segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Tales of Symphonia: The Animation (OVA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 04/07/2008


Alternativos: Teiruzu obu Shinfonia The Animation
Ano: 2007
Diretor: Haruo Sotozaki
Estúdio: Ufotable
País: Japão
Episódios: 4
Duração: 33 min
Gênero: Aventura / Romance / Fantasia



Tales of Symphonia é um RPG lançado para Nintendo Game Cube e um dos episódios mais cultuados da série ”Tales of“ (ao lado de Tales of Phantasia). Não demorou muito para que o jogo ficasse famoso entre os donos do console e logo fosse considerado um dos melhores episódios da série pelos fãs, tendo uma segunda versão melhorada para Playstation 2 (lançada apenas no oriente). Em 2007, foram lançados os 4 OVAs ”Tales of Symphonia: The Animation“ que re-conta a história do jogo.

Apresentações a parte, vamos ao enredo: Em um mundo fictício chamado Sylvarant, existe uma espécie de energia chamada ”mana“ (mais ou menos a mesma coisa que o lifestream de FFVII). Essa energia é necessária para manter tudo no mundo vivo, além de tornar possível a utilização de magia, etc.

Porém, Sylvarant está em crise. O "mana" está ficando cada vez mais escasso e o mundo está beirando a ruína. A ”grande árvore de mana“ (que seria a grande fonte infinita de mana) existe apenas em lendas. A única maneira de salvar o mundo é a partir do ”Escolhido“.

De tempos em tempos, o oráculo da igreja escolhe algum ser humano que deve partir na jornada da ”Restauração do Mundo“ que consiste em viajar por toda Sylvarant em busca dos ”selos“ para liberá-los e, finalmente, ir até a ”Torre da Salvação“ para completar a jornada e restaurar toda o mana perdido do mundo. Porém, o Escolhido deve se tornar um anjo à medida em que os selos vão sendo liberados.

Muitos escolhidos tentaram e falharam durante a jornada, tendo em vista que a organização dos ”Desians“ se opõe à Restauração do Mundo por razões explicadas pela mitologia, e sempre acaba matando os escolhidos.

Collet Brunel (ou Collete na versão americana) vive na pacífica vila de Iselia, juntamente com seus grandes amigos de infância Lloyd Irving (protagonista) e Genius Sage (Genis). Collet é a nova Escolhida pelo oráculo e recebe as instruções do anjo Remiel sobre como proceder na jornada.

É então decidido que ela viajará ao lado de sua habilidosa professora da escola e irmã mais velha de Genius, Refill Sage (Raine) e também de um misterioso mercenário que atende pelo nome de Kratos Aurion.

Apesar de Collet partir sem Lloyd e Genius para proteger os mesmos dos perigos da jornada, os dois acabam se juntando ao grupo depois de alguns acontecimentos.


História clichê? Pois é, o começo é assim mesmo, mas o que tinha tudo para virar mais uma historinha épica e sem graça acaba se tornando algo bem maior e cativante (apesar de não ser nada super inovador ou original).

Tudo começa de maneira bem simples, com aquela velha história de escolhidos, organização do mal, jornada cheia de aventuras, etc. Mas à medida que o enredo avança, a história vai ficando mais ”rica“, deixando de lado o maniqueísmo barato e mostrando que Sylvarant não é da maneira que todos aprendem na escola.

A maioria dos personagens são bem construídos, sem cair muito em estereótipos de RPGs (com destaque para Collet, que apesar de estar sofrendo, decide agüentar tudo sozinha para que os outros não se preocupem).

Mas o quê realmente chama a atenção nesses OVAs é que conseguiram adaptar a história do jogo de maneira coerente e bem feita, sem cair na armadilha que a maioria das adaptações caem.

Apesar de grande parte do enredo do game ter sido cortada, modificada e resumida, todo o essencial está lá e em seu devido lugar. A narrativa é um tanto quanto apressada, porém coerente e sem fugir da proposta do jogo em momento algum, tendo até algumas modificações que ”consertam“ as partes forçadas e até demasiado longas do game. Existem também várias referências a golpes e magias que são usadas nos jogos e o encerramento conta com uma espécie de historinha com fantoches dos personagens enquanto a música toca (o que é uma clara alusão ao visual do game, que é em SD).

Os personagens continuam intactos, sem nenhuma mudança em suas respectivas personalidades, o que torna esses OVAs uma ótima experiência para quem jogou o game.

O visual é simplesmente de encher os olhos, com personagens e cenários muito coloridos e expressivos, além de uma animação fluída e bem feita, sem abusar da computação gráfica mas, sim, aliando a animação a ela (chega a lembrar algumas das obras do estúdio BONES). O traço desenvolvido para o anime chega a ser até mais bonito e expressivo que o traço original para o game (feito por Kosuke Fujishima, conhecido por outros trabalhos como Sakura Wars e Ah! My Goddess), apesar de ser quase a mesma coisa.

A trilha sonora apenas cumpre seu papel, utilizando algumas músicas do próprio jogo, porém nada muito memorável ou acima da média (exceto talvez pela abertura ”Almetria“ de Eri Kawai).

Logicamente, esses quatro OVAs não contam a história do jogo todo, já que seria quase impossível fazer algo bem feito contando a história de um game de mais ou menos 40 horas em apenas quatro episódios de 30 minutos. A história é narrada apenas até a parte em que a primeira grande reviravolta do jogo acontece (quem jogou sabe do que estou falando).

Apesar de ainda não ter nada confirmado oficialmente, tudo indica que haverá uma seqüência de mais quatro OVAs contando o restante da história, levando em conta que o último OVA praticamente afirma que vai ter uma continuação, com uma espécie de ”preview“.



Tales of Symphonia é com certeza uma das melhores adaptações de vídeo-games para as telas nesses últimos anos. Com uma narrativa coerente e um visual pra lá de bem feito, Symphonia com certeza vai fazer a alegria dos fãs que já jogaram o game e até dos que nunca tiveram contato com o mesmo. É bom ver que ainda existem adaptações feitas por quem gosta da obra original.


Lucas Funchal


 

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