quarta-feira, 5 de abril de 2017

Gundam Seed Destiny (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 31/12/2008 e revisada em 01/2017

Alternativo: Kidou Senshi Gundam Seed Destiny, Mobile Suit Gundam Seed Destiny
Ano: 2003
Diretor: Mitsuo Fukuda
Estúdio: Sunrise
País: Japão
Episódios: 51 (50 + especial)
Duração: 25 min aprox
Gênero: Mecha / Guerra/ Sci-Fi



Primeiramente deixe-me avisá-lo: o texto a seguir possui diversos "spoilers" sobre a série antecessora, Gundam Seed. Se não assistiu ainda, recomendo que veja (tanto para entender melhor a trama de Seed Destiny, quanto por simples prazer, porque Gundam Seed é muito bom!). Agora, se você já viu Gundam Seed ou não se importa de ter segredos revelados, continue lendo. Obrigado pela atenção!

O anime começa de forma empolgante: Durante o ataque que a Aliança Terrestre promoveu contra ORB (ainda em Gundam Seed), uma evacuação em massa da população está ocorrendo. Neste momento somos logo apresentados ao protagonista da série: o jovem Shinn Asuka. Ele, juntamente com Mayu Asuka (sua irmã) e seus pais, corre para chegar até um navio para que possa fugir do campo da batalha.

Enquanto isso Freedom luta feroz e bravamente contra Calamity e, neste instante, Mayu tropeça e deixa seu celular cair. Como um bom irmão mais velho, Shinn tenta alcançar o celular da irmã o mais rápido possível, para que pudessem prosseguir com a fuga. Quando faltava apenas alguns centímetros para alcançar o celular, Calamity dispara contra Freedom, que por sua vez contra-ataca e uma grande explosão atinge a região, fazendo com que Shinn caia. E, logo após ser ajudado por um bravo soldado de ORB, o jovem se depara com uma cena, no mínimo, chocante... Um ódio mortal atravessa seu corpo quando ele olha os Mobile Suits lutando no céu, logo acima dele. E, com um grito de pânico, começa Gundam Seed Destiny...

Depois dessa fabulosa introdução, somos apresentado à 1ª opening da série (Ignited, muito boa por sinal) e o episódio começa. Pode-se dizer que este é o começo do fim...

O ano é 73 C.E. A longa guerra entre Terra e PLANT terminou com a batalha de Jachin Due. As duas nações concordaram em assinar um acordo de paz mútuo. O mundo, mais uma vez, encontrava o caminho para a estabilidade. Mas, infelizmente, nem todos ficaram felizes com a paz...

Durante uma visita diplomática a PLANT, a atual regente de ORB, a princesa Cagalli Yula Atha, acompanhada de seu segurança, o “misterioso” Alex Dino, vê que as forças de ZAFT continuam uma produção em massa de Mobile Suits e critica tal atividade, ato que o atual presidente de PLANT, Gilbert Durandal, rapidamente explica, dizendo que, para cumprir seus objetivos de paz, o poder era necessário.

A partir daí, começam a ocorrer eventos 100% inovadores na franquia:

Um grupo formado por três jovens invadem uma fábrica de Mobile Suits e, após derrubarem TODA a segurança do local, roubam três projetos que estavam sendo desenvolvidos secretamente pelas forças de ZAFT (sim, 3 Gundams). Em meio ao caos da fuga desses três terroristas, a capitã Gladis, acompanhada de sua fiel tripulação, decide que é hora de decolar com a Minerva, uma nave que, também, vinha sendo desenvolvida secretamente pelas forças de ZAFT. Esta nave (adivinhem só...) é uma nave de nova escala, que acaba tendo de ser utilizada antes mesmo de seu lançamento oficial (engraçado, já vi isso antes em algum lugar...).

Durante a fuga com os Gundams, os três fugitivos acabam colocando a vida de Cagalli em risco, obrigando Athrun a... ops, Alex Dino a pilotar um Zaku para protegê-la. Ele agüenta bravamente os ataques, demonstrando ser um exímio piloto, mas, por fim, acaba perdendo perante o poder dos Gundams de ZAFT. E nesse momento, quando tudo parecia perdido, uma pequena Mobile Armor, acompanhada de outros equipamentos, decola da Minerva. Então, após atirar em um dos Gundams do inimigo, a pequena Mobile Armor passa por uma transformação, se unindo aos demais equipamentos lançados e se transformando no poderoso Mobile Suit Impulse! E, após dizer: “Por que vocês estão fazendo isso? Vocês querem outra guerra?”, descobrimos que o piloto do Impulse é... Shinn Asuka! E assim começa Mobile Suit Gundam Seed Destiny!

Gundam Seed Destiny inovou pouco em sua idéia básica. Afinal, com que freqüência Gundams são roubados de suas fábricas e naves de nova escala secretamente desenvolvidas são lançadas antes de sua data oficial? Sem contar quanto ao design de alguns personagens e Mobile Suits. Shinn Asuka é (fisicamente falando) igualzinho ao Kira Yamato, mudando apenas a cor do cabelo, dos olhos e o tom de pele (que é mais claro). Seu mobile suit, Impulse, é uma cópia melhorada do Strike, inclusive com direito a “packs” de equipamentos.

A nova equipe de “protagonistas” (Shinn, Lunamaria e Rei) são muito mais “humanos” que Kira e companhia, possuindo diversas fraquezas e problemas pessoais (nada do tipo: “eu não posso pilotar...”). Ao mesmo tempo que isso pode ser uma coisa boa para alguns, pode ser encarado como uma péssima coisa para outros.

A série apresenta quilos de novos Mobile Suits, mas poucos são realmente inovadores. Muitos são apenas versões melhoradas de Mobile Suits vistos anteriormente e outros mudam apenas as cores. Mas também existem aqueles que merecem ser lembrados (palmas pro design dos Murasames e do Savior). Mais uma vez, a vontade de vender bonecos da Bandai prejudicou um de seus projetos...

E, para terminar as “inovações” da série, deve ser lembrado que os três ladrões de Mobile Suits da vez (Stella, Auel e Sting), são comandados por Neo Roarnoke, comandante mascarado de uma nave da Aliança Terrestre. Ah! E vale lembrar que temos, mais uma vez, uma cantora na série: Meer Campbell.

Nosso “grande herói” da vez, Shinn Asuka, é um completo paspalho que só sabe gritar, xingar, se achar (e muito) e chorar enquanto escuta a mensagem de caixa postal do celular de sua irmã (sim, ele guardou o telefonezinho cor-de-rosa).

Outra grande falha é a má utilização de alguns personagens. A equipe de apoio da Minerva, por exemplo, é muito pouco explorada. Existem personagens que nos são apresentados em um episódio de forma tão gloriosa, para morrerem no episódio seguinte. E, para finalizar, temos uma péssima participação de dois excelentes personagens que estão na série desde Gundam Seed: Yzak Joule e Dearka Elseman. Lastimável.

Mais um ponto negativo: Os malditos episódios resumo. Desta vez, além de resumir os acontecimentos de Seed Destiny, resume também o que aconteceu em Gundam Seed. E, o pior de tudo, é que esses episódios só aparecem nos momentos mais inadequados (só pra ter uma idéia, um dos últimos episódios é um episódio resumo). Isso sem contar o reaproveitamento de cenas que, desta vez tenho de concordar, passou dos limites.

Mas, apesar de tudo, Gundam Seed Destiny também tem pontos fortes. E também são muitos!

Para começar podemos falar da trama (que, em minha sincera opinião, é muito melhor que a de Gundam Seed). Muito mais adulta que a primeira série, Gundam Seed Destiny trás uma história político/militar fantástica, contendo muitas reviravoltas onde ninguém é quem você pensa que é. Chega um determinado momento da série em que os protagonistas se vêem em dois lados diferentes e não da pra saber qual dos dois é o certo. É fantástico como você fica confuso pensando qual dos caminhos é o correto. O público se sente muito mais envolvido na série, é realmente fabuloso!

Para compensar o herói fraco, temos um excelente vilão que (ao contrário de Rau Le Creuset) tem motivos muito bons para fazer o que ele faz (e como ele faz, viu...) e é muito mais bem desenvolvido que o antecessor.

Declaradamente, eu odeio Shinn Asuka, mas um dos melhores momentos é protagonizado por ele (na verdade dois se for contar com a introdução da série) que é a batalha de Berlim. O cenário é lindo, a música ambiente, as seqüências de cena... sem sombra de dúvida é meu momento preferido na série. Simplesmente fabuloso!

Isso sem contar o regresso de Kira Yamato e grande elenco para colocar as coisas em seus devidos eixos, que brilham ainda mais nessa série!

O roteiro pode ter alguns furos gravíssimos, mas, acredite ou não, Gundam Seed Destiny é 100% válido! Comparado ao seu antecessor, perde em muitos pontos, mas ganha em tantos outros.

Quer uma dica? Não encare a série como se fosse uma “Seguda série do universo C.E”, mas sim como uma espécie de segunda temporada de Gundam Seed. E boa sorte! (acredite, agüentar Shinn Asuka 50 episódios? Você precisará de muita sorte!)

Outra coisa... Existe um OVA de Gundam Seed Destiny, chamado O Futuro Escolhido. Ele reconta os eventos do último episódio (com mais detalhes e alguns extras) e vai além. É obrigatório assisti-lo se você não quer morrer de raiva com o final “oficial”. Este OVA é realmente muito bom, e deixa um gostinho de quero mais.



Resumidamente, Gundam Seed Destiny é muito bom, apesar de extremamente criticado por muito. Diria que ele é incompreendido. Mas, apesar de possuir uma trama muito boa, peca em tantos outros pontos. O roteiro é cheio de buracos e improvisos; os novos personagens não conseguem convencer ninguém, entre tantas outras falhas... Mas vale a pena a chance, se encarar com o coração aberto.


Luiz Otávio Gouvêa


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