quarta-feira, 5 de abril de 2017

Gundam Seed (TV)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 31/12/2008 e revisada em 01/2017

Alternativo: Kidou Senshi Gundam Seed, Mobile Suit Gundam Seed
Ano: 2001
Diretor: Mitsuo Fukuda
Estúdio: Sunrise
País: Japão
Episódios: 51 (50 + especial)
Duração: 25 min aprox
Gênero: Mecha / Guerra/ Sci-Fi



Este é o ano 70 da era cósmica (ou Cosmic Era, ou simplesmente C.E.). A civilização humana se dividiu em duas: os Naturais (humanos comuns que em sua maioria habitam a Terra) e os Coodinators (humanos modificados cientificamente. Mais habilidosos para diversas tarefas como, por exemplo, cantar, lutar etc. Vivem nas colônias espaciais de PLANT).

Sempre fôra alta a tensão entre as duas “nações” (Terra e PLANT) mas, após o incidente conhecido como Bloody Valentine (onde mísseis nucleares da Aliança Terrestre foram lançados contra a colônia espacial de Junius 7 -pronuncia-se Junius Seven - e milhares de Coordinators morreram), esta tensão imediatamente desencadeou sérios acordos militares e uma guerra foi declarada. Sem dúvida, todos acreditavam em uma vitória rápida da aliança terrestre, mais numerosa que ZAFT. Entretanto, a guerra vem se prolongando por 11 meses.

Enquanto isso, em Heliopolis, uma colônia neutra pertencente a uma terceira “Nação” humana conhecida como ORB, às pessoas levavam uma vida normal. Mesmo sabendo de todos os conflitos que ocorriam pelo espaço, nunca foram afetados diretamente por eles. Entre esses humanos estava Kira Yamato, um jovem e promissor estudante que, junto de seus amigos, seguiam suas vidas pacificamente. Até que, em um dia fatídico, as forças de ZAFT invadem a colônia para roubar um projeto da Aliança Terrestre que, secretamente, estava sendo desenvolvido por lá.

Durante a invasão, todos os civis começam a evacuar a área. Neste instante, Kira Yamato observa uma jovem correndo em direção ao local onde os tiros estavam sendo trocados. Preocupado com esta jovem, Kira a segue e, chegando lá, descobre as máquinas de guerra que estavam sendo desenvolvidas: cinco Mobile Suits.

Três deles já haviam sido roubados e o jovem Athrun Zala, acompanhado de Rusty, vinha para levar os dois últimos. Neste ponto, ao ver seu companheiro sendo morto, Athrun parte em direção à mulher que o fez. A militar que atirou em Rusty também estava ferida, e Kira acaba tentando ajudá-la. Nisso, os caminhos de Kira e Athrun se cruzam, mais uma vez...

Obs: Achando estranho o “mais uma vez”? Pois é, na verdade Kira Yamato e Athrun Zala eram amigos de infância, que tiveram seus caminhos separados ainda pequenos.

A militar ferida arremessa (literalmente) Kira para dentro do Cockpit de um dos Mobile Suits enquanto Athrun leva o restante consigo. E, vendo seus amigos correndo perigo, Kira sente-se obrigado a pilotar esta máquina de guerra para protegê-los. E assim começa a saga de Gundam Seed...

Sim, em primeiro momento o enredo é bem clichê, sendo previsível em certos pontos. Primeiro momento? Não, ele é até seu desfecho bem cliché. Mas, pode parecer estranho, isso não é uma coisa ruim, muito pelo contrário!

Kira e Athrun, os protagonistas da série, são amigos de infância que se encontram em lados opostos na guerra, tornando-se inimigos mortais. O primeiro se vê obrigado a pilotar o Strike, ao lado da Aliança Terrestre, para poder proteger aqueles que ele ama. O segundo é um ás de ZAFT, filho de um dos líderes da mesma, e pilota o Aegis ao lado dos demais pilotos de ZAFT.

Gundam Seed mostra ao “telespectador” todas as facetas de uma guerra, deixando até mesmo uma dúvida sobre “qual é o lado certo da guerra”, ou mesmo se existe um lado certo.

Em paralelo, temos também alguns momentos musicais, principalmente por parte de Lacus Clyne, noiva de Athrun Zala e cantora de PLANT (uma das maiores celebridades locais, se não a maior). Não imaginem, contudo, nada no estilo Disney (nem mesmo algo parecido com a tenebrosa Lin Minmei de Macross). As canções são calmas e agradáveis para seus ouvidos.

Aqueles que viram a série original (Gundam 0079) devem estar dizendo: “Mas espera aí! Naturais e Coordinators? Isso tá que nem Newtypes e Oldtypes! E esta guerra entre A Aliança Terrestre e Zaft? Tá muito parecido com Federação da Terra contra Zeon! Essa série é uma cópia de Gundam 0079!”. Não vou negar, pra falar a verdade, é mesmo!

E tem muitas outras semelhanças: temos os Gundams como “a arma secreta que ainda não foi terminada”; temos a Archangel, uma nave branca de nova escala que também era um projeto secreto, mas precisa ser utilizada antes de seu lançamento oficial (Pois é, tipo a Whitebase); e sem contar o vilão mascarado (mas Rau Le Creuset não chega aos pés de Char Aznable), e as semelhanças não param por aí não...

Mas se você acha que isso foi uma falha de roteiro, não se engane, isso é de propósito! Afinal, Gundam Seed é, oficialmente, um remake de Gundam 0079 e, até determinado ponto da série, cumpre bem seu objetivo: depois se torna uma série BEM DIFERENTE!

Os puristas com certeza dividem a série em duas partes: Antes e depois do episódio 34. Tenho de concordar que a série muda seu estilo completamente, mas, na opinião daquele que vos fala, muda pra melhor.

O design das máquinas está lindo, todos muito coloridos e vibrantes, assim cada Mobile Suit tem seu próprio estilo, tornando cada um único (e olha que não são poucos, viu? Até hoje Gundam Seed é uma mina de ouro pra Bandai para a venda de brinquedos, estatuetas e demais colecionáveis). Quanto aos personagens, bem, eles não são lá muito complexos, mas estão longe de ser sem graça. Alguns matarão você de raiva, outros te deixarão surpreso com seu enorme carisma. Mas, em geral, são todos interessantes. Duvido que não consiga se simpatizar, ao menos, com Mu La Flaga que, como ele próprio diz, é o homem que faz do impossível possível!

As músicas da série são, em geral, muito bonitas e bem produzidas, principalmente as OPs e Endings (destaque para Realize do BOUNCEBACK, última OP da série, que é simplesmente fabulosa). Ainda acho que a Lacus Clyne poderia ter mais canções, mas sua single (Shizukana Yoruni, magnificamente interpretado por Rie Tanaka) é muito boa. Pena que em determinado ponto da série, você já escutou tantas vezes que certamente vai enjoar dela...

Uma das maiores falhas da série é centrar demais no Kira como “O Escolhido”, sendo o único piloto de Mobile Suits aliado da Aliança durante uma boa parte da série. Isso funcionava bem em 1979, mas na atualidade fica muito forçado. Mas, depois do episódio 34, as coisas mudam, e pode-se até dizer que ele ganha uma belíssima “equipe de apoio”.

Um outro problema da série são os “episódios resumo”. Não me lembro ao certo, mas acho que são três ou quatro (sendo que um deles é o episódio seguinte de um outro episódio resumo). Quando você vê de forma normal (um episódio uma vez por semana, como é transmitido no Japão) até concordo que é necessário um (no máximo dois) episódios resumo, mas três ou quatro começa a virar uma belíssima “encheção de lingüiça”.

Muitos falam do reaproveitamento de cenas. Mas, sinceridade, isso não fez muita diferença pra mim, não. Eles reaproveitaram cenas? Sim, e não são poucas às vezes! Mas em geral, com exceção de uma cena reaproveitada ou duas, isto passa batido numa boa (ao contrário do seu sucessor Gundam Seed Destiny, que reaproveita imagens DESCARADAMENTE como se não houvesse o amanhã...). Mas, se você é do tipo que preza esse tipo de coisa, este é outro ponto negativo.

Uma curiosidade sobre a série é que os Mobile Suits principais (os Gundams) não são conhecidos como “Gundam”, sendo essa apenas uma sigla que aparece no painel de controle dos Mobile Suits (o significado depende do modelo). O único que os chama de “Gundam” é o protagonista Kira Yamato.

No geral, é uma série de Mecha como há muito tempo não se via. É a essência mais pura do estilo, com todos os clichês de seu gênero que se pode imaginar!



Se você é um fã de séries mecha com tramas complexas, conspirações histórico/religiosas e/ou grandes sagas militares, então definitivamente NÃO veja Gundam Seed (nesse caso recomendaria Evangelion, Code Geass ou Gundam 00). Mas, se você gosta de uma série emocionante, que contém críticas à sociedade e à indústria da guerra, que fala sobre o verdadeiro significado da amizade e, de quebra, tem eletrizantes cenas de batalhas protagonizadas por belíssimos robôs gigantes e é embalado por J-Pop de qualidade, Gundam Seed foi feito pra você!

Obs 2: Ao encerrar a série, fica a recomendação para assistir a um episódio especial chamado “After-Phase: Between the Stars”. Servindo como um ótimo epilogo para SEED e um prólogo para SEED DESTINY.


Luiz Otávio Gouvêa


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