quarta-feira, 5 de abril de 2017

Appleseed (Movie)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 21/08/2009 e revisada em 01/2017

Alternativo: Appleseed – The Movie; Appleseed (2004)
Ano: 2004
Diretor: Shinji Aramaki
Estúdio: Digital Frontier
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 107 min
Gênero: Cyberpunk / Ação / Sci-Fi / Mecha



Como é de costume, começarei minha review com uma pequena sinopse do que é Appleseed.

O mundo sofreu durante anos com uma terrível e duradoura guerra que devastou diversas cidades pelo globo. Fora uma batalha tão longa, que ainda existem muitos soldados que continuam a lutar, pois não sabem que o conflito terminara. Nesse universo turbulento, vive Deunan Knute.

Habilidosa combatente, Deunan se inclui nesse grupo que ainda continua lutando inutilmente contra seus inimigos. Até que, em meio ao campo de batalha, é capturada por soldados de um “terceiro lado”. Em meio a eles se encontra o ciborgue Briareos, antigo parceiro de batalhas de Deunan que estava, aparentemente, morto. Após ser capturada por seus “novos inimigos”, Deunan é levada até Olympus, uma cidade que se ergueu em meio à destruição causada pela guerra.

Olympus é um local pacífico e próspero, e seu governo é divido em “três mãos”: Primeira Ministra Athena (líder político), General Edward Uranus III (líder militar) e, por último, por Gaia, um super-computador que, por sua vez, é regido pelos “Sete Anciões”. A população da cidade é divida entre humanos e Bioroids (uma espécie de “clones”, que não possuem sentimentos negativos e nem a capacidade de gerar filhos). E são esses Bioroids que garantem a paz com suas tendências pacíficas. E, aqui, Deunan se une à E.S.W.A.T, uma organização cujos membros servem como guardiões da população como um todo.

Nessa cidade, somos apresentados a inúmeros outros personagens do filme: Hitomi, uma jovem e simpática Bioroid; Nike, a assistente da primeira ministra Athena; Yoshi, o mecânico-chefe da E.S.W.A.T; o sombrio coronel Hades; entre outros.

Porém, a coexistência de humanos e bioroids está ameaçada: Uma conspiração para eliminar todos os bioroids começa a ser revelada e atentados terroristas acontecem em toda Olympus. A chave para acabar com esses conflitos é o Appleseed, e apenas Deunan, com suas lembranças de um passado distante, poderá encontrá-lo.

Conseguirá Deunan lutar contra suas lembranças e tudo que acredita, para trazer a paz entre os humanos e os bioroids?

Criado no fim da década de 80 pelo gênio Masamune Shirow, criador do igualmente clássico (se não ainda maior) Ghost in the Shell, o mangá Appleseed desfrutou de um estrondoso sucesso, tendo apenas quatro edições e, poucos anos depois do encerramento do mangá, gerou um OVA homônimo (apesar de sua história ser um tanto quanto controversa). Demorou quase 10 anos depois do lançamento do mangá para que, finalmente, um ser humano de bom senso (Shinji Aramaki) decidisse fazer algo decente com essa surpreendente história. E que bom que esperaram todo esse tempo!

Usando uma tecnologia 3D muito semelhante a Cel Shading (conjunto de técnicas que assemelham o 3D a 2D, muito usado em jogos de vídeo-game), Appleseed impressiona só em observar a sua qualidade gráfica. Sinceramente, se fossem 107 minutos de tiroteio sem sentido com a qualidade da animação que tem, o filme já seria muito bom.

Mas, pra nossa sorte, além de ter cenas de ação (também de excelente qualidade), o filme possui uma história fantástica que é recheada de reviravoltas (acreditem quando falo: NINGUÉM é quem você pensa que é nesse filme, viu?). Além de trazer diversas “morais” ocultas em seu roteiro (e algumas bem claras), Appleseed é, acima de tudo, uma história policial, sobre os seres humanos e como eles são mesquinhos em sua realidade.

O filme nos faz pensar em questões que não costumamos pensar diariamente: Estamos preparados ou não para a clonagem humana? Podemos ou não aceitar pessoas diferentes de nós? Por que fazem tantas guerras tolas como fazem? Entre tantas outras...

Em um mundo onde cada vez mais vemos a representatividade da mulher na ficção, Deunan já fazia sua parte a muito tempo. Ela é uma protagonista digna de nota: é heróica quando deve ser, atira quando deve atirar (jamais me esquecerei do tiro que ela dá quando está caindo de um prédio no meio da chuva... Mais preciso, impossível!), bate quando deve bater e tem flashbacks nos momentos apropriados. E possui personagens de apoio igualmente fabulosos, cheios de personalidade e carisma. Mas é na própria Deunan que começam os poucos problemas de Appleseed...

O filme se foca demais em sua protagonista, tornando os demais personagens pobres de história e pouco desenvolvidos (com algumas poucas exceções). O próprio Briareos não passa de um coadjuvante de luxo na saga de Deunan para encerrar os conflitos.

Vou ser meio controverso agora, mas outro defeito de Appleseed se encontra em uma de suas principais qualidades: o roteiro.

Sim, isso mesmo, acho o roteiro de Appleseed fantástico, cheio de reviravoltas e surpresas. Mas, ao mesmo tempo em que é tudo isso, ele é... batido. Isso, batido, pois, apesar de suas reviravoltas, o desfecho de algumas coisas acaba sendo totalmente previsível. Penso que, quando Masamune Shirow criou o mangá, a história era original. Mas, para o mundo de hoje, muita coisa já foi contada, tornando esta história um pouco ultrapassada.

Mas não se preocupem, isso não estraga o filme. O desfecho dele (a “reviravolta final”) é fantástico, dispensando qualquer comentário.

Por ser uma obra de Shirow, não é exatamente uma surpresa ser um marco da ficção científica, do cyberpunk e, porque não, da representatividade feminina. Tudo que já era visto em Ghost in the Shell retorna aqui, com maestria.



Appleseed: uma obra-prima, sem sombra de dúvidas, que merece ser visto por quem gosta de uma boa história policial cheia de intrigas, uma animação de primeiríssima qualidade, de boas cenas de ação e, principalmente, de animes e mangás,.. Enfim, Appleseed é obrigatório pra qualquer um!


Luiz Otávio Gouvêa


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