sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Bokurano (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 04/10/2008

Ano: 2007
Diretor: Hiroyuki Morita
Estúdio: Gonzo
País: Japão
Episódios: 24
Duração: 23 min
Gênero: Drama/Mecha



Quinze crianças participam de um acampamento de verão na praia e encontram, numa caverna, um cientista chamado Kokopelli as convida para participarem do seu novo jogo. As crianças acabam sendo convencidas a jogarem o tal jogo e aceitam, menos uma. Em seguida, percebem que agora pilotam um mecha com a seguinte missão: derrotar o oponente que aparecesse na sua frente, com o intuito de proteger a Terra. Todos acham que é apenas um jogo virtual, mas logo descobrem que suas vidas estão totalmente ligadas ao robô. E descobrem mais: a cada missão cumprida, o piloto morre, e se perderem, a Terra seria destruída... É nesse dilema que as crianças passam a viver o resto de suas vidas.

É difícil comentar sobre o anime em questão sem contar o fato principal da história (não se preocupem, não há spoilers). O robô (chamado de Z-Earth) é movido pela energia vital da pessoa que o controla, ou seja, infelizmente, ao final da luta, uma vida se esvai. É um fato triste, lamentável... Não, não me refiro à morte deles, me refiro ao fato de que, a cada episódio, uma criança morre. Antes que ela lute, uma pequena parte da sua história é contada e mostra-se os últimos acontecimentos antes da triste batalha (seus dramas, sua personalidade, suas motivações) fazendo com que cada personagem tenha o “seu episódio”, digamos assim. Ou seja, antes que nos acostumemos até mesmo com o nome ou o rosto de determinado personagem, ele morre... E quando você realmente começa a se acostumar com alguém é porque vários episódios se passaram e esse alguém ainda não foi “sorteado”.


Por mais que a história em si seja interessante (e acredite, ela é), o personagem não se desenvolve suficientemente a ponto do espectador se importar com ele, e pior ainda, a criança morta fica esquecida pelas outras crianças, como se a história seguisse um rumo de “continuemos adiante e esqueçamos o passado”.

O enredo (diplomático e político diversas vezes) perde o rumo e a velocidade com freqüência e não mantém um ritmo estável. Um grande mal do anime foi realmente mostrar a “vida” de cada criança apenas em um único episódio, ocasionando uma reação em cadeia quando esse fato se une ao traço irregular dos personagens, do design dos robôs e das próprias lutas entre eles, monótonas, bem monótonas.

Apesar do desastre no quesito visual e no desenvolvimento, o enredo é novo (embora a quantidade de crianças no início, a questão de “outro mundo” e os próprios personagens façam lembrar vagamente Digimon), o estiloo visual do anime caiu bem para o tipo de história, que possui um clima muito interessante e com um ar dramático, nos fazendo pensar sobre as questões sociais e políticas que envolvem as crianças e os próprios habitantes da Terra. A trilha sonora é agradável e dá uma sensação apocalíptica, aquela sensação de que “algo vai acabar triste e drasticamente”.



Bokurano pode ser considerado um anime banal, que não contribui muito em nada. Se você pretende assistir, aviso que é preciso ter paciência e disposição, pois a monotonia é grande. Quem gosta de emoção, ação ou histórias bem desenvolvidas entre os personagens deve passar longe de Bokurano. Mesmo que o enredo, aos poucos, nos faça entender o real motivo de cada batalha, não espere nada do final. A recompensa é insuficiente.



Marcos França


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