terça-feira, 15 de novembro de 2016

Re:Zero -Starting Life in Another World-

Alternativos: Re: Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu, Re: Life in a different world from zero
Ano: 2016
Diretor: Masaharu Watanabe
Estúdio: White Fox
País: Japão
Episódios: 25
Duração: 23 min
Gênero: Fantasia/Guerra/Drama



Re:Zero foi um caso interessante pra mim: eu vi a imagem promocional e pensei: “Ótimo, outro anime em que o otaku faz todas as mulheres se apaixonarem por ele sem motivo”. Depois, li a sinopse e mais uma vez o pensamento preconceituoso: “Ótimo, mais uma história besta de um otaku que vai parar em outro mundo e vê tudo como se fosse um RPG”.

Eu nem dei bola, fui olhar outros animes da temporada. No entanto, ao redor da internet todos falavam desse anime. O Crunchyroll estava fazendo propaganda a torto e a direito, estava sempre entre os lançamentos mais populares e memes que eu não entendia não paravam de surgir. Foi aí que a curiosidade mórbida, apesar de eu ter certeza que seria uma porcaria, começou a crescer na minha mente e não resisti: tive que dar uma chance. Ainda bem que dei.

Do mesmo estúdio responsável pelo hit de 2011 “Steins;Gate”, Re:Zero conta com uma das premissas mais clichês possíveis atualmente: Subaru, um otaku qualquer, se encontra de repente, sem nenhuma explicação, em um outro mundo. Mundo este também bem genérico: medieval, magia existe, humanos vivem juntos com animais humanóides, etc. Subaru logo se encarrega de tentar interpretar esse mundo como se fosse um RPG, mas descobre que lhe falta um elemento fundamental: ele é só um zé-ninguém, recém-chegado e que não possui poder algum, nenhum destino grandioso como protagonista.

Depois de ser quase assaltado por alguns bandidos em um beco qualquer da cidade onde se encontra, uma jovem mulher de cabelos brancos o salva e, se sentindo responsável, Subaru decide acompanhá-la (mesmo que ela não queira).

Depois de várias circunstâncias, no entanto, Subaru descobre que este mundo pode ser muito cruel: ele é assassinado, juntamente com a jovem. Logo depois, ele abre os olhos e se vê de volta a um ponto do passado. Subaru descobre que possui a habilidade de reviver em um “save point” toda vez que bate as botas, e então, sem demora, parte para impedir que a jovem morra.

Essa é a premissa geral de Re:Zero, uma história que, em sua essência, se trata de uma desconstrução deste gênero tão batido no universo pop japonês. Primeiramente, Subaru é confrontado por forças muito maiores que as dele o tempo inteiro, e é sempre relembrado de como ele é apenas... bem, um otaku. Ele não é forte nem tem nenhuma habilidade especial, é meramente um moleque que jogava demais.

A ideia de “voltar sempre a um ponto pré-definido no passado depois de morrer” também é uma ótima sacada e muito bem utilizada, tanto para construir o suspense (ás vezes Subaru nem sabe como ou porque morreu) quanto para finalidade dramática. Afinal, se Subaru consegue fazer amizade ou ter algum momento tocante com alguém e depois resetar, é como se isso nunca tivesse acontecido.


Subaru luta constantemente contra esses dilemas, nos quais ele sofre por não saber como fazer tudo dar certo, ao mesmo tempo em que vê suas relações serem continuamente resetadas toda vez que algo dá errado. Adicione a isso uma intriga política e um culto pagão ocorrendo por trás das cortinas, e Subaru se encontra em uma enorme encrenca. Sem informações suficientes tanto sobre o que está acontecendo quanto das pessoas com quem se relaciona, Subaru morre de novo e de novo até finalmente encontrar a sequência de ações que leva a um final feliz... Pelo menos até o próximo problema aparecer e ele morrer de novo.

O anime deixa bem claro, no entanto, que morrer não é nada legal: Subaru é morto das mais variadas e doloridas formas, isso sem falar nas vezes em que ele vê o mesmo acontecer com todos aqueles que ama. Os memes que você já deve ter visto na internet falam a verdade. Subaru sofre, e muito. Lá para a metade do anime, a coisa fica realmente preta e nós, espectadores, assistimos a todo o tipo de tragédia envolvendo os personagens e, principalmente, Subaru. E é aí que está o grande argumento do anime, uma incrível sacada que desconstrói totalmente esse tipo de enredo.

As coisas chegam até um ponto em que Subaru se vê claramente como sendo um fracote inútil. Suas brincadeiras, comentários metalinguísticos e ações por impulso começam a não funcionar mais. Ele começa a agir feito um babaca arrogante, sendo que ele não é, nem de longe, tão badalado assim. Por algum motivo não revelado nesta temporada, ele não pode nem mesmo se vangloriar do seu poder de resetar para os outros personagens.

Nós vemos, então, o que realmente aconteceria caso um otaku fosse de fato jogado de cabeça em um mundo paralelo fantasioso: ele seria forçado a amadurecer. Subaru, por ser imaturo e egocêntrico, comete tantos erros em sequência até se encontrar cara a cara com o desespero puro, tudo para desconstruir essa fantasia que otakus adoram: a ideia de que eles são inúteis no mundo real, mas podem se tornar heróis e escolher sua heroína preferida ao final do dia.

Tal ideia, por mais esperta que seja, não seria nada se os personagens e suas relações não fossem interessantes. Ainda bem que este é o caso. Apesar de o anime claramente ainda se vender com a ideia de “garotas bonitinhas ao redor do protagonista”, todas elas têm personalidade e servem para algo no enredo. Algumas, inclusive, sabem muito bem como manipular nosso protagonista ou colocá-lo em seu devido lugar. Os personagens masculinos também não deixam nada a desejar: o estoico, mas angustiado Wilhelm; o orgulhoso cavaleiro Julius; o insano e aterrorizante Betelgeuse, entre outros. Cada personagem serve uma função clara no enredo, ao mesmo tempo em que se mostra como sua própria pessoa, com sua personalidade e atitude correspondentes.

No departamento técnico, Re:Zero também faz bem. A animação, apesar de não ser incrível, é no geral muito agradável aos olhos, e são poucas as vezes em que não está devidamente polida. Essas vezes ainda aparecem, no entanto, no que geralmente envolve expressões estranhas nos personagens ou falta de detalhe geral.

A trilha sonora é passável. Fora talvez o primeiro tema de encerramento “STYX HELIX” (MYTH&ROID) e a música de fundo da “bruxa Satella”, nenhuma outra música fica na memória depois de assistir seus 25 episódios. Claramente, o compositor Kenichiro Suehiro tentou algo na mesma linha que as famosas composições de Yuki Kajiura, com alguns cantos gregorianos aqui e ali e bastante reverb, mas não chegou ao mesmo nível. Não que seja ruim, apenas nada de mais.



Re:Zero se mostrou como sendo uma agradável surpresa. Eu realmente não dava nada para esse título, e talvez essa tenha sido a ideia: uma história aparentemente clichê que de repente te dá um susto, nos moldes de Mahou Shoujo Madoka Magica. Re:Zero merece toda a fama que tem e, creio eu, ainda se sustentará por algum tempo. Acontece que o anime é baseado em uma série de light novels que, por sua vez, são baseadas em uma webcomic. O anime já cobriu todo o material existente das novels, e a webcomic já está bem a frente. Então, quem sabe, não vamos conseguir uma continuação em breve? Só o tempo dirá.


Lucas Funchal


Um comentário:

  1. Terminei o anime a dois dias e mais uma vez sinto aquela sensação de vazio quando um anime acaba, ainda mais como esse que tem um história bem explorada.
    Para mim o mais autentico que tem no anime é o sofrimento do protagonista, não só o sofrimento , a angústia , insegurança, junto com todos os sentimentos que nos incomodam tanto na realidade, mas nos fazem humanos.
    O que falta em muitas animações famosas é a proximidade com a realidade, aqui apesar de todos os clichês o protagonista arranca aquela empatia do coração do espectador.
    Realmente recomendo.

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