sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Final Fantasy: Unlimited (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 23/12/2007

Ano: 2001
Diretor: Mahiro Maeda
Estúdio: Gonzo
País: Japão
Episódios: 25
Duração: 25 min
Gênero: Aventura / Fantasia / Sci-Fi



Animes baseados em videogames, e vice-versa, não são nenhuma novidade. Novidade são aqueles que conseguem ser produções plausíveis ou, ao menos, serem fieis aos valores das produções das quais derivam.

Produzido em 2001 pelo Gonzo Digimation, Final Fantasy Unlimited é um anime baseado na famosa série de videogames "Final Fantasy" da Square-Enix, que tem a tradição de retratar sempre uma história diferente em cada nova produção.

O anime segue o design estilístico dos jogos, com construções e lugares grandiosos, personagens com armas poderosas e seres fantásticos, mas os chamados "cortes de orçamento" acabaram por comprometer grandemente a qualidade técnica do anime. Os personagens são tão mal desenhados que parecem vindos de um fan-fiction amador, com um colorido blasé e despido de qualquer detalhe. Não há, por exemplo, o tradicional "brilho" no cabelo nem simples variações de luz e sombreamento nos personagens, deixando-os com um apelo visual extremamente pobre, sendo que alguns deles parecem ter vindo de algum "desenho estilo americano". A movimentação dos personagens segue o tradicional, mas devido à constrangedora simplicidade dos personagens, ela se torna mais fraca e inexpressiva do que realmente é.

Como de costume nas produções do Gonzo, efeitos computadorizados são utilizados em larga escala, e os cenários utilizam animações 3D em abundância, assim como alguns elementos e até certos personagens importantes. Entretanto, a renderização das imagens as deixa com uma aparência demasiadamente obsoleta até para os padrões da época. Não é raro algum elemento computadorizado destoar do resto do cenário, como se tivesse sido meramente recortado e colado ali sem a menor preocupação em integrar um ao outro. Aliás, os cenários retratam sempre lugares imaginários e cheios de fantasia, porém com uma qualidade que não passa do 'adequado' e que, aliás, é normalmente estática. O único fator técnico que realmente parece ter sido feito com inspiração e comprometimento é a trilha sonora. Sempre orquestrada, é de ótima qualidade e por sí só chega a empolgar, dando até um certo brilho que o resto do anime não tem.


A história não é tão original. No meio do oceano, surge de repente um grande pilar negro, e mesmo após grandes esforços para sua destruição, permanece de pé... vários anos depois é tido como um monumento turístico. Mesmo assim, um casal de cientistas que costumava fazer pesquisas no estranho lugar desaparecem, e seus filhos Ai e Yu decidem investigar o local onde, numa determinada hora, aparece um trem fantasma que os leva para outras dimensões, pertencentes a um complexo denominado "Mundo das Maravilhas", onde cada parada é um determinado mundo totalmente diferente.

Como em todo "RPG", novos personagens aliados são adicionados a medida que o enredo avança. Dentre eles podemos destacar Lisa, uma mulher bonita e comunicativa; Ru, uma criança metade lobo; Kase, um guerreiro "mal encarado" que carrega no braço direito uma arma "viva" chamada DemonGun; Shiroi Kumo, que carrega uma poderosa espada e evoca criaturas usando frascos que ele carrega; e Fabra, uma mulher mística que controla o "Mundo das Maravilhas", além de muitos outros. O problema é que a progressão da história também não empolga o espectador, variando entre visitas a mundos sem graça, conflitos previsíveis e repetitivos, temática infantil e um mar de pontas soltas e questões mal explicadas. A impressão que se tem é que os roteiristas da Gonzo não estavam com muito tempo ou inspiração para criar algo pelo menos interessante por mais de um capítulo. A história é arrastada e cheia de citações sem nexo, pois a produção se focou tanto em deixar os segredos mais misteriosos que alguns parecem não ter nada a ver com nada, ou que estão alí só para fazer o espectador acreditar que a história tem alguma profundidade séria.

Mas, o que torna todos estes fatores um agravante imperdoável com certeza é o seu final. A Gonzo havia projetado Final Fantasy Unlimited para ter 56 capítulos. Entretanto, a audiência e aceitação do público foram tão negativas que decidiram diminuí-la para 25 capítulos. O problema (maior) é que a empresa nem mesmo se deu ao trabalho de dar um final à série, ou seja, ela simplesmente termina em um capítulo qualquer! Os momentos que precedem o seu "fim" até parecem decentes, mas é quando de repente a série acaba que se nota o total desrespeito aos telespectadores que decidiram apostar no projeto e, ao menos, assisti-lo.

Aliás, falta de comprometimento e incompetência são as palavras que melhor definem FFU. Visual medíocre, enredo chato, personagens mal construídos e história cheia de linhas sem sentido parecem ter dado aos produtores a brilhante ideia: "Para que terminar bem algo que será esquecido?".



Muitos críticos afirmam que as produções da Gonzo sempre pecam feio no enredo ou na história, mas investem pesado em efeitos visuais e designs excelentes. O interessante é que nem isso foi honrado em Final Fantasy Unlimited! Não recomendo assisti-lo nem pelas ótimas músicas pois, nesse caso, aconselho comprar o CD com a trilha sonora, a única coisa que parece valer a pena ser lembrada nesse fiasco "unlimited"!


Emanuel Silva Sena


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