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terça-feira, fevereiro 12, 2013

Armitage III: Dual Matrix (Movie)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 15/11/2004.

Alternativos: Amiteeji the Third Gekijouban, Armitage: Dual-Matrix
Ano: 2002
Diretor: Katsuhito Akiyama / Makoto Bessho / Takuya Nonaka
Estúdio: AIC / Pioneer LDC
País: Japão
Episódios: 1
Duração: 90 min
Gênero: Aventura / Sci-Fi / Ação



AVISO: Caso não tenha assistido ainda à série de 4 OVAs "Armitage III" ou ao filme "Armitage III: Poly-Matrix", pare agora mesmo de ler o "review", pois qualquer informação aqui contida pode estragar completamente a experiência de assistir às obras supracitadas. Eu avisei, hein? Não vá reclamar depois de "spoilers" no texto...


Longa-metragem que dá seqüência à estória de "Armitage III", "Armitage: Dual Matrix" se passa alguns anos após os eventos finais da série de OVAs. Vivendo com identidades falsas para se manterem no anonimato, Naomi Armitage e Ross Sylibus estão casados e levam uma vida calma e feliz ao lado da filhinha Yoko, a qual não sabe nada sobre a verdadeira identidade de sua mãe: uma robô da série "Third", capaz de se emocionar e amar e, ainda, de dar à luz a crianças humanas perfeitas. Yoko é a prova viva do sucesso da linhagem "Third" como reprodutoras.

Certo dia, Naomi tem um sobressalto em casa e pressente que algo terrível está acontecendo. Ela não está errada: uma usina de anti-matéria é atacada, e todos os robôs e cientistas envolvidos no projeto são barbaramente assassinados por uma força militar, sem chance de defesa, sob a acusação de traição e rebeldia. Começa uma nova onda de protesto por parte dos humanos, que querem uma menor participação dos robôs na vida diária, além de alguma forma de controle que impeça uma revolta dos mesmos contra seus criadores. Toda esta confusão parece estar ligada ao ambicioso projeto Astro Technologies, de vital importância para o futuro de Marte, pois tem o objetivo de criar oceanos neste planeta, utilizando-se para isto dos flocos de gelo que se encontram em sua órbita. Resta saber como os comandantes da Terra, que consideram Marte apenas como uma colônia e não vêem a independência do planeta com bons olhos, lidarão com esta questão delicada. Fica ainda no ar a pergunta: de que forma o problema dos "Thirds" poderia estar ligado a este conflito diplomático entre a Terra e Marte?


Claro que, sendo uma "Third", Naomi Armitage não poderia ficar de fora de toda esta confusão. Ela e Ross, cada um a sua maneira, se envolvem (e são envolvidos) em uma fraquíssima trama pseudo-complexa, que não convence nem cativa o espectador em nenhum momento, mostrando o quanto o talento de Chiaki Konaka, roteirista da série de OVAs, fez falta neste longa-metragem. Decepção é a palavra que melhor demonstra o sentimento geral em relação a este medíocre "movie", que não convence para valer em praticamente nenhum aspecto, exceto no sincero relacionamento familiar entre Ross, Naomi e Yoko.

Séries de OVAs geralmente possuem uma estória mais fechada que os longa-metragens, pois permitem que o enredo seja desenvolvido com mais calma. Os "movies", por outro lado, são imbatíveis nos quesitos técnicos, mesmo que a estória e o ritmo possam, por vezes, deixar a desejar. O fato é que "Dual Matrix" é muitíssimo inferior a "Armitage III" em todos os aspectos, até mesmo na parte visual, mesmo levando-se em conta que foi realizado 4 anos depois, possuindo inclusive muitas cenas feitas em CG, ao contrário dos OVAs, 100% produzidos em acetato. "Armitage III" possuía um excelente desenho de personagens, ótima trilha sonora, uma trama bem bolada e um ritmo impecável.

"Dual Matrix", por outro lado, possui personagens com traços feios (Hiroyuki Ochi, você realmente decepcionou desta vez!), ritmo caduco e uma animação que decepciona bastante, nos momentos em que a computação gráfica é usada com maior ênfase. "Dual Matrix" poderia, ainda, ser chamado de "Armitage versão Jerry Bruckheimer", pois usa e abusa dos clichês presentes na maioria dos filmes produzidos pelo famigerado americano. Temos o vilão caricato, na forma de Demetrio Mardine, as tramas políticas fuleiras e chantagens ridículas, tudo embalado por situações pra lá de prevísiveis. Quando somos apresentados a uma certa dupla de clones e suas risadinhas ridículas, a vontade é de parar imediatamente de assistir ao filme e sair para comer uma pizza... mas a tortura já está acabando, e quem já sofreu tanto agüenta segurar as pontas mais um pouco.



Se "Dual Matrix" não fosse a continuação de um anime tão bom quanto "Armitage III", talvez a decepção não fosse tão grande, pois poderíamos encará-lo apenas como um anime de ação BEM mediano (e põe mediano nisto). Como não é este o caso, não dá para perdoar a tremenda pisada na bola da Pioneer LDC pela transformação de Armitage III em um anime "fast-food", desprovido de qualquer conteúdo. Não é uma desgraça completa (a trilha sonora ainda é muito boa, e a animação é bem aceitável quando não abusa do CG, vamos ser justos), mas fica bem próximo disto.


Marcelo Reis


 

Armitage III (OVA)

OBS: Resenha publicada originalmente no Animehaus em 01/01/2004.

Ano: 1995
Diretor: Hiroyuki Ochi
Estúdio: AIC / Pioneer LDC
País: Japão
Episódios: 4
Duração: 30 min
Gênero: Aventura / Sci-Fi / Ação



Ross Sylibus é um sorumbático detetive que acaba de ser transferido para o Departamento de Polícia de Marte (MPD), em um futuro no qual a robótica e a alta tecnologia fazem parte do cotidiano de toda a população. Os avançados robôs se encontram em todos os lugares, realizando funções normalmente destinadas aos humanos, e até mesmo os automóveis passaram a ser controlados por computador. Apesar do conforto proporcionado pela tecnologia, grande parte da população nutre um preconceito grande pelos robôs, pois acreditam que eles existam apenas para tomar seus empregos e dar lucros aos poderosos.

Ross também não gosta de computadores e robôs, mas por um motivo completamente diferente: sua parceira de trabalho fôra assassinada por um robô descontrolado. Desde então, Ross não confia em máquinas, e procura se manter o mais afastado possível de todos os casos que envolvam algum tipo de aparato tecnológico: até mesmo seu carro foi modificado, para ser controlado manualmente, sem nenhum auxílio de computadores.

Um terrível incidente no aeroporto desencadeia uma crise sem precedentes em Marte, uma violenta e preconceituosa revolução que poderá levar até mesmo ao extermínio de todos os robôs existentes. Ross é encarregado de investigar o caso, a contragosto, juntamente com a bela e temperamental Naomi Armitage, sua nova parceira. Sempre de óculos escuros e com uma curtíssima roupa vermelha, Armitage é irreverente e invocada, mas sempre muito eficiente, e seu jeitão despojado traz um pouco de luz à tediosa vida de Ross. Juntos, eles vão descobrindo terríveis fatos por trás da revolta contra os robôs, verdades que podem estar intimamente relacionadas à vida de ambos.


Série de 4 OVA´s produzida pela Pioneer LDC em 1994, Armitage III é um anime sério, com uma trama intrincada e violenta, bem no estilo de seu genial criador, Chiaki Konaka, autor de Serial Experiments Lain e Big O. Mesmo não sendo uma obra 100% original, pois é claramente inspirado em títulos como Blade Runner e Snatcher, Armitage III foi beneficiado pela criatividade de Chiaki Konaka, que criou uma história impressionante e com algumas surpresas interessantes. O fato da série possuir apenas 4 OVA´s ajuda no desenrolar da trama, evitando que o anime se torne monótono ou enrolado: o enredo flui com naturalidade, sem pressa e, o mais importante, sem deixar amarras soltas.

Na parte técnica, Armitage III é mais um bom exemplo de que a animação tradicional sem o auxílio de computadores pode impressionar bastante. Com uma impecável estética "cyberpunk", cortesia do excepcional trabalho de Atsushi Takeuchi (Design) e Masaru Sato (Direção de Arte), Armitage III ainda se beneficia da polivalente capacidade de Hiroyuki Ochi, responsável pelo excelente desenho de personagens e, ainda, pela direção segura. Para fechar a parte técnica com excelência, nada melhor do que a marcante trilha sonora "techno", composta por Hiroyuki Namba, que se adequa perfeitamente à estética futurista deste anime.



Entre os poucos pecados em Armitage III, alguns estão logicamente relacionados aos tradicionais clichês (sim, eles me perseguem! ^^"), embora, verdade seja dita, eles sejam quase insignificantes. Além disto, alguns exageros nas cenas de ação, sobretudo no final da série, destoam do caráter sério e realista presente em toda a série. Sem apelar para dramalhões ou alívios cômicos desnecessários, Armitage III é a opção ideal para quem procura um anime com tema sério, doses pesadas de violência física e psicológica, e um enredo que não ofende a inteligência do espectador.


OBS: Em 1997 foi lançado o longa-metragem "Armitage III: Poly-Matrix", que é simplesmente uma versão condensada dos 4 OVA´s originais. A verdadeira seqüência de Armitage III foi lançada em 2001, com o nome "Armitage III: Dual Matrix".


Marcelo Reis