quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Digimon Adventure tri.- Chapter 4: Loss (Movie)

Alternativos: Digimon Adventure tri. Soushitsu
Ano: 2017
Estudio: Toei Animation
Diretor: Keitaro Motonaga
País: Japão
Duração: 82 min
Gênero: Sci-Fi/Drama/Aventura



Para quem leu minhas resenhas dos filmes anteriores dessa nova série Digimon, vai ver que fiquei muito satisfeito com o andar da carruagem, especialmente no segundo e terceiro filmes. Naturalmente, isso fez com que eu ficasse muito animado para o quarto filme da série tri., “Loss” (Perda). Infelizmente, no entanto, o filme me deixou profundamente desapontado.

Vamos por partes, a começar pela sinopse: Depois de Homeostasis, uma espécie de deus onipotente do Digimundo nunca antes mencionado, realizar o processo de Reboot para impedir que o vírus assolando o Digimundo continuasse existindo, os Digiescolhidos resolvem viajar mais uma vez até o mundo digital em busca de seus parceiros, que tiveram suas lembranças apagadas depois do Reboot e, também, na esperança de encontrar Meicoomon, agora supostamente curado. Mal sabem eles, no entanto, que tudo está indo de acordo com o plano de Maki Himekawa, uma das agentes da Agência Administrativa Incorporada, e um homem misterioso que toma a forma do jovem Gennai.

O filme já começa com uma revelação bombástica, especialmente se você se lembrar de um detalhe específico da mitologia da série original, e durante seus 82 minutos de duração, algumas outras revelações importantes também pipocam aqui e ali para dar a história em si da série tri. a robustez que lhe faltava nos últimos três filmes. O problema é que, apesar da história em si e as ideias serem boas, a maneira como a trama (que é diferente de história) de fato ocorre é uma bagunça.

Primeiramente, o arco principal do filme é ruim e mal trabalhado, se focando dessa vez em Sora. Quando os Digiescolhidos se reúnem com seus parceiros, agora sem memória alguma sobre suas relações, todos inexplicavelmente se dão bem e voltam a ser melhores amigos para sempre quase que de imediato, exceto Byomon e Sora. Byomon, por algum motivo nunca explicado, é a única entre os digimons que suspeita dessa história de eles já terem se conhecido antes e Sora, desesperada para reatar a amizade com sua parceira, faz de tudo para agradá-la e é respondida com desdém constantemente. A própria premissa desse arco simplesmente não faz sentido, dado a caracterização de Byomon desde a série original e comparada a como literalmente todo o resto do elenco se porta durante a situação. Não existe nenhuma circunstância especial por parte da atitude de Byomon ou Sora que justifique isso, nós temos que apenas aceitar que as coisas estão se desenvolvendo assim por qualquer motivo.

Pior ainda, o filme tenta envolver Taichi e Yamato na história (é o triângulo amoroso, afinal), e ver como ambos são estúpidos o suficiente para não entender o porquê de Sora estar se sentindo triste é simplesmente irritante. O clichê dos “homens que não entendem as mulheres” simplesmente não se aplica uma situação tão óbvia quanto essa, e ao invés de ser cômico ou carismático, simplesmente nos dá a impressão de que Taichi e Yamato não prestam atenção na menina de quem gostam e que Sora é chata demais pra explicar de qualquer jeito, fazendo com que esse conflito interno seja só uma enrolação boba e que não leva a nada.

Na verdade, o arco inteiro de Sora não leva a nada. A maneira como as coisas são resolvidas é rápida e praticamente desprovida de um clímax devido, dando a impressão de que assistimos a um grande filler apenas para justificar a existência de um quarto filme antes de um quinto e sexto, como se os roteiristas soubessem que ainda tem muito chão pela frente e as partes importantes têm que ficar para depois. Sora não é desafiada a crescer e se desenvolver como personagem da mesma maneira que Jo, Mimi, Koshiro e Takeru foram anteriormente. Na verdade, ela praticamente continua a mesma e a lição do dia é que ela não faz nada de particularmente errado e foi tudo um mal-entendido.

Enquanto isso, o Gennai malvado aparece aqui e ali para provocar os Digiescolhidos, em especial Meiko e Meicoomon, lançando digimons para que eles lutem e, ao final, revelando pelo menos parte de qual seria seu plano maligno (aparentemente existe um outro deus nunca antes mencionado ou mostrado chamado Yggdrasil). Como vilão, ele não é realmente nada de mais, se mergulhando em clichês do “vilão sádico” que todos estamos cansados de ver. Ele inclusive solta alguns comentários de natureza vagamente sexual enquanto imobiliza algumas das Digiescolhidas com as quais luta, tendo até uma lambida de bochecha no meio. Creio que a ideia fosse mostra-lo como um cara repugnante e asqueroso? Sei lá, mas só me parece que os roteiristas não sabem muito bem o que fazer com ele.

Himekawa se mostra como uma vilã de motivação muito mais clara e interessante, contudo ela tem relativamente pouco tempo de filme e todo este é gasto com ela andando sozinha em busca de seu objetivo, longe de todo o resto dos acontecimentos.

Dessa vez temos muito mais cenas de ação, porém é uma pena que a animação seja a pior da série até agora. As lutas são cheias de movimentos travados, inconsistências entre traços, falta de perspectiva ou noção de movimento, se transformando em uma verdadeira apresentação de Power Point confusa e nada prazerosa de se ver. Além disso, e eu não estou brincando, eles gastam um pouco mais que 5 minutos seguidos com animações diferentes de digi-evolução. SEGUIDOS. Como ninguém em algum momento avisou a produção que isso era uma má ideia?

E para fechar com chave de ouro, a última cena termina da maneira mais preguiçosa possível, com um “fade-to-black” súbito que interrompe a ação e trilha sonora no meio. Claramente a ideia não era terminar desse jeito, mas tiveram que fazê-lo por algum motivo.




No final das contas, Digimon Adventure tri. – Loss demonstra ter muitas boas ideias para sua história, mas a maneira como as mostra para os espectadores é muito frenética, bagunçada e mal planejada. As grandes revelações que referenciam detalhes nunca antes explorados da série original são muito bem pensadas, mas não conseguem carregar nas costas um filme que sustenta em um arco principal raso e sem sentido. Junte isso a um novo vilão mal definido que fica vomitando informações cruciais sobre um suposto novo inimigo sem nunca mostrar nada (o que contribui para a confusão e falta de importância na história principal) e um pacote visual honestamente ruim, e Loss demonstra uma queda de qualidade na série de dar dó, especialmente considerando como o filme anterior foi tão bom.


Lucas Funchal




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