sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Junk Town (OVA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 29/04/2011

Alternativos: Garakuta no Machi
Ano: 2006
Diretor: Nobutaka Ito
Estúdio: Studio 4ºC
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 13
Gênero: Sci-fi, Aventura



Sweat Punch é uma coleção de 5 curtas produzidos pelo Studio 4ºC entre 2001 e 2007 e lançada diretamente para DVD, intitulado Deep Imagination. Os quatro primeiros haviam sidos lançados em 4 volumes, e só depois o quinto e último veio a ser adicionado. Este último se chama Garakuta no Machi (Junk Town), dirigido por Nobutaka Ito, um animador e diretor da nova geração, que já trabalhou em grandes obras como Kare Kano e Samurai Champloo.

Depois do nada ortodoxo Professor Dan Petory´s Blues, do psicodélico End of the World, do melancólico Comedy e do tenso Higan, cada um exibido nessa ordem, parece que a coleção precisava de algo mais agradável, algo que fechasse o pacote e que fizesse as pessoas saírem, digamos, mais aliviadas. Afinal, não é fácil sorrir após Higan terminar. Em Comedy, o único momento em que se pode rir é somente na última cena. End of the World, além de ser bizarro, pode não ser facilmente entendido por todos. E Dan Petory´s Blues, apesar de ser único, não atinge um público em massa. Então Junk Town aparece para fechar com chave de ouro.


Numa cidade onde robôs inteligentes enchem as lojas e casas da cidade, um garotinho anda cabisbaixo por não poder ter um robô. Mas em um beco, ele ouve um barulho de engrenagens e então se depara com um robozinho vermelho, do tamanho de uma cabeça humana, com “patinhas”, parecido com um aracnídeo. Sua fome insaciável é uma de suas características. A outra é a capacidade de “carregar” os objetos engolidos por trás, como se fosse um trenzinho. O garoto curioso passa a segui-lo, vendo-o engolir mais e mais objetos de metal e a crescer continuamente.

Junk Town (Cidade do Lixo) possui uma animação muito bem feita, com movimentos bem definidos. Seu traço é peculiar, considerando os padrões japoneses de animação, sendo até difícil para um leigo perceber que se trata de um “anime”. Na verdade, o conceito de “anime” ficou bem desgastado, já que, para os ocidentais em geral, “anime” significa aquele tipo de animação japonesa cheia das características de que todos já sabemos bem. No Japão, anime é qualquer animação. A parte sonora é bem orquestrada, com efeitos que retratam perfeitamente cada acontecimento, seja curiosidade, diversão ou ação. Existem poucas falas na obra, sendo que os próprios acontecimentos vão narrando a história. As cores são bastante diversificadas, com baixa saturação e muito bem aplicadas nos diversos detalhes ao fundo.

O enredo simples dá o tom agradável, não tendo nada de difícil interpretação, podendo-se tirar algumas lições. As características de introdução, desenrolar, clímax e conclusão são muito fáceis de serem percebidas, mostrando o quão linear e simples essa animação é. Tudo o que uma coleção recheada de obras diferentes e peculiares merecia, com um último episódio agradando a mente e mostrando o quão o Studio 4ºC é competente.



Não há necessidade de falar mais sobre o enredo de uma animação de 13 minutos. Apenas posso garantir que essa é mais uma obra que DEVE ser assistida, assim como todo o Deep Imagination. Sair um pouco da “rotina” de ver “anime convencional” é sempre bom, principalmente sabendo que os japoneses mandam muito bem em animações e também podem contar histórias simples.


Marcos França


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