terça-feira, 22 de novembro de 2016

Cilon Mello


Cilon Mello é um rapaz com as habilidades sociais de um panda no zoológico da China (e meio que a aparência também). Enquanto eu concordo que isso não compõe o predicado mais interessante para se ler, nas horas vagas ele também é escritor de ficção-cientifica (mais sobre isso em breve), e assiste anime desde um tempo estranho em que as pessoas efetivamente pagavam para levar spoiler na cara.

Pense nisso por um momento: não é bizarro que houve uma época em que o carro-chefe das vendas de revistas sobre animes era soltar spoiler? Tempos loucos, eu digo, tempos muito loucos. E nestes tempos insanos ele já estava lá, contrabandeando fitas de VHS (pergunte ao seu avô o que é isso) para assistir FLCL e o OVA de Rayearth. Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos…

Então Cilon diria que aprendeu alguma coisa sobre a nobre arte oriental de animar papeizinhos com acetato que, se vocês permitirem, gostaria de compartilhar com vocês. E ele também mandou dizer que prometeu que nunca mais vai falar de si mesmo na terceira pessoa!

Um grande abraço, e não se esqueçam: Medo é liberdade! Controle é alívio! Contradição é verdade! Essa é a realidade deste mundo! (uma banana esquentada no micro-ondas para quem pegar a referencia).


TOP 10 (não em ordem de preferencia)

ONE PUNCH MAN

Por anos nerds discutem quem é mais poderoso: Goku ou o Superman. Tipo discussões enormes sobre algo que, se você parar para pensar, é muito bobo. A animação da webcomic do misterioso One (esse é o pseudônimo do cara) transmite muito bem de que essa coisa de super caras super poderosos e super supers é uma galhofada só. Adicione inúmeras referencias aos clichês de mangas e quadrinhos e temos diversão para a família inteira.


SHINSEKAI YORI

Em um estilo artístico estranho – que lembra uma mistura de estúdio Ghibli com Digimon - imagine se juntássemos na mesma panela Fallout, Akira e Admirável Mundo Novo. O resultado é um cenário pós-apocalíptico psíquico com uma sociedade fundamentalmente perturbadora. O anime não deixa a bola cair, é um horror com drama de mistério, acompanhando a vida de um grupo de pessoas nessa sociedade, desde a infância até o fim da vida, e como elas mudarão esse mundo para sempre. Não poderia ser mais épico nem que tentasse.


KILL LA KILL

O que tem em comum a origem da vida na Terra, o mundo da alta costura e a hierarquia social da escola? Eu prometo também que essa história também tem uma quantidade abusivamente ofensiva de nudez, sangue e batalhas para impedir o apocalipse. Bote na conta também uma comédia sobre o cotidiano colegial japones só que com metaforas de anime de luta (imagine tipo Glee japones mas com torneios de luta no lugar, e seus clichês no lugar da música). Estamos falando de um anime que tem frases como “Ela realmente acreditava que as pessoas e as roupas podiam não ser inimigas”. Se ficou interessado mas não entendeu como uma coisa dessas pode ser possível, então é sinal que você está pronto para conhecer um dos melhores animes de 2013: Kill La Kill.


PUELLA MAGI MADOKA MAGICA

Uma das histórias mais velhas dos animes: menina encontra criatura mágica, ganha poderes que envolvem vestidos rendados e derrota o mal. Já foi feito antes, será feito novamente. Mas e se, veja bem, E SE, alguém fizesse uma história sobre isso mostrando as reais implicações desse cenário? Como seria a vida de uma pré-adolescente que enfrenta a morte certa toda noite, para ir na escola de manhã no dia seguinte? Como uma pessoa assim tem amigos, estuda ou sequer funciona como ser humano? DICA: não funciona.

Se você nunca ouviu falar em “desconstrução de gênero”, Gen Urobuchi dá uma aula psicodélica sobre o que é isso.


NEON GENESIS EVANGELION

Falando em desconstrução de gênero, não podia não falar desse. O Marcelo Reis diz que RahXephon é um dos animes mais injustiçados do mundo porque faz tudo que Evangelion faz só que melhor, mais profundo, mais organizado. Eu concordo. A produção de Evangelion é uma bagunça, o roteiro precisa de uma baita revisada (tanto que estão os filmes aí), e a narrativa tem mais pontas soltas que trabalho de escola infantil.

Apesar disso, ou talvez justamente por causa disso, eu acabe me afeiçoando mais a Evangelion. Ele não é um bom anime, ele é um anime confuso, desorganizado, com excelentes ideias, porém execução questionavel. Como eu era quando conheci esse anime, ou seja, um adolescente. Talvez por isso eu tenha uma ligação maior com esse daqui, representatividade mano!


THE GHOST IN THE SHELL (filme)

Falando em animes que eu gosto mas não posso dizer que são bons, aqui está o melhor exemplo possível. Narrativamente eu não posso dizer que GitS é um bom filme. Ele termina e você fica com a sensação incomoda de “E aí? É só isso?”. Tanto que a produção hollywoodiana vai fazer uma adaptação grande para GitS ser um filme de verdade, com começo, meio e fim, seguindo a estrutura da jornada do herói e tal tal tal.

Mas quer saber? Eu meio que gosto de como ele é. Obras de arte nem sempre precisam fazer sentido ou serem tecnicamente perfeitas, o que elas precisam é te mostrar um ponto, te fazer questionar ou apenas te propor algo que você nunca tinha pensado, de uma forma que você nunca tinha pensado. Nesse sentido, “O Fantasma do Futuro“ (eita tradução ruim, que se alguma forma conseguiu ser piorada para “O Vigilante do Amanhã”) é arte, sim. E da boa.


YU YU HAKUSHO

Douglas Adams escreveu que existe uma pergunta fundamental que, quando for respondida, fará o universo deixar de existir e um muito mais estranho surgir em seu lugar. Eu tenho para mim que essa pergunta é “qual é a tradução do nome desse anime, afinal?”.

Brincadeiras a parte, eu acho que seria injusto não colocar aqui um dos animes da Manchete dos anos 90. Eu sequer estaria escrevendo esse texto se não fosse por eles e, convenhamos, a obra de Yoshihiro Togashi é a melhor delas. Mas por um caminhão carregado de bananas inflamáveis de distância. Tem um desenvolvimento de personagens surpreendente para a época (ao menos nesse estilo de anime), trilha sonora inspirada, boas lutas e não é abarrotado de fillers. Tem até algumas questões existenciais, veja só você. Dos animes da TV aberta dos anos 90, Yu Yu Hakusho provavelmente é o único que eu aguentaria assistir novamente. E Bucky, porque aquela joça é divertida de tão estranha.


JOJO’S BIZARRE ADVENTURE

Suas próximas palavras serão: “Não acredito que esse anime está nessa lista!”

Bem, falando em animes de luta, taí um que é uma obra-prima. Pense comigo: o quão sério pode ser realmente uma coisa em que dois armários de 2 metros de altura por dois de largura se soqueiam besuntados em suor pelo destino do mundo? Bem pouco, eu diria.

Absolutamente nada, diria Hirohiko Araki. Um dos mangás mais influentes de todos os tempos levou quase 30 anos para ser adaptado adequadamente para a televisão: porém, quando foi feito, transportou toda sua bizarrice, falta de se levar a sério e fabulosidade do material original. A bizarra aventura da família Joestar é tipo uma mistura de novela mexicana com filme de ação dos anos 80, sua única regra de construção de cenas é: “Qual a coisa mais máscula e bizarra que pode acontecer a seguir?”. Existem obras que são infinitamente boas de tão ruins que são, e Jojo é o rei de todas elas.


FATE/ZERO

Até onde premissas de anime vão, poucas conseguem ser melhores do que essa. A cada quarenta anos, as mais poderosas famílias de bruxos do mundo se reunem em uma cidade para disputar o Cálice Sagrado, um item capaz de realizar qualquer desejo. E como eles lutam? Cada família invoca um campeão da história da humanidade (alguns foram caras tão fodas que se tornaram parte da mitologia, como Gilgamesh ou Hércules) e lutam até a morte em um estilo Jogos Vorazes. Se você queria um motivo para ver o Rei Arthur sair na mão com o Barba Azul, a série Fate é a sua pedida.

O problema é que a ideia genial da Visual Novel foi adaptada para o anime com doses cavalares de sangue e dor, mas para o espectador. Sério, Fate/stay night é muito ruim. Tipo muito mesmo. Seria o caso então de apenas outra genial ideia desperdiçada se não fosse terem dado na mão de Gen Urobuchi (vide Madoka Magica ali em cima) carta branca para escrever uma prequel desse cenário.

Esse é FATE/Zero, e é lindo.


DIGIMON ADVENTURE

Para encerrar minha lista, um anime infantil. Mas não qualquer anime infantil e, sim, o melhor de seu gênero. A primeira aventura dos digiescolhidos na terra dos Tamagochis é uma animação bastante boa mesmo para os padrões de hoje.

Simplista, como o genero exige, mas com boa construção de personagens, boas lutas, personagens carismáticos e uma trilha sonora inspiradaça. É um anime em que as crianças lutam contra o mal ao mesmo tempo que tem problemas de criança de verdade (meus pais estão se separando, eu não quero ser responsável por cuidar da minha irmã mais nova quando meus pais estão fora, ou apenas querer ir pra casa). Adicione a isso um cenário surreal, uma boa sensibilidade na hora de contar a história e temos uma "Pedra de Rosetta" do seu gênero.


MENÇÕES HONROSAS

DEATH NOTE

Uma ideia genial aliada a uma direção tão inspirada quanto. Sério, Death Note não é um anime de ação, porém é editado como se fosse, o resultado é ótimo. É um bom anime introdutório, mas um pouco mais de calo nesse oficio e você não consegue deixar de notar como alguns personagens são porcamente escritos, ao ponto de estragarem a imersão na coisa toda, e todo o arco final deixa muito a ser desejado. Até hoje eu nunca conheci ninguém que não descrevesse Death Note como “É bom, mas deveria ter terminado quando…”. Sim, você sabe exatamente do que eu estou falando.


SHINGEKI NO KYOJIN

Shingeki no Kyojin tem um puta de um cenário! Adolescentes no exército e todo mundo pode morrer… só que não. Apesar do começo arregaçador de mentes – praticamente um terror de zumbis com tiozões pelados gigantes no lugar – a coisa logo degringola para o bom e velho “adolescente especial tem o poder de salvar o mundo com monólogos intermináveis”. SnK não é um anime ruim, mas a queda de qualidade na metade em diante é palpável, e deixa muito a ser desejado.


GUNGRAVE

A história de ascensão e queda de dois amigos de infancia que de meninos de rua se tornam chefões da máfia, terminando como inimigos mortais? Onde eu assino?

Só que, em algum ponto, joga isso tudo fora para virar um anime fraco sobre “monstro do dia”. Aí é forçar a amizade mesmo.


NANA

Duas garotas que se conheceram por acaso e calharam de ter o mesmo nome racham um apartamento em Tóquio. Tá, e daí? Daí que é justamente isso que torna Nana um anime ótimo. Com uma pegada madura e realista para o relacionamento entre os personagens, algo incrivelmente raro em uma obra japonesa, vale muito a pena acompanhar os rolos e desventuras das duas amigas, até porque elas também parecem garotas de verdade, e não o seu tipico mala de animes.

O lado negativo é apenas que a autora ficou terrivelmente doente, e decidiu “se aposentar”, devido a sua saúde (de fato trabalhar como mangaka é algo muito estressante, com prazos e tudo mais), ficando a obra incompleta. Vale a pena assistir mesmo assim, mas não é a mesma coisa.


SAINT SEIYA: THE LOST CANVAS

Um dia alguém parou e pensou: “E se Cavaleiros do Zodiaco fosse, sei lá, bom?”. Porque convenhamos, a saga dos defensores de Athena só funciona quando você tem dez anos de idade. Se dúvida, vai lá e assiste e me diga se você gostaria disso caso esse anime se chamasse, sei lá, “Super Joe e as Cocotinhas” e você estivesse conhecendo ele hoje. Simplesmente não vai.

The Lost Canvas é Cavaleiros do Zodiaco para quem já passou dos dez anos de idade e espera uma boa trama, bons personagens tridimensionais e boa animação. Só a explicação do que é o “cosmos” de um cavaleiro no primeiro episódio já vale a série.

Infelizmente, seu problema é parecido com o de Nana: devido a tretas legais e baixa audiência, The Lost Canvas foi para o limbo de onde provavelmente nunca mais sairá. Realmente uma pena.



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