sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Powerpuff Girls Z (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 18/02/2011

Alternativos: Demashita! Powerpuff Girls Z
Ano: 2006
Diretor: Hiroyuki Kakudou, Megumu Ishiguro
Estúdio: Toei Animation
País: Japão
Episódios: 52
Duração: 30 min
Gênero: Aventura / Comédia / Sci-Fi



Será que grandes clássicos podem ser remixados ao “bel prazer” de seus novos idealizadores?

Produzido em 2006 por Toei Animation, Powerpuff Girls Z é uma releitura da consagrada animação americana Powerpuff Girls feita pelo Cartoon Network Studios, braço de animação da gigante TimeWarner, com uma roupagem mais afirmativa às animações orientais.

Ao invés de apostar em uma nova temporada para o formato original, a direção do canal Cartoon Network decidiu licenciar sua franquia para um estúdio japonês (re)fazê-lo com as características de anime.

Desta forma, Powerpuff Girls Z nos apresenta uma produção absolutamente diferente do que estamos habituados a visualizar na franquia, pois além do traço “anime”, ela traz também: cores muito vibrantes e roupas espalhafatosas; maior quantidade de detalhes na construção de cenários; irrestrita orientalização dos elementos socioculturais de ambientes, construções e pessoas nele apresentados; efeitos de iluminação em quase todos os elementos na tela – e aliás, esta característica parece ter sido aplicada de forma descuidada, visto que o brilho de superfícies plásticas e metálicas é o mesmo aplicado em outros materiais como pele e cabelo, dando a aparência de “robô” a determinados personagens humanos.

A animação dos elementos na tela diminuiu consideravelmente a quantidade de quadros por segundo em relação ao formato americano, seguido por movimentos e sequências de lutas com baixa variedade de movimentos e abundância de cenas e quadros “reciclados”. Os personagens agora têm padronização de tamanhos, onde raramente se verá um personagem adulto com o mesmo tamanho de uma criança. Forte presença de efeitos visuais 2D e quase total inexistência de elementos poligonais.

No departamento sonoro, pouca incidência de músicas – e nenhuma delas de grande destaque – e efeitos sonoros simples e, algumas vezes, característicos do que eu chamo de “som de anime”, ou seja, sons já bastante comuns utilizados em animações orientais.

De modo geral, a franquia foi quase que completamente inundada com elementos de animes mais “populares”: baixo orçamento, temática infantil capaz de atingir várias faixas etárias de espectadores, e conteúdo batido e previsível entre produções desta linhagem. E aliás, são nesses itens que o anime começa a perder a briga...


Powerpuff Girls Z não esconde, como seu antecessor ocidental, seu claro objetivo de alcançar crianças e adolescentes. Entretanto, os roteiros escolhidos para a versão da Toei são claramente menos elaborados e interessantes que os originais da TimeWarner, assim como a construção psicológica de todos os personagens, que perderam quase todo o carisma e personalidade dos anteriores, com algo mais “plastificado” e sem profundidade. Coincidências, lugares comuns, maniqueísmo, situações forçadas e conclusões bobas ditam as regras nele, apostando em modismos e fórmulas desgastadas e sem muita inspiração, tanto com os personagens quanto as situações das quais são levados a passar. Trata-se de um anime de comédia infantil, mas as piadas nem sempre conseguem trazer novas forças às combalidas “Z”, especialmente quando são inevitavelmente comparadas às antecessoras.

Quanto a história, algumas mudanças quase imperceptíveis: Lindinha, Docinho e Florzinha se conhecem após serem atingidas por estranhos raios cadentes ocasionados por um experimento mal sucedido pelo Professor e seu filho com o “elemento Z”. Agora, todos eles se unem para salvar o dia contra terríveis vilões que tentam destruir a cidade.

Assim como o antecessor, os capítulos não são interligados como uma novela, podendo ser assistidos em qualquer ordem, com a exceção do primeiro e, nem tanto, do último. Os temas abordados são os bons e velhos “amizade”, “persistência”, “amor”, “perdão”, etc. retratados de maneira superficial e simplista. Outra mudança bastante importante é a adição de brinquedos e acessórios para equipar as “meninas super poderosas”, que agora não usam mais golpes de artes marciais para vencer seus combatentes, mas vencendo-os apenas com a utilização destes elementos.

Outro ponto a se destacar é o relativo enxugamento do número de vilões. Agora o Macaco Louco está protagonizando sozinho uma grande maioria dos capítulos como “monstro do dia”, hegemonia quebrada apenas pela rápida aparição de um novo vilão em raros episódios, o que aumenta viralmente a previsibilidade do enredo.



Powerpuff Girls Z surgiu com a premissa de demonstrar ao mundo como seriam as “meninas super poderosas” se fossem criadas por produtores nipônicos, mas acabou demonstrando como elas seriam se usassem todos os vícios e “cacoetes” de uma produção infantil nipônica de baixo orçamento. Se tivesse recebido outro nome e se desvencilhasse do pouco que restou das características das “meninas super poderosas” americanas, ele até poderia ser mais feliz atuando como “mais um anime” para preencher o horário infantil da emissora de TV, até ser substituído pelo próximo pastiche.


Emanuel Silva Sena


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