sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Bakugan Battle Brawlers (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 10/12/2010

Alternativos: Bakugan - Guerreiros da Batalha
Ano: 2007
Diretor: Mitsuo Hashimoto
Estúdio: TMS Entertainment
País: Japão
Episódios: 52
Duração: 25 min
Gênero: Ação / Comédia / Infantil



Brinquedos como robôs e criaturas de combate sempre estiveram presentes nas prateleiras infantis de qualquer época. Mas o que me impressiona agora é a adição de ”inteligência artificial“ a esse tipo de brinquedo, dando-lhes a capacidade de criar laços de profunda afetividade e amizade com seu detentor.

Produzido em 2007 por TMS Entertainment, Bakugan Guerreiros da Batalha é mais uma série infantil feita visivelmente nos mesmos moldes de outras produções bastante conhecidas como Yu-Gi-Oh! e Digimon, ou seja, personagens que lutam contra outros oponentes através da utilização de objetos/seres específicos para essa finalidade – promover disputas e conflitos entre seus possuidores, mas sempre com temática infanto-juvenil. A produção do anime foi confeccionada pelo estúdio TMS em conjunto com a Sega Toys, divisão de brinquedos da Sega-Sammy Holdings, que curiosamente também controla o estúdio TMS.

Os personagens são quase majoritariamente crianças, e seguem um traço bem genérico e sem muitos destaques. Cores vivas e cenários pouco chamativos em detalhes definem bastante a parte visual. Os movimentos não são muito fluidos, e há poucos quadros de animação. Os ângulos de câmera também não merecem destaque, mantendo o padrão ”genérico“. Há uma constante reciclagem de animações durante toda a série, algo até perdoável numa série televisiva. Há irrestritos efeitos especiais 2D e alguns 3D, mas não são suficientes para melhorar a qualidade visual geral do anime.

As (poucas) músicas também não recebem destaque, assim como os efeitos sonoros, que apenas cumprem o seu papel de ”fazer parte da paisagem“.

Bakugan é um jogo destinado a crianças em que seus jogadores utilizam-se de pequenos robôs articulados em formato de esfera cujas ações são combinadas com a utilização de cartas especiais. Para se promover uma batalha , um portal dimensional é aberto e seus participantes são transportados a esse mundo paralelo enquanto o ”mundo real“ fica pausado até a conclusão da batalha. Na dimensão paralela, os jogadores abrem campos de batalha com a utilização de determinadas cartas, em que os Bakugans, como são conhecidos os robozinhos, se personificam nos personagens/animais aos quais retratam e disputam batalhas através de ”pontos de força“, em que cada golpe desferido no oponente retira-lhe pontos. O vencedor é declarado quando os ”pontos de força“ de um dos oponentes chega a zero. Há várias habilidades e funções que podem ser acionadas com a utilização de demais cartas por cada competidor e suas devidas estratégias.


Enquanto em algumas séries, como Yu-Gi-Oh!, há uma explicação hiper-detalhada sobre cada movimento executado ou não pelos competidores, além da quase necessidade de utilização de uma calculadora para cada monstro colocado no campo de batalha, em Bakugan não há essa obsessão. Mesmo acompanhando a série do começo, o espectador pode ficar perdido em alguns acontecimentos durante o jogo, já que os pontos de força parecem ser algumas vezes apenas figurativos, visto que a ação física dos monstros são bem mais importantes para a definição da batalha do que as contagens de pontos. É comum um personagem perder depois que ”descobre“ que sua pontuação chegou a zero, enquanto durante as batalhas, por mais longas que sejam, ninguém parece se preocupar realmente com isso. Quando as lutas acontecem nos mundos paralelos de Vestroia, essa contagem de pontos sequer existe.

A construção psicológica dos personagens também é fraca, seguindo modelos pré-prontos e de baixa profundidade, e como esperado, a história também é batida e insossa: o bakugan Naga quer se tornar o mais poderoso de todos, causando sérios problemas nos mundos paralelos de Vestroia, e somente Dan e seu bakugan Drako, com a ajuda de seus amigos e seus respectivos Bakugans, podem detê-lo e restaurar a paz. Outros inimigos, como Hal-G e o Mascarado, aparecem principalmente para aumentar o número de episódios.

Os Bakugans normalmente se apresentam em formatos de animais ou de monstros, variam bastante de tamanho e alguns são dotados de personalidade própria, capazes de conversar, tomar decisões e demonstrar sentimentos. Não há clareza quanto a esse aspecto, mas é bem provável que os Bakugans sejam dotados de alma, visto que eles são arrastados para a ”dimensão da morte“, sem direito a retorno, quando perdem alguma batalha em que ”cartas de morte“ sejam utilizadas nos campos de combate. Pode parecer um detalhe irrelevante, mas isto os eleva do patamar de ”coisa“ para o de ”ser vivo“... E tem razão, é irrelevante mesmo. xD

Como se não bastasse, a história é recheada de capítulos que não mudam em absolutamente nada o andamento da história, estando ali apenas para aumentar o número de episódios. O enredo também sofre de possível anorexia criativa, visto que as motivações para gerar conflitos e as demais histórias ”pano de fundo“ são muito manjadas e previsíveis, com finais óbvios e que as vezes parecem levar a nada. E como não poderia deixar de faltar, há aqueles ”incríveis“ campeonatos mundiais, explicações ”deslocadas“ e batalhas épicas cujos resultados podem definir o futuro da humanidade.



Bakugan Guerreiros da Batalha poderia ser um anime muito interessante, mas sua quase total falta de originalidade, criatividade e os seus muitos problemas o fazem perder (ou na pior das hipóteses, empatar) a briga contra outros animes inevitavelmente parecidos que já estão na estrada há um longo tempo. Mesmo assim, parece que os resultados da luta agradaram bastante os produtores, pois foram lançadas duas novas temporadas – New Vestroia e Gundalians Invaders, esta última confirmada para 2010 – até o fechamento desta resenha.


Emanuel Silva Sena


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