decorrer do filme é transformada por acidente em uma humana, recebendo o nome de Amalthea. Após descobrir que ela é o último unicórnio do mundo, abandona a segurança de sua floresta para tentar descobrir o que aconteceu com os outros. No caminho encontra um mago fracassado, chamado Schmendrick; um fora-da-lei chamado capitão Cully e sua amásia, Molly Grue, que lideram um grupo de foras-da-lei que vivem à sombra da lenda grandiosa de Robin Hood, mas sem a mesma glória nem princípios. Conforme a trama se desenrola, eles conhecem também o angustiado rei Haggard e seu filho, o bravo príncipe Lir. Explicar mais das relações entre os carismáticos e profundos personagens seria acabar com boa parte da graça do filme. Os personagens realmente convencem, tanto pelo trabalho de dublagem como pelas atitudes que tomam. Não são os heróis perfeitos tão comuns em filmes de fantasia. São criaturas extraordinárias em um mundo extraordiário, mas tão falhas e imprevisíveis quanto qualquer um.

É bom notar como o roteiro se desenvolve. Beagle usou os clichês do gênero de fantasia de maneira genial, ora ridicularizando, ora enaltecendo. Para citar apenas um exemplo: o príncipe Lir, apaixonado pela Unicórnio transformada em humana, conversa com Molly Grue:

-E então, ele olhou para mim e me deu pena de tê-lo matado. Eu, com pena de ter matado um dragão! 
-Alteza, creio que você deveria tentar mais alguma coisa.
-Mas o que resta na Terra que não já tenha tentado? Gigantes, ogros, cavaleiros negros, façanhas terríveis, enigmas fatais! Molly, por ela me tornei um herói, mas meus grandes feitos não significam nada para ela.

É impossível para qualquer um acostumado aos contos de fadas não esboçar um sorriso ao ver o desesperado do príncipe, sem coragem de se declarar e partindo em "missões heróicas" sem sentido para tentar ganhar a atenção de sua amada. O filme é todo recheado de diálogos deliciosos, que agradarão ainda mais aos fãs de histórias de fantasia, mas que são bons o bastante para cativar qualquer pessoa.

Vendo apenas as "screenshots", é fácil pensar que é uma obra voltada a crianças, especialmente meninas, algo como Barbie ou os filmes de princesas da Disney. O traço é leve, graças a ausência de um contorno escuro em muitos personagens, principalmente na unicórnio. Em movimento, é muito bonito e fluido. A animação é bem feita, e embora falte uma boa sincronia labial, a movimentação dos personagens é convincente. Entretanto, o clima geral é bem sombrio. Não com sangue rolando por todos os lados, mas de uma tristeza pura, de perdas. E este clima é muito bem capturado no conjunto arte, dublagem e música.

Falando da trilha sonora, ela é muito boa. Executadas pela famosa banda America, as músicas combinam com cada cena do filme, e são bem marcantes. É interessante que muitas delas fazem parte da história, e servem para apresentar uma faceta do personagem, como as incertezas da unicórnio transformada em humana. A dublagem é excepcional, feita por nomes como Mia Farrow e Christopher Lee, entre outros atores e cantores. O resultado final é incrível, e certamente convence.



The Last Unicorn é um filme único, que fugiu das armadilhas do gênero e ganhou profundidade. É uma pena que não seja mais famoso. O final é diferente do que normalmente se vê por aí, mas contar seria estragar a surpresa. Para quem quiser saber mais sobre os personagens, o próprio autor escreveu um conto que funciona como uma continuação, chamado Two Hearts. Ele disse que fez algumas outras histórias ligadas direta ou indiretamente ao livro, mas se elas serão publicadas, ainda é um mistério. O que é uma pena, já que os personagens certamente deixam saudades.

Heider Carlos


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