sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Kannagi: Crazy Shrine Maidens (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 24/01/2012

Ano: 2008
Diretor: Yutaka Yamamoto
Estúdio: A-1 Pictures
País: Japão
Episódios: 13
Duração: 23 min
Gênero: Comédia Romântica / Drama



Kannagi: Crazy Shrine Maidens é um anime produzido pelos estúdios A-1 Pictures, uma subdivisão da gigante Aniplex, empresa envolvida em obras bem conhecidas como Darker Than Black, Paprika, Bleach, Rurouni Kenshin, entre outros. A direção fica por conta de Yutaka Yamamoto, que participou de animes como Air, Lucky Star e Full Metal Panic: Fumoffu.

Jin Mikuriya é um garoto que tem sua vida mudada após receber de um amigo um pedaço de uma árvore sagrada que seria demolida. Na sua infância, enquanto caçava um inseto, ele tem a visão de uma deusa que o faz ficar deslumbrado e depois desaparece. Esse fato ficou marcado na sua memória e por isso ele decide esculpir a tal deusa no pedaço de árvore que ganhou. Neste mesmo dia a escultura toma a forma humana de uma bela garota irritante, maliciosa e mimada chamada Nagi que tem a missão de eliminar as “impurezas” que circulam pelo mundo, que são espíritos ruins em forma de inseto que causam dano à ela. Como Jin tem sensibilidade espiritual, Nagi o obriga a eliminar as impurezas junto com ela. Mas será que essa é mesmo a personificação de uma deusa ou um corpo com dupla personalidade?

Existem animes que conseguem enganar qualquer desprevenido apenas com o prólogo. Kannagi faz um bom exemplo disso ao fazer uma introdução que causa uma sensação de nostalgia e mistério, com uma sonoridade calma e envolvente, algo semelhante ao anime Asatte no Houkou. Não é o que se espera ao ver logo depois a introdução com uma música pop e cenas cômicas. E é disso que Kannagi: Crazy Shrine Maides trata.


Mas o que esperar de um anime com um tema tão batido? Com personagens tão comuns? O que esperar de um garoto bobo morando sozinho com uma deusa de saias curtas? Já sabemos da existência de Ah! Megami-sama, já sabemos que em animes desse tipo o protagonista tapado sempre fica rodeado de pelo menos três mulheres: uma atirada, uma bruta e uma inocente. Não se deve esperar mais nada. Nada de extraordinariamente novo irá aparecer em Kannagi. Porém há algo que faz com que a série consiga caminhar, mesmo cambaleante: os personagens secundários. Sem eles a série se tornaria insossa e excessivamente clichê. São os personagens do clube de artes da escola de Jin que preenchem um vazio que o anime teria sem eles.

O fato da deusa ter uma dupla personalidade (uma lado humano cômico e um lado divino sério) traz um certo diferencial também, mas essa dualidade é rara, já que parece terem optado pela graça mesmo. Existem alguns momentos raros em que o lado divino se manifesta, trazendo uma seriedade interessante para o anime. Boa parte das situações cômicas foram bem trabalhadas, como os estudantes acharem que Jin e seu colega Daitetsu estão em uma relação homossexual, por outro lado há uma melancolia excessiva nos episódios finais, uma crise de identidade, teorias indefinidas sobre demônios, deuses e humanos. Momentos depressivos que fazem coçar a cabeça do espectador. Era mesmo necessário tanta melancolia em um anime que estava um pouco acima da mediocridade para um gênero cômico?



Apesar de tudo, o anime tem um traço bonito e movimentos agradáveis, praticamente sem defeitos na parte técnica. Também não é anime que agrade a muitos, principalmente para aqueles que já estão saturados de estórias do tipo harém e que se utiliza de fan-service pra chamar a atenção, mesmo que seja só um pouco. Contudo, ainda é um anime razoável por tratar bem certos elementos da própria estória e ter alguns bons personagens que sustentam o anime.


Marcos França


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