segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Pandora Hearts (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 02/04/2010


Ano: 2009
Estúdio: XEBEC
Diretor: Takao Kato
País: Japão
Episódios: 25
Duração: 24 minutos
Gênero: Drama/Comédia/Romance/Fantasia



Baseado no mangá homônimo de Jun Mochizuki, Pandora Hearts conta a história de Oz Bezarius, um jovem nobre e membro de uma das quatro famílias de duques mais importantes de seu país. Ele tem uma vida confortável e animada ao lado de sua irmã, Ada, e seu servo pessoal e melhor amigo, Gilbert. Porém, a constante ausência e rejeição por parte de seu pai deixaram grandes marcas em sua personalidade.

Por estar prestes a fazer 15 anos, Oz deve participar de uma cerimônia de maioridade, evento este muito importante na vida de qualquer Bezarius, mesmo que seu pai tenha se recusado a comparecer. No dia da cerimônia, Oz e Gilbert acabam achando acidentalmente um túmulo escondido, com um relógio dourado preso a este. Ao ser aberto, o apetrecho toca uma melodia muito familiar aos ouvidos de Oz, mesmo ele não reconhecendo de onde tal música veio. Ele, então, resolve levar o relógio consigo.

A noite tão esperada finalmente chega e, enquanto fazia seu juramento de lealdade à família, a cerimônia é interrompida por pessoas encapuzadas que o mandam para um mundo paralelo, chamado de “Abismo”, com o argumento de que ele merecia tal destino por ter cometido o crime de existir. Sem nem saber por que se deu mal, Oz é salvo por uma “corrente” (nome atribuído às criaturas provenientes do Abismo) com forma de uma garota, cujo nome é Alice, mais conhecida por “Coelho N”, devido aos seus delitos no mundo fora do Abismo. Alice faz um contrato com Oz, ou seja, usará da vida do garoto para liberar seu poder e voltar ao mundo normal, onde planeja encontrar pistas sobre quem ela é, já que ela não tem nenhuma memória antes de aparecer no Abismo.

Assim, Oz se torna um “contratante ilegal” e se envolve numa trama envolvendo a organização chamada Pandora, que é encarregada de pesquisar e entender o que exatamente é o Abismo e defender os seres humanos das correntes, ao mesmo tempo em que procura saber quem exatamente ele e Alice são.

Pode-se dizer que Pandora Hearts é um anime nos moldes tradicionais de enredo, algo que é muito bem vindo. Fazia tempo que não via um anime com uma temática de fantasia tão bem trabalhada, personagens cativantes e história narrada sem usar nenhum grande artifício muito sofisticado.

O enredo em si pode começar meio capenga e com um ritmo meio lento mas, aos poucos, vamos sendo apresentados a muitos personagens bem trabalhados e mistérios capazes de prender a atenção de quem assiste. Durante todo o anime, o telespectador é constantemente atiçado com citações e pequenas cenas que dão a entender muita coisa sobre o pano de fundo da história, antes de receber uma explicação mais detalhada (o que apenas aumenta a vontade de assistir ao próximo episódio). E o desenvolvimento de personagens no decorrer da série é natural e nada forçado, com destaque para Oz, Alice e Xerxes Break.


No lado negativo, porém, o ritmo da história pode ser considerado um pouco truncado. Como já disse, o início é muito parado e sem tanta emoção e, quando a coisa engrena de vez, às vezes surge algum episódio monótono aqui e ali. Além disso, para um anime de fantasia, Pandora Hearts deixa um pouco a desejar em termos de ambientação. Todas as cidades, calabouços e cenários em geral são muito genéricos, nada muito diferente do que já foi visto em outras obras, o que apenas colabora para a monotonia em certos episódios. Até mesmo o Abismo, que deveria representar uma paisagem psicodélica e distorcida, só passa a impressão de ser um lugar vazio.

A animação não é nada merecedora de grande destaque, mas cumpre seu trabalho quando necessário, com algumas “tomadas de câmera” rápidas e bem colocadas. Quando a situação exige (durante as lutas mais épicas, por exemplo) a animação até se torna um pouco mais fluida e trabalhada, porém ela é mediana na maior parte do tempo. As cores não são muito fortes e nem vívidas, mas o design de personagens é até agradável de se olhar. Em certas cenas, é possível perceber que houve certo cuidado em fazer com que o anime ficasse muito similar ao mangá em quesitos de traço e enquadramento de cenas.

Já a trilha sonora em Pandora Hearts é ótima, nada além do esperado com Yuki Kajiura e o grupo FictionJunction no cargo. A abertura “Parallel Hearts” é muito boa e as músicas de fundo são excelentes, sendo estas muito presentes durante o anime inteiro.

Apesar do ótimo enredo e elenco, Pandora Hearts possui um defeito grave presente em muitos animes: a falta de um final de verdade. Nos episódios finais, somos bombardeados com tantas informações e revelações para, no fim, chegar a lugar nenhum. É simplesmente frustrante assistir um anime que vai entregando pedaços de respostas a cada sequência para ficar sem saber justamente o mais importante. Tudo bem, ao fim da série praticamente todos os personagens (principalmente Oz) finalmente se resolvem com seus fantasmas pessoais, mas e a revelação concreta sobre o passado de Alice? E os motivos dos Baskervilles? A razão por trás da tragédia de Sabrié? Por que diabos o fato de Oz existir é um crime? As respostas pra isso simplesmente não são respondidas e nem implícitas, e sabem qual a razão? Após pesquisar, descobri que o mangá ainda está sendo publicado, o que já explica a situação por si só. O jeito é ler o mangá ou esperar por uma eventual segunda temporada, pois a finalização do anime não é nem ao menos um final alternativo, e sim um filler que apenas serve para os fãs implorarem por uma continuação.



Pandora Hearts, mesmo com a ausência de um final conclusivo, é um bom anime. Sua ambientação pode não ser das mais originais, porém seu enredo recheado de mistérios e personagens carismáticos e bem trabalhados mais do que compensa isso. Só nos resta esperar por algum tipo de continuação animada.


Lucas Funchal


 

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