sexta-feira, 18 de novembro de 2016

True Tears (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 02/07/2010

Ano: 2008
Diretor: Junji Nishimura
Estúdio: P.A. Works
País: Japão
Episódios: 13
Duração: 24 min
Gênero: Drama / Romance



Shinichirou Nakagami é um estudante de ensino médio que possui um alto talento artístico e, no momento, foca-se na criação de um livro de ilustrações. Em sua casa reside também Hiromi Yuasa, uma garota que perdeu sua família e que fora adotada pela família Nakagami. Esta não procura se destacar em nada dentro de casa, muito menos bater de frente com o tratamento áspero que recebe da mãe de Shinichirou, contrastando com seu caráter durante as aulas, em que é alegre com as amigas e joga no time de basquete feminino, sendo uma das melhores em quadra.

A história centra-se em Shinichirou, que logo no início vemos desenhando no seu livro baseando-se em Hiromi, e que demonstra querer enxugar as lágrimas do rosto dela, acreditando que algo dentro dela a deixa triste. Mesmo vivendo um ano ”juntos“, os dois pouco sabem sobre cada um. Um certo dia, Shinichirou encontra, em cima de uma árvore do colégio, uma menina estranha chamada Noe Isurugi, que anda cuidando de duas galinhas na escola. Suas indagações a respeito de Shinichirou, das galinhas (Raigou-maru e Chibeta) e sobre ela não poder mais ter lágrimas para chorar chamam a atenção de Shinichirou, que passa a se aproximar cada vez mais dessa peculiar estudante.

Vendo logo a partir do primeiro episódio, percebe-se um ar meio melancólico contrastando com um tom de alegria, e True Tears segue bem nesse rumo. Para todos aqueles que entendem pelo menos um pouco sobre como são os sentimentos e as relações interpessoais dos japoneses, entenderá que esse anime não é tão utópico, desumano ou exageradamente devagar e complicado como aparenta ser. E então, True Tears pode se tornar uma obra totalmente agradável de assistir. Mas a grande pergunta a ser feita é: por que o amor tem que ser algo tão complicado quando, na verdade, é simples?

True Tears nos remete a um enredo cheio de idas e vindas, com um grande ar de romance e, mais uma vez, um triangulo amoroso. O interessante é saber que os personagens possuem um carisma imenso, e suas atitudes refletem o seu passado de forma coerente. Além dos três personagens mencionados, temos o par Miyokichi Nobuse e Aiko Endou, e os pais de Shinichirou, que contribuem para a trama. Miyokichi é o personagem secundário mais legal do anime, já que suas atitudes para com as ocasiões são de fato contundentes. Shinichirou, apesar de no fundo se ver envolvido em um grande problema, age de maneira humana no que diz respeito aos acontecimentos ao seu redor. Noe Isurugi certamente é a personagem feminina mais agradável do anime. Enquanto a Aiko é aquele tipo de personagem que basicamente só está ali pra complicar ainda mais as coisas, bastando apenas conferir o 7o episódio.


Na questão do desenvolvimento do enredo, que possui um nível estável, vale salientar que muita coisa ficou bem feita. As atitudes dos personagens no início do anime nos dão a impressão de que eles estão nos escondendo algo do passado, principalmente a Hiromi. O relacionamento de Shinichirou com todas as pessoas amorosamente envolvidas causa uma certa apreensão e nos faz perguntar o que mais vem a seguir, como ele agirá nesse momento, o que acontecerá com aquela pessoa, como será o final disso tudo? Contudo, algumas coisas mal explicadas demonstram a fraqueza de certos personagens, como as razões não muito convincentes da mãe de Shinichirou tratar Hiromi tão mal, e sobre o Jun, irmão mais velho da Noe, que possivelmente é o personagem mais chato e fraco de personalidade, quando vemos suas atitudes e reais intenções nos últimos episódios. E o pai de Shinichirou se mostra bastante apático em todos os momentos.

Há muitos pensamentos profundos, além de muitos questionamentos emocionais e tratados mais ou menos como numa parábola. Isso é visto sempre quando Shinichirou está trabalhando no seu livro de ilustrações, em que ele conta a história de Raigou-maru e Chibeta de uma forma que sempre associamos às emoções e ocorrências durante o dia ou momento de Shinichirou, ou seja, através de metáforas. Às vezes fica até difícil associar isto à relação, já que há tanto subjetivismo encontrado no anime.

Sobre os aspectos técnicos do anime, não há muito que falar, já que a essência se encontra nos personagens e nos seus "vaivens". Visualmente, o anime possui cores vivas e animação bem feita e bem cuidada, como visto principalmente na escola, em que os personagens de fundo andam para lá e para cá, causando um dinamismo pouco comum em obras desse tipo, e dando a sensação de que os personagens estão vivos, não fazendo com que a obra se torne algo excessivamente triste ou melancólico.

Falando nisso, apesar da obra ser bem estável em quase todos os momentos e não ter melodramas incessantes, existem umas poucas cenas piegas e clichês, como no final do episódio 10, quando vemos Shinichirou correndo desesperadamente atrás de uma certa pessoa. E também a tristeza excessiva de outra personagem "escanteada" em seu quarto, sem tomar qualquer atitude. Nada mais repetitivo do que isso. Aliás, o anime tem uma pequena divisão emocional na metade, passando do momento alegre/pensador para o triste/impensado, algo meio paradoxal. Porém, o final do anime foi excelente e se mostra o melhor final possível para uma obra desse tipo. E quem acha que algum personagem teve um triste fim, é só observar com cuidado a última cena e associar às razões iniciais do mesmo. Também, ao ver o final, é possível entender o porquê da pergunta feita no final do 3o parágrafo desta resenha.



True Tears pode até não ser uma obra altamente destacada e que não caiu muito no gosto do povo como deveria. Mas seu enredo profundo e sentimental, com melodias orquestradas e belos arranjos de piano, e ainda por cima com vários personagens carismáticos, bem desenvolvidos e de personalidades marcantes trazem um diferencial para os animes desse tipo, fazendo com que esta obra seja indispensável para os fãs de drama e romance.


Marcos França




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