segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Evangelion 2.22: You Can[Not] Advance (Movie)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 31/08/2010


Alternativos: Rebuild of Evangelion 2.22: You Can[Not] Advance; Evangelion 2.0: You Can[Not] Advance, Rebuild of Evangelion 2.0: Division
Ano: 2009
Diretor: Hideaki Anno
Estúdio: Studio Khara / Gainax
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 112 min
Gênero: Drama / Mecha / Sci-Fi



Nota: Como já devem ter notado, no título desta resenha está escrito ”2.22“ ao invés de ”2.0“, pois o texto aqui escrito se remete a versão do diretor em DVD e Blu-Ray que acabou de sair no Japão e que, como não poderia deixar de ser, contém algumas cenas extras, por isso a mudança de número. Porém, a diferença entre ambas as versões é mínima, fazendo com que esta resenha também sirva para o 2.0.

Hideaki Anno, o visionário criador de um dos animes de maior sucesso no mundo inteiro, resolveu depois de dez anos recriar a sua obra ”Neon Genesis Evangelion“ de uma nova maneira que ele agora, depois de tanto tempo, julgou ser mais apropriada. E isso, como já fica claro por essa iniciativa, não é nada difícil, já que a série se consolidou como um sucesso absoluto e Anno não vai mais passar por apertos de orçamento nem censura televisiva.

Porém, a série ”Rebuild of Evangelion“, como muitos pensavam, não se trata apenas de um remake com algumas mudanças, mas sim uma nova versão com base no enredo antigo e inúmeras divergências. Pode ser que esse não tenha sido o caso do filme anterior (You Are [Not] Alone), mas aqui o trem sai dos trilhos de vez, com apresentação e ações de personagens completamente diferentes e ás vezes até trocadas.

You Can[Not] Advance já começa diferente, com uma nova personagem (chamada Mari) lutando contra um anjo em seu EVA Unidade 05, destruindo-o completamente após a batalha. Enquanto isso, Shinji continua vivendo sua vida escolar e ao mesmo tempo atuando como um piloto da Nerv. Em um ataque repentino de um novo Anjo (sim, é novo mesmo, com design diferente e tudo), Shinji conhece uma nova pilota, chamada Asuka, e sua Unidade 02. O filme se desenrola a partir daí, utilizando de acontecimentos antigos da série de 1995 como base para reescrever o roteiro.


A grande sacada deste filme é que, mesmo com várias similaridades e referências ao roteiro original, ele tira o luxo de saber o que vai acontecer dos antigos fãs de NGE, fazendo jus ao nome ”Rebuild“. Aqui Shinji tem uma postura mais heróica, Rei tem uma personalidade mais humana e Asuka é mais feliz, além de seu amor platônico por Kaiji ter sumido. Por incrível que pareça, essas mudanças aos arquétipos dos personagens não os descaracteriza da imagem que já possuíam em suas ”versões anteriores“, o que faz do filme uma experiência, no mínimo, interessante para os mais pessimistas em relação ao projeto e um material bem mais ”fácil de digerir“ para aqueles que estão chegando agora. Convenhamos, eu mesmo adoro a formação psicológica do personagem, mas que atire a primeira pedra aquele que nunca sentiu vontade de dar um soco bem no meio da fuça de Shinji Ikari em certos momentos.

A parte técnica do filme é impecável, com uma animação de cair o queixo, muito detalhada e fluída, com ótimas sequências de ação e um uso quase perfeito de efeitos CG (digo quase, pois, em algumas poucas sequências, os EVAs são mostrados na tela apenas como um gigante modelo em 3D, não se encaixando muito bem com o cenário. Tem uma cena, inclusive, em que você poderia jurar que viu o EVA flutuar por alguns instantes). Outra coisa divertida é que, para aqueles que assistiram o anime original, é possível ”pescar“ certas cenas do antigo NGE, que estão lá com o mesmo ângulo de câmera e tudo.

A trilha sonora está muito boa, reutilizando de músicas da série antiga, porém agora regravadas e geralmente com algum toque a mais, como mais sons eletrônicos, solos de guitarra e afins. Em geral, é uma ótima reconstrução da trilha sonora que ajuda muito a entrar no clima desejado. O tema de encerramento do primeiro filme, ”Beautiful World“ (Utada Hikaru), aparece mais uma vez em 2.22, porém em uma versão remixada.

O único ponto negativo do filme é justamente a nova personagem, Mari. Além de sua introdução na história ser um tanto quando forçada, ela fica desaparecida praticamente o filme inteiro, voltando apenas nos momentos finais para providenciar ótimas cenas de ação. Não dá nem pra se ter uma idéia clara de sua personalidade (que até o momento parece ser só mais um clichê do mundo dos animes) e muito menos do motivo de a terem colocado ali. Como eu sei que Anno e o pessoal da Gainax sabem o que fazem, imagino que Mari se consolidará como uma personagem de verdade no próximo Rebuild, porém mesmo assim isso nos leva a pergunta: ”Então por que decidiram apresentá-la agora?“.



No geral, Rebuild of Evangelion 2.22: You Can[Not] Advance é uma ótima releitura da série original e vale muito a pena dar uma conferida, tanto os fãs de NGE quanto aqueles que nunca o viram, já que o filme apresenta e desenvolve o enredo e personagens de maneira competente, sem se dar ao luxo de direcioná-lo apenas aos espectadores de longa data. Vale lembrar que essa nova versão não é melhor ou pior que a original, é apenas diferente. Se você gostou de Neon Genesis Evangelion, muito provavelmente vai gostar desta nova história, na qual dá pra perceber que foi posta muito trabalho e atenção para se desenvolver. O que quero dizer é que, ao contrário do que muitos pensam, este filme claramente não é apenas mais um caça-níquel da franquia, até por que só de olhar a finalização do filme já se percebe que o próximo Rebuild terá muito mais conteúdo inédito, em termos de roteiro.

OBS: Assistam a cena depois dos créditos, e prestem muita atenção na última fala do filme e na prévia do próximo ;D. 


Lucas Funchal


 

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