sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Darker Than Black (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 21/08/2009

Alternativos: Darker than BLACK - Kuro no Keiyakusha
Ano: 2007
Diretor: Tensai Okamura
Estúdio: BONES
País: Japão
Episódios: 25
Duração: 24 min
Gênero: Ação / Mistério



Contratantes são seres humanos com poderes especiais dos mais variados que servem secretamente, como se fossem cães, a uma organização chamada ”O Sindicato“, que possui influência mundial e é temida pelos Contratantes. Secreto porque quase ninguém sabe da existência deles, a não ser algumas pessoas específicas, como o Serviço de Inteligência e as Forças Especiais. Ao usar seus poderes, um Contratante deve exercer seu ”pagamento“, que é algo específico (muitas vezes estranho), como ter que comer cigarros ou cheirar uma meia, e a cada vez que um deles morre, uma ”estrela“ desaparece.

As ”estrelas“ são falsas, pois o céu não é mais o mesmo devido a um incidente ocorrido em Tóquio, inclusive foi criado um muro gigante que isola a cidade do ”Portão do Inferno“, lugar misterioso e inóspito devido ao grande incidente. E esse mesmo incidente também aconteceu anteriormente na América do Sul, onde há o chamado ”Portão do Céu“.

Hei é um contratante mascarado conhecido como BK201 que serve ao Sindicato, porém tem seus próprios interesses pessoais como objetivo, como se verá no decorrer do enredo. Claramente frio e sem pena, ele cumpre suas missões sem pestanejar. Enquanto não as cumpre, ele falsamente é Li Shengsun, bondoso, meio atrapalhado e estudante. Além dele, temos a doll Yin – dolls são humanos, geralmente crianças, também com um poder, o Espectro de Vigilância, que consegue algumas informações que apenas eles podem obter, como fazer reconhecimento da área – e assim como os outros dolls, não tem emoções nem fala muito. Mao, um gato falante que na verdade é um Contratante que perdeu seu corpo original, e Huang, um simples humano que troca informações entre seus companheiros e o Sindicato, sendo mais um supervisor da equipe de Hei. Esses quatro formam mais um dos grupos que servem ao Sindicato. Outros personagens também são importantes na história, como a agente Kirihara e os Contratantes November 11 e Amber.


No início da história, mesmo depois de alguns episódios, é bastante difícil entender para onde o anime pretende ir e sobre o quê se está falando, devido a um pouco de complexidade que a trama tem. Nesse mesmo início, vemos que a história se propaga sem nenhum rumo bem definido, e é aí que entram os personagens e o seu desenvolvimento na história (se todos soubessem o quão importante é o desenvolvimento dos personagens. ninguém sairia por aí dizendo ”esse anime é muito devagar, não vou mais assistir“). Com o passar dos episódios, percebe-se que estão sendo dedicados aos personagens principais e a história calmamente se desenvolve por trás, e isso realmente foi um ponto positivo para o anime.

Embora o início tenha o seu lado bom, o modo de contar o enredo foi um pouco infeliz. Todos os episódios são divididos em duas partes (incrível como isso no início dá um clima tão bom...), e o pior é que se parecem mais com momentos paralelos, como se fossem ”o personagem dos dois episódios“ ou ”o contratante do dia“. Isso sinceramente desanima, por mais que a história seja boa, pois sempre na segunda parte acontece o clímax, o que realmente dá uma vontade imensa de ver o outro episódio achando que acontecerá algo do mesmo tipo, mas não é isso que acontece, causando um certo desapontamento. Não que a história não se desenvolva, ao contrário, se desenvolve bem, mas não tem uma forma em sequência tradicional.

Deixando de lado as estranhezas, um bom fator do anime é o aspecto técnico. O traço não tem nada de original, mas é firme, sem quedas de qualidade e o som, criado por Yoko Kanno (a mesma de Wolf’s Rain), é rico e envolvente, principalmente na hora da ação. Personagens carismáticos e bem diversificados são importantes, pois enriquecem a atmosfera e não deixam o tédio tomar conta, e DTB é muito bom em relação a seus personagens, destaque mais que especial para o próprio Hei, devido às suas atitudes não estereotipadas (e como há estereótipos em animes...). E outra coisa! Somos presenteados com algo raríssimo nos animes: nada de pieguices! A emoção é retratada profundamente, sim, mas sem nenhuma apelação para o mais emotivo dos seres humanos.

Além da ação e mistério eminentes no enredo, a boa e divertida comédia faz sua presença na série, com suavidade nos momentos certos e com os personagens certos (já que isso definitivamente não é um anime de comédia), fazendo com que o bom clima próprio e agradável da série se torne ótimo. Basicamente, DTB é excelente em quase tudo, sem dúvida, mas algo ainda precisa ser dito negativamente: muitas coisas ficam notoriamente voando no final, muitas mesmo. Seu final foi rápido e pareceu forçado, meio mal planejado e é praticamente impossível tentar imaginar o que realmente aconteceu com todos individualmente, além dos termos técnicos e científicos meio complexos em certas partes. Esta complexidade parece um pouco apelativa, algo não necessário pelas características do enredo. Sem falar que existe um OVA que muitos preferem colocar como o ”episódio 26“ mas que, infelizmente, não contribui para o crescimento do anime, sendo praticamente um OVA inútil (é apenas uma paródia).



Darker Than Black tem seus pontos positivos sim, em todos os seus personagens e no enredo, de qualidade e inovador. Porém, certamente foi o final sem emoção que resultou na queda do anime, pois este tinha tudo para ser excelente, mas infelizmente pecou.


Marcos França


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