sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Bleach Movie 3 (Movie)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 05/06/2010

Alternativos: Bleach Movie 3 – Fade to Black, I Call Your Name
Ano: 2008
Diretor: Noriyuki Abe
Estúdio: Pierrot
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 94 min
Gênero: Ação / Aventura / Shounen



Em seu laboratório, Kurotsuchi Mayuri sente a presença de um invasor do lado de fora de seus aposentos. Um estranho objeto luminoso desabrocha de dentro de uma espécie de flor, despertando a sua curiosidade. No momento em que ele pega o objeto, um estranho aparece e ataca Mayuri com sua foice. Porém, aparentemente nada acontece, até que o grande cientista deixa de reconhecer sua subordinada e começa a fugir com medo. Sua aparente loucura o faz fugir de todos por não reconhecer ninguém, e seus atos começam a trazer a destruição para o laboratório. Alertas de emergência soam, pois partículas espirituais começam a se concentrar em um só local, transformando-se em um tipo de fluido que acaba encobrindo e paralisando grande parte das pessoas da Seireitei. O caos está à porta, ainda mais quando uma garota loira chega frente de Rukia com as palavras: ”Apagarei a sua existência“, e em seguida, o outro estranho a ”ceifa“, assim como fez com Mayuri, e a levam embora.

O terceiro filme de Bleach com certeza é o melhor dentre os já lançados anteriormente. Logo no início, observa-se um tom mais dramático em relação aos outros e, dessa vez, o enredo circula em torno de Rukia, que não fez participações tão marcantes anteriormente mas, desta vez, foi muito cativante e desenvolveu-se muito bem. Mas mexer com as memórias em Bleach é simplesmente dizer que vamos ver drama e vamos deixar a ação um pouco de lado. Funciona!

Após esses acontecimentos, Ichigo tem uma estranha sensação e, por um momento, não se lembra de Rukia, sendo que nos seus sonhos acaba recuperando as memórias. Sua conversa com Urahara Kisuke sobre Rukia faz Ichigo perceber que não é só ele que se esqueceu dela. Urahara acha estranho tudo isso e liga o fato com a destruição recente da Seireitei e prepara um portal para Ichigo que vai até a Soul Society, junto a Kon. Porém, todos tratam Ichigo como um intruso e o atacam. Não se lembram nem dele nem de Rukia. Até mesmo Renji e Byakuya não lembram. Como Ichigo vai resolver esse grande problema? Onde está Rukia e quem são os que a levaram? E por que apenas ela?


Em todos os filmes de Bleach percebe-se uma linha parecida no enredo: sempre há alguma coisa ligada às memórias, sendo que a diferença dessa vez foi a maneira primorosa como isto foi feito. É muito forte ter que tocar na existência de alguém e fazer com que todas as pessoas que estavam ao seu redor se esqueçam desse alguém. O próprio enredo se encaixou nos acontecimentos e praticamente não há furos. É perigoso tocar em memórias, ou em questões de tempo e espaço (em outros casos), mas Fade to Black segurou as pontas e não decepcionou.

Outra coisa legal de se ver é o fato dos ”inimigos“ da vez não serem aqueles estereótipos que sofrem complexo de dominação global. Dois inimigos que têm seus interesses pessoais e suficientemente explicados ao longo do filme. Não gostaria muito de falar mais sobre eles pra não contar demais mas, de antemão, adianto que são personagens bem caracterizados emocionalmente e carismáticos. Falando em carisma, Kon, que nem aparecia bem nos filmes, dessa vez passa o tempo todo ao lado do Ichigo, dando forças e adicionando um toquezinho de humor. E parece que, dessa vez, pararam de tentar encaixar os amigos da cidade de Ichigo, até porque ninguém sentiu falta deles mesmo, ao contrário dos capitães do Gotei 13, que foram bem apresentados (exceto poucos), com batalhas ainda mais diversificadas dessa vez e com mais ataques em grupo. Afinal, quem não gosta de ver Yoruichi e Soi Fon lutando juntas? Os experientes Ukitake e Kyoraku? Ou os já manjados Ichigo e Renji? E quem não gosta de ver Zaraki Kenpachi sozinho em ação?

Tecnicamente, o anime está perfeito. Traços muito bem desenhados e detalhados, além de movimentos bem feitos. Nada de extraordinário, lógico, mas dignos pra um filme. Na parte do som, as músicas de Shiro Sagisu. já conhecidas na série de TV, são postas no filme, algumas com leves modificações instrumentais, outras não, além de músicas inéditas, como as orquestrações das batalhas no clímax do filme. A trajetória do enredo é firme, concisa e linear, suficiente para um entendimento completo do enredo, que é simples, mas dramático e bem triste. Pode-se afirmar com exatidão que o ponto alto do filme foi o enredo bem escrito e dramático.



Depois de assistir a esse filme, os fãs mais exigentes e que dão valor a enredos bem contados, além de meras batalhas, vão se felicitar vendo que nem todos os filmes de Bleach parecem ser uma tortura ou perda de tempo. Filmes baseados em séries de anime dificilmente chegam a um patamar tão bem posicionado quanto este, e Bleach precisou ”errar“ duas vezes para poder chegar a Fade to Black, que merece muitos aplausos. Por fim, chegamos então a uma considerável conclusão: Nem só de lutas vive Bleach!


Marcos França


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