segunda-feira, 14 de novembro de 2016

XXXHOLiC (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 13/11/2009

Ano: 2006
Diretor: Tsutomu Mizushima
Estúdio: Production I.G. / CLAMP
País: Japão
Episódios: 24
Duração: 25 min
Gênero: Comédia / Drama / Terror



O CLAMP, famoso por suas obras shoujo (publico feminino jovem), resolve fazer uma tentativa inusitada: um projeto para agradar um publico diferente e mostrar que o grupo tem criatividade para atingir uma nova audiência. Isso não chega a ser uma novidade para o grupo, pois elas já tinham conseguido um razoável sucesso com X, mas dessa vez elas acertaram em cheio.

xXxHolic é a parte complementar de Tsubasa Resevoir Chronicle. As duas histórias acontecem ao mesmo tempo e uma complementa a outra, uma jogada interessante, pois Tsubasa e Holic são obras dirigidas para públicos diferentes (Tsubasa é um shounen, isto é, dirigida para o publico masculino jovem), forçando o leitor que gostar de uma das obras a ser obrigado a ler a outra para entender.

Quem já viu o anime sabe que a versão anime dessas obras não tem ligação com a outra, pois os estúdios encarregados das obras são diferentes, mas isso não influi na qualidade do anime.

Esta obra conta a história de Watanuki, um jovem atormentado por espíritos que, além de poder vê-los, os atrai, fazendo que uma simples caminhada até a escola seja um sofrimento para o garoto, que é obrigado a fugir de assombrações que o perseguem todo o tempo. Em um desses dias, ele é atraído misteriosamente para uma loja de aparência exótica. Como se suas pernas tivessem vida própria, ele é hilariamente arrastado para dentro da loja e encontra uma misteriosa mulher, Yuko, que diz pela primeira vez que “nada é coincidência, tudo é o destino”, e se aquele garoto estava naquela loja, é porque tinha um desejo e, de fato, se a pessoa não tiver um desejo, ela sequer pode ver a loja. Logicamente, Watanuki pediu para que não seja atormentado por espíritos, mas naquela loja nada é de graça, deve-se pagar um preço para ter um desejo realizado, que neste caso foi um objeto pessoal, e trabalhar meio período na loja, mas o preço depende do desejo.

Trabalhando na loja por meio período, Watanuki descobre as esquisitices do lugar, como o Mokona negro (aquele bicho fofinho das guerreiras mágicas Rayearth: porém este exemplar é baseado no original, mas não é o mesmo), além das duas assistentes da Yuko e uma sala cheia de tesouros de pessoas que os deram para ter seus desejos realizados.


A história é recheada de misticismo e lendas regionais, como os nomes terem influência na vida, e hábitos antigos terem razões para existir. Sim, você pensará duas vezes antes de contestar seus avós que dizem que “quem tem os pés varridos não vai casar”. Imagine que esse ato, na verdade, atrai um espírito que arranca sua cabeça e, sem ela, você não pode se casar. Mas é claro que isso é um exemplo, pois a obra se concentra nas lendas do Japão, mas mesmo assim é interessante ver as lendas que eles têm por lá ganharem vida, e de um jeito que não pareça ridículo.

Os personagens são cativantes e originais. Watanuki é um garoto inexperiente, que muitas vezes faz o espectador se identificar com o jovem, pois ele também não conhece muito das lendas e nem acredita nelas, além de nem sempre saber o que um cliente da loja quer. Sua habilidade de cozinhar e limpar é muito bem-vinda na loja. Com seu temperamento meio esquentado e volátil, com freqüência ele perde a paciência com a preguiça da Yuko, que só quer saber de beber e festejar. Yuko, a dona da loja, é uma personagem que parece sempre entender tudo antes dos outros, sendo dotada de uma experiência e percepção fora do normal.

O melhor amigo de Watanuki é o Doumeki, apesar dos dois ficarem sempre discutindo. Doumeki mora em um templo que antes era de seu avô, um famoso exorcista do qual Doumeki herdou os poderes. Ele não pode ver fantasmas como Watanuki, mas os repele. As cenas de discussão entre os dois são freqüentes, pois Doumeki acha que Watanuki fala demais, o qual, por sua vez, odeia quando o amigo come todo seu lanche e o ignora. Os dois muitas vezes entram em missões para Yuko, pois os poderes deles se complementam, fazendo que Watanuki veja os espíritos e Doukemi não os deixe assombrarem.

Outra personagem importante para trama a garota Himawari, pela qual Watanuki não esconde que é apaixonado, o que dá um extremo contraste, pois muitas vezes ele fica radiante com as palavras da garota, mas fica imediatamente nervoso quando Doukemi o interrompe. É uma garota misteriosa, que está presente em varias situações, principalmente quando há reuniões fora da loja. Ela às vezes parece deslocada da trama, mas tem um papel muito importante.

Ao longo dos 24 episódios, Watanuki acompanha, e às vezes participa, da realização de vários desejos diferentes. É muito interessante ver que as pessoas não sabem exatamente o que querem. O preço a ser pago para os mais vários pedidos é bem variado e, às vezes, tão grande, que o máximo que a Yuko pode fazer é dar uma pequena ajuda, pois ela não gosta de receber pagamentos altos demais.

A qualidade técnica da animação cumpre bem o seu papel, se destacando mais pelos traços únicos do CLAMP e do ambiente da obra. Pessoas que passam no fundo das cenas, que não são importantes para trama, são representadas como sombras, se encaixando muito bem com o ar de misticismo do anime. A trilha sonora se funde muito bem com as cenas, não chamando a atenção, mas complementando o ambiente, dando tensão nas horas necessárias e aliviando nas horas que precisam. A palheta de cores é escura, dando um ar meio “dark”, escolha ideal para uma obra dessas.



O final é em aberto, sendo continuado na série “xXxHolic kei”, uma escolha acertada, tendo em vista que um final alternativo poderia arruinar essa excelente série. É verdade que ela divide opiniões, pois não tem lutas, ação frenética, “fan-services” sexuais, entre outros elementos tão freqüentes nos animes, agradando mais pelo conteúdo original. Mas quem gosta de obras que não tentam apelar para conquistar audiência, xXxHolic é uma boa pedida. Quem não costuma gostar das obras do CLAMP tem grandes chances de gostar dessa, pois ela não cai nos clichês freqüentes do grupo e tem o objetivo de atrair um publico mais adulto que gosta de pensar enquanto está assistindo um anime.


Artur Antunes (Ghosturbo)


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